Uma frase de um grande escritor, para iniciarmos a nossa reflexão desta edição do nosso Terra Ruiva:
“Os seres humanos pensam que deixam de se apaixonar porque envelhecem, sem saber que envelhecem porque deixam de se apaixonar”. – Gabriel Garcia Márquez
Iniciamos uma nova estação – O outono, e com ele toda a natureza se prepara para deixar as suas velhas roupas, gastas de um verão quente e seco. Tal como na natureza, também as pessoas necessitam de largar as “velhas roupas”, necessitam de aprender a adaptar-se a cada nova estação da vida. Cada uma representa um novo desafio. A experiência e maturidade adquiridas, ajudaram a desenvolver ferramentas muito úteis para a superação do desafio. Para esta superação é fundamental não deixarmos de estar apaixonados pela VIDA e pela riqueza de cada nova fase. Cada ruga representa vivências e caminhos percorridos. Cada memória, uma página de um livro que se foi escrevendo e no qual se abrem novos capítulos. A vida, quando vivida, tem sempre novas histórias a acrescentar. Quando deixamos de viver, então começamos a envelhecer.
À medida que o tempo passa e a idade avança, deixamos de lado muitas atividades que ajudam a prevenir doenças e melhoram o bem-estar físico e mental. A atitude a ter é precisamente a contrária. Manter o corpo ativo no dia-a-dia, manter a mente ativa e aberta a novas aprendizagens e o melhor remédio para manter a saúde.
Fazer algum tipo de exercício físico, caminhar, optar por fazer algumas atividades a pé, ajuda a minimizar a perda de resistência cardiovascular, a massa magra, a coordenação motora e ajuda a regular o peso. O exercício ajuda ainda na produção de hormonas de bem-estar que melhoram o humor e combatem a depressão. Durante o exercício físico as necessidades do corpo mudam e são ativadas mais de 50 hormonas diferentes. Entre elas, estão as responsáveis pelo prazer que sentimos depois de fazer exercício: a dopamina, a serotonina e a endorfina. A dopamina, produz a sensação de prazer, melhora as capacidades de aprendizagem e a memória. O corpo utiliza a serotonina para nos fazer sentir bem, é responsável por descansarmos corretamente, pela regulação do apetite, pelos sentimentos positivos e melhor autoestima. A endorfina exerce efeitos analgésicos e ansiolíticos no corpo, é responsável pelo alívio da dor e redução das emoções e sensações negativas.
Aprender coisas novas, conversar, conviver com os amigos, é também importante para melhorar o humor e combater a depressão, mas além disso ajuda na prevenção das doenças cardíacas e mantém o cérebro ativo. É fundamental ter um propósito, uma razão para acordar todas as manhãs, objetivos para atingir em cada dia. A vida é feita de pequenos nadas, como diz na sua canção Sérgio Godinho, mas é de pequenos nadas que se constroem grandes coisas. Por pequeno que lhe pareça o passo, é esse pequeno passo que lhe permitirá fazer grandes caminhadas.
Quando comemoramos as conquistas diárias produzimos dopamina; quando fazemos um ato de generosidade, abraçamos alguém ou meditamos, produzimos oxitocina; quando agradecemos o que a vida nos dá em cada dia, desfrutamos da natureza, recordamos os bons momentos, produzimos serotonina; quando praticamos atividades de lazer, hobbies, quando rimos, cantamos e dançamos produzimos endorfinas. Podemos, de forma fácil e natural, estimular a química da felicidade do nosso cérebro e viver de forma mais plena, prolongando a longevidade com saúde.
“Envelhecer é como escalar uma grande montanha: enquanto se sobe as forças diminuem, mas a visão é mais livre, mais ampla e tranquila” – Ingmar Bergam
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