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Memórias

MEMÓRIAS: Recordar a Silvense Primeira-Dama: Maria das Dores Cabeçadas

Aurélio Cabrita
Última Atualização: 2020/Abr/Seg
Aurélio Cabrita
6 anos atrás
Maria das Dores Cabeçadas em 1911
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MEMÓRIAS: Na secção Memórias lembramos hoje a Silvense que foi Primeira-Dama: Maria das Dores Formosinho Vieira Cabeçadas, um texto de Aurélio Nuno Cabrita, publicado na edição nº 71, de setembro de 2006.

Maria das Dores Formosinho Vieira Cabeçadas

Nasceu em Silves, a 6 de Janeiro de 1880, aquela que seria uma das Primeiras- Damas da “Ditadura Militar”, cargo que ocupou quase acidentalmente e por apenas 17 dias.

Filha de José Francisco Vieira e Maria Dolores Formosinho Vieira, uma família de classe média silvense, que acabaria por se fixar em Lisboa nos finais do século XIX, na sequência de problemas de saúde do patriarca.

Maria das Dores Cabeçadas em 1911

Na capital, Maria das Dores prossegue os estudos no Colégio de São José. Porém a morte prematura do pai e as consequentes dificuldades financeiras levam-na a trabalhar como professora de Lavores, no Liceu Maria Pia.

A 23 de Março de 1911 contrai matrimónio, na Igreja de Santa Isabel, em Lisboa, com José Mendes Cabeçadas Júnior, também ele algarvio, natural de Loulé. O esposo, por esta altura Capitão-tenente, tinha desempenhado um papel de destaque na Implantação da República a 5 de Outubro de 1910, então 2º tenente e comandante durante a revolução do cruzador Adamastor.

Maria das Dores acompanhará o marido em todas as vicissitudes e num profundo afecto, como refere Sílvia Espírito Santo na obra “As Primeiras-Damas” do Museu da Presidência da República.

Do enlace nascerão quatro filhas, Maria Vieira Cabeçadas em 1913, Maria Dolores, em 1914, Maria da Graça, em 1915 e Raquel Vieira Cabeçadas em 1919. A última virá a falecer precocemente vítima de tuberculose aos 16 anos de idade.

Deputado várias vezes pelo círculo de Silves, Mendes Cabeçadas ocupará ainda, por duas vezes, o cargo de Governador Civil de Faro, em finais de 1917, e de novo em finais de 1923.

Na sequência do pronunciamento militar ocorrido a 28 de Maio de 1926, o Presidente da República, Bernardino Machado, nomeia-o, a 30 de Maio daquele ano, Presidente do Ministério, ministro da Marinha e Interino das restantes pastas. Face ao encerramento da Assembleia Nacional e Senado, Bernardino Machado demite-se um dia depois, transmitindo também a Mendes Cabeçadas as suas funções constitucionais. José Mendes Cabeçadas acumula então as funções de Presidente do Ministério e Chefe de Estado, cargos que manterá até 17 de Junho de 1926, altura em que é deposto pelo “contra-golpe” liderado por Costa Gomes.

A atitude oposicionista que tomará mais tarde relativamente ao Estado Novo e a Salazar tornam José Mendes Cabeçadas pessoa não grata ao novo regime, trazendo ao casal um permanente sobressalto.

A participação do ex-Presidente da República no golpe de estado fracassado, a 10 de Maio de 1947, organizado pela Junta Militar de Libertação, leva-o à prisão e à reforma compulsiva.

Maria das Dores enfrentará de novo um período de dificuldades. Contudo, e apesar do vexame social e da sua saúde débil, não deixará de visitar o marido diariamente na prisão. Todavia a saúde da antiga Primeira-Dama virá a deteriorar-se, vindo a falecer aos 69 anos de idade, a 22 de Dezembro de 1949, sobrevivendo-lhe o marido por mais dezasseis anos.

Maria das Dores Formosinho Vieira, não chegou a ocupar o Palácio de Belém mas é até hoje a única silvense (natural da freguesia de Silves) que desempenhou o cargo de Primeira-Dama, embora por apenas 17 dias.

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PorAurélio Cabrita
Natural de S. Bartolomeu de Messines, nasceu em 1978. Licenciado em Engenharia do Ambiente, é mestrando em História do Algarve e técnico superior no Município de Odemira. Tem publicados diversos artigos e livros sobre a história local e regional. É também colaborador no jornal on-line Sul Informação.
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