A mensagem de Quaresma do Bispo do Algarve destaca a necessidade de oração e de ação por causa dos abusos sexuais na Igreja. “Este é o tempo favorável, considera o Bispo do Algarve, Manuel Neto Quintas, um tempo em que todos os católicos são convidados à purificação, à renovação e penitência, sobretudo tendo em consideração “a recente publicação do relatório para o Estudo dos Abusos Sexuais de Crianças na Igreja Católica Portuguesa pela Comissão Independente, a pedido da Conferência Episcopal”, que o prelado algarvio classifica como “um veemente apelo à conversão”.
Em comunicado, divulgado pela Diocese do Algarve, Manuel Quintas ressalta a «coragem e decisão em conhecer a verdade sobre esta “chaga humana e social” no âmbito da sua ação» por parte da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), considerando que «ninguém pode abafar ou ignorar este grito», tratando-se «de uma realidade inqualificável», em relação à qual «também temos de assumir a responsabilidade que essa verdade reclama. Com o pedido de perdão a todas as vítimas, inclusive àquelas que não tiveram a coragem de o manifestar», salienta.
Nesse sentido, o Bispo do Algarve aponta três caminhos, que reputa de obrigatórios:
- «assumir as consequências destes atos inqualificáveis, cometidos por quem devia ser “defensor” e não “abusador” dos mais frágeis, conscientes de que tudo o que possamos fazer apenas atenuará o sofrimento e a humilhação das vítimas;
- promover ações de formação com todos os agentes de pastoral sobre este assunto com o objetivo de criar uma “cultura do cuidado e da transparência” em todas as instituições eclesiais;
- incutir nas comunidades cristãs, e através delas na sociedade em geral, uma nova sensibilidade de modo a prevenir e a denunciar situações que possam ocorrer na proteção e defesa das crianças, adolescentes e adultos vulneráveis».
Quaresma: tempo de partilha fraterna e solidária e de oração
Outra dimensão abordada pelo Bispo do Algarve, prende-se com a necessidade de ajudar os «mais necessitados», ajuda essa que sintetiza toda a «espiritualidade deste tempo a partilha fraterna, através da denominada “renúncia quaresmal”, expressão solidária com os mais necessitados da Igreja local ou universal», explica e revela que, em 2022, essa renúncia se destinou a apoiar a Diocese de S. Tomé e Príncipe, tendo sido recolhida a quantia de 10.550,00€.
Este ano, a “renúncia quaresmal” apoiará a Diocese de Viana (em Angola) e os “Missionários de Santa Teresa de Jesus” no «projeto de construírem uma Casa de Formação para os seus seminaristas (45) do curso de teologia».
Recorde-se que a Quaresma é um período de 40 dias (excetuando os domingos), marcado por apelos ao jejum, partilha e penitência, que serve de preparação para a Páscoa, a principal festa do calendário dos cristãos.









