A questão da instalação de um museu na Fortaleza de Armação de Pêra foi um dos assuntos debatidos na sessão da Assembleia Municipal de Silves, realizada a 28 e 29 de setembro, em São Bartolomeu de Messines. Este assunto foi debatido nas questões colocadas ao Executivo Permanente Municipal, relacionadas com o ponto de situação de obras ou projetos a desenvolver pela autarquia de Silves.
Da bancada do PS surgiu a questão sobre a instalação de um núcleo museológico e posto de informação turística na Fortaleza de Armação de Pêra, de acordo com a proposta apresentada pelo vereador Luís Guerreiro, em reunião de Câmara, a 28 de fevereiro de 2022.
O membro do PS, Mário Nobre de Oliveira, evocou a existência de um auto de cedência celebrado há 22 anos entre a Câmara Municipal de Silves e a Direção Geral do Turismo (corrigido posteriormente pelo presidente da Junta de Freguesia de Armação que afirmou ser a Direção Geral de Tesouro e Finanças) que previa a instalação de um núcleo museológico e posto de turismo na Fortaleza, além da autarquia se comprometer a efetuar as necessárias obras de reestruturação e conservação, dos espaços exterior e interior. O mesmo deputado municipal criticou o facto das referidas instalações, que já serviram a GNR, estarem agora ocupadas pelo Corpo de Escuteiros de Armação de Pêra, uma cedência efetuada pela Câmara Municipal.
Também o presidente da Junta de Freguesia de Armação, Ricardo Pinto, falou da cedência das instalações aos escuteiros, concretizada em abril passado, considerando que seria necessária “uma prévia autorização para dar destino diferente” ao espaço e que este “regressa imediatamente à posse do Estado” se os termos da cedência não forem cumpridos.
Em resposta, a presidente da Câmara Municipal, Rosa Palma, confirmou a existência do referido auto de cedência, assinado pela autarquia em 2009, nos termos citados, mas sublinhou que, em 2013, quando tomou posse, esse espaço estava transformado numa “arrecadação” e tinha instalada “uma empresa de surf”. Situação que se manteve durante bastante tempo “sem que ninguém perguntasse pelo auto de cedência”…
Rosa Palma confirmou a cedência do espaço na Fortaleza aos escuteiros, que foram despejados, pelo padre de Armação de Pêra, da casa que ocupavam, sem que tivesse ficado previsto um local para se instalarem, no “enorme” Centro Paroquial. Por esse motivo, explicou, a Câmara decidiu ajudar cedendo a sala na Fortaleza, mas esta será uma ocupação temporária. Segundo a presidente da Câmara, não é possível criar ali um núcleo museológico, porque o espaço não tem as dimensões nem consegue responder às atuais exigências técnicas para a sua instalação, mas anunciou a instalação de um centro interpretativo ligado à área marinha protegida de Armação de Pêra- Pedra do Valado.






