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Reading: Centenário da Escola Secundária de Silves- Breve resumo histórico
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Centenário da Escola Secundária de Silves- Breve resumo histórico

Terra Ruiva
Última Atualização: 2019/Out/Seg
Terra Ruiva
7 anos atrás
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Em Silves, no edifício da Câmara, esteve patente, no mês de setembro, a Exposição do Arquivo Municipal com o tema “Centenário da Escola Industrial e Comercial, atual Secundária de Silves.”.
Como habitualmente, o Terra Ruiva publica um resumo do texto relativo a esta exposição do Arquivo Municipal de Silves. A versão integral, com o texto e as imagens, está disponível aqui:Expo_DM_setembro_2019
Em outubro e novembro, a exposição nos Paços do Concelho tem como tema “A Escola Industrial e Comercial, atual Secundária de Silves, Cem anos em recortes de jornais”.

Centenário da Escola Industrial e Comercial, atual Secundária de Silves.
Breve resumo histórico

A Escola Industrial e Comercial de Silves constituiu um marco importante para o desenvolvimento cultural da cidade, do concelho de Silves e do barlavento algarvio. Para a sua criação foi determinante o esforço desenvolvido pela Câmara Municipal de Silves, que, em 1916, representou ao Ministério da Instrução para ser criada uma escola de ensino comercial e industrial. Para tal reforçou o seu Orçamento e prontificou-se a auxiliar o Estado com a disponibilização de instalações para o seu funcionamento, material, expediente e pessoal menor.

Não havendo qualquer estabelecimento oficial para o ensino técnico-profissional no barlavento algarvio, alguns vultos da alta esfera silvense, como Henrique Martins, Samora Barros, Francisco Vieira e Maurício Monteiro alvitraram o projeto de criação de uma Escola Técnica na cidade. Para esta missão contaram com o apoio dos deputados Tenente Coronel José Estêvão Águas e Capitão F. J. Velhinho Correia.
Um dos propósitos determinantes para a sua criação deve-se ao facto da Escola beneficiar não só a população de Silves e o seu concelho, com 33 mil habitantes, como também os concelhos limítrofes de Albufeira, Lagoa, Portimão e Monchique, num total de 85 mil habitantes, cobrindo “toda uma zona central da região do Algarve sem a mínima instrução profissional”, e dos cursos a lecionar serem nos moldes “d’uma escola elementar de Comercio e Industria, com três anos de curso”.

Na sessão plenária da Câmara Municipal, 2 de janeiro de 1917, foi apresentada a proposta para a “creação da escola Industrial em Silves” e a 8 do mesmo mês foi aprovado pela Comissão Executiva da Câmara de Silves, sob a presidência de José Gabriel Pinto, uma exposição a ser presente ao Ministro de Instrução. Esta foi entregue por Henrique Martins, acompanhado dos deputados Adelino Furtado, João de Deus Ramos e António Portugal.
Para a instalação da escola inicialmente foram propostos alguns espaços no novo edifício dos Paços do Concelho, tendo o engenheiro António Arroio se deslocado a Silves, a 16 de julho de 1917, a pedido do Ministro da Instrução, para inspecionar o edifício da Câmara Municipal.

Dois anos depois, a 11 de julho de 1919 foi apresentado na sessão da Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei para a criação da Escola de Comércio e Indústria de Silves, pelos deputados do círculo de Silves, F. J. Velhinho Correia, João Estêvão Águas e António Aboim Inglês, o qual foi aprovado no Parlamento.

A escola seria constituída por duas secções com três anos de ensino divididos:
1º Ano: Desenho Elementar, Língua Portuguesa, Língua Francesa, Aritmética e Geografia, Noções Gerais de Comércio, Escrituração e Cálculo Comercial;
2º Ano: Desenho Arquitetónico, Língua Portuguesa, Língua Francesa, Escrituração e Cálculo Comercial, Corografia, História Pátria e Geografia Geral;
3º Ano: Desenho Ornamental, Língua Francesa, Princípios de Física e Química, História Natural e Geografia Comercial, rudimentos de Economia e Legislação Comercial e Transportes, Escrituração e Cálculo Comercial.
Além dos cursos indicados poderia haver secções especiais de aplicação aos lavores, carpintaria, marcenaria e serralharia, necessitando ter um cunho industrial, dadas as tendências artísticas e industriais da região.

A 23 de setembro de 1919 é decretada, pela Lei n.º895, a criação da Escola Elementar de Comércio e Indústria de Silves “com as características próprias da região e com o aproveitamento dos meios adequados que para êsse fim a Câmara Municipal daquela cidade põe à disposição do Governo”.
Para patrono da Escola foi proposto o nome do poeta lírico e pedagogo João de Deus, natural de S. Bartolomeu de Messines e autor da célebre “Cartilha Maternal”.

Voz do Sul, nº 130, 21 de setembro de 1919

A 14 de janeiro de 1920, é aprovado o Regulamento da Escola que define, a sua denominação enquanto “Escola Elementar de Comércio e Indústria de João de Deus”, constituída por duas secções que são administrativa e pedagogicamente independentes, visando o fomento do ensino técnico como alternativa ao ensino liceal, tendo em vista formar profissionais em diversas áreas, preparando-os para enfrentar o mundo do trabalho.

A 11 de julho, na edição n.º154 do jornal «Voz do Sul» saiu a notícia que o Diretor da Escola Comercial de Faro, Lyster Franco, ficou encarregado da instalação da Escola de Silves e “o predio destinado para a Escola foi cedido á Camara de Silves pelo nosso ilustre amigo Sr. Dr. João Vitorino Mealha, dignissimo Secretario Geral do Governo Civil de Faro”, edifício sito na Rua Cândido dos Reis contornando com a Rua Latino Coelho.
Para diretor da Escola foi nomeado José Emílio Mendonça Vila Lobos, formado em Medicina, e como professor e diretor da Escola Elementar Industrial, José Ricardo Júdice Samora Barros.

Na sessão da Comissão Executiva da Câmara Municipal, realizada no dia 27 de setembro, resolveu a Comissão que as festas da inauguração “se realizassem no dia cinco d’Outubro, aproveitando assim a mesma festa para comemorar tam gloriosa data”.

Depois de tantos trabalhos encetados, a inauguração da Escola, a 5 de outubro de 1920, tinha de ser encarada como um motivo de júbilo para todos os silvenses que viam o engrandecimento da sua terra e com toda a pompa e circunstancia, com um programa de grande envergadura.

É de assinalar que por motivo da greve ferroviária que se fazia sentir por aqueles dias alguns dos convidados acabaram por faltar à cerimónia, como foi o caso do Diretor Geral do Ensino Comercial e Industrial, o Governador Civil de Faro – Rego Chaves e João de Deus Ramos.

Aquando da data de inauguração a escola já contava com 120 alunos, começando a funcionar com uma frequência de 154 alunos e com toda a regularidade exigida.
Como o edifício não possuía espaço suficiente para as oficinas, as aulas eram ministradas num armazém na Rua Latino Coelho e Rua Cruz de Portugal, cedido por Francisco Vieira, também professor da escola.

Em 4 de junho de 1925, foi alterado o nome para Escola Industrial e Comercial de João de Deus, sendo introduzido, para a população feminina, o ensino da costura e corte de roupas brancas e vestuário e do fabrico de rendas..
Ao final de sete anos de existência o edifício começou a apresentar condições de insuficiência, carecendo de obras de melhoramento a nível de infraestruturas, bem como devido ao crescente aumento de alunos matriculados. O Diretor da Escola, Vila Lobos, enviou ofício à Comissão Administrativa da Câmara a solicitar a cedência de novas instalações .

Todavia, só no ano letivo de 1930/31 a escola se transferiu para as novas instalações, no prédio onde hoje se encontra a Junta de Freguesia e demais dependências, funcionando aí até ao ano letivo de 1958/59.
Do edifício fazia parte um grande quintal que era utilizado para o recreio dos alunos, as oficinas de Serralharia e de Eletricidade foram instaladas em amplos armazéns situados junto à Rua Francisco Gomes Pablos, tal como o ginásio destinado às aulas de ginástica. No lado oposto situava-se a oficina de carpintaria e ao fundo, no lado sul, existia um muro que dava para a Rua Cruz da Palmeira.

Em 1934 o professor e escultor João José Gomes assumiu o cargo de diretor, função que exerceu até 1947.
Doze anos depois da sua instalação, o edifício começou a necessitar de obras para atender ao constante desenvolvimento da escola e ao crescente número de alunos.

Na reunião de Câmara, de 28 de fevereiro de 1942, sob a presidência de Afonso Lourenço Dias da Silva, atendendo ao facto da Câmara dispor de parcos recursos que não permitiam a realização de tais obras foi deliberado “a transferencia para o Estado do dominio e posse do edificio onde funciona a Escola” com a condição do Estado manter nele o funcionamento da referida escola para respeitar as disposições testamentarias de Francisco Gomes Pablos” .
Em 1947 foi nomeado o terceiro Diretor da Escola, Leonel Melo Furtado, que exerceu o cargo somente um ano, sendo indigitado em 1949, Luís Gordinho Moreira, que exerceu durante cinco anos.

Na reunião da Câmara Municipal de 14 de abril de 1947, sob a presidência de Salvador Gomes Vilarinho, a autarquia “deliberou solicitar oportunamente a construção em Silves de um novo edificio para a “Escola Industrial e Comercial João de Deus”, comprometendo-se a oferecer o terreno necessário”.

Na reunião camarária do dia 23 de novembro de 1951, presidida por Luís Gordinho Moreira, também diretor da escola, este dá conhecimento que “se estuda e antevê possibilidade de ser construido um edificio moderno destinado à escola”.

A Câmara “tomando no mais alto apreço a consecução de tão importante melhoramento que é uma das mais justas aspirações do municipes do Concelho de Silves e dos Concelhos limitrofes, cede gratuitamente o terreno que fôr necessário, do terreno que já possue proximo do Jardim Municipal e das escolas de ensino primário oficial, para implantação do edificio acima referido” .

O Ministério da Educação Nacional publicou, a 25 de Agosto de 1948, o Decreto que promulgou o Estatuto do Ensino Profissional Industrial e Comercial, provocando a reforma do ensino técnico-profissional. Data desta altura, a decisão inexplicável do Governo, de suprimir o nome do Patrono, passando a designar-se somente Escola Industrial e Comercial de Silves, sendo lecionados os seguintes cursos: o Ciclo preparatório (2 anos), os Cursos Complementares de Aprendizagem do Comércio e Eletricista (4 anos) e os Cursos de Formação Industrial de Serralheiro, de Carpinteiro-marceneiro e Costura e Bordados, com oficinas de rendeira (3 anos).

Na reunião da Câmara, realizado no dia 24 de outubro de 1952, o presidente Luís Gordinho Moreira, apresentou a proposta de criação do Curso Geral do Comércio “considerando que é antiga aspiração do concelho e de toda a zona de influencia da Escola”.
Por conseguinte foi criada uma Comissão representativa das entidades oficiais do concelho para a elaboração de uma representação para a criação deste curso. Esta representação foi apresentada ao Ministro da Educação Nacional, Fernando Andrade Pires de Lima, encabeçada pelo presidente e diretor da Escola, acompanhado pelo Governador Civil do distrito, Manuel da Sárrea Tavares Mascarenhas Gaivão.
Dois meses depois a Câmara recebe um ofício, da Direção Geral do Ensino Técnico Profissional, informando que “ foi autorizada a criação na Escola Industrial e Comercial de Silves do curso geral de comércio em substituição do curso de carpinteiro-marceneiro”.
Em 1955 é nomeado Diretor da Escola, José Correia, que exerceu até 1965, tendo acompanhado todo o processo da construção do novo edifício.

Na reunião camarária, de 22 de abril de 1955, foi presente o ofício da Junta de Construções para o Ensino Técnico e Secundário informando “que se encontram incluida no Plano de trabalhos daquela Junta a construção da Nova Escola Industrial e Comercial de Silves e que a area do terreno necessário computa-se entre quinte a vinte mil metros quadrados” .

Pela Junta de Construções para o Ensino Técnico e Secundário, a 11 de julho de 1956 realizou-se o “concurso público para a arrematação da empreitada de construção do edifício da Escola Industrial e Comercial de Silves, cuja base de licitação está fixada em 6.368.578$00” .
Na edição de 28 de julho de 1956, o jornal «Voz do Sul» dava grande destaque à consagração desta grande obra educativa, uma vez que com uma frequência escolar a caminhar para mais de 800 alunos e uma excelente média de aproveitamento, demonstrava a necessidade de construção de um estabelecimento de ensino dotado com modernas instalações e equipamento.

As obras de construção da vulgarmente conhecida por Escola Nova, erigida em terreno cedido para o efeito pela Câmara Municipal, ocupando uma área de terreno de 21.000 m2, possuindo 4.598 m2 de área coberta e 7.997 m2 de pavimento, começaram a 7 de novembro de 1956 e ficou concluída a 31 de março de 1959.

A 19 de julho de 1959 foram oficialmente inauguradas as novas instalações, no Largo da República, em frente ao jardim da cidade, no lugar onde anteriormente era instalada a esplanada-cinema de João José Duarte, pelos Ministro das Obras Públicas, Subsecretário de Estado da Educação Nacional, Diretor Geral do Ensino Técnico, Diretor Delegado da Junta de Construção para o Ensino Técnico, Governador Civil do Distrito, Bispo da Diocese e muitas outras individualidades que faziam parte da comitiva, bem como pelo Diretor da Escola Técnica e Presidente da Câmara, Lança Falcão. Que aproveitaram a vinda a Silves para inaugurar também a construção do Bairro Operário, de 20 moradias, da creche e da 2.ª fase das obras do Hospital e visitar Armação de Pêra.

Presidente Lança Falcão cumprimenta Baltazar Rebelo de Sousa, subsecretáio de Estado da Educação, na inauguração da Escola Industrial e Comercial de Silves

No ano de 1970, a Câmara, sob a presidência de Salvador Gomes Vilarinho, reconhecendo a natureza predominantemente agrícola do concelho solicitou ao Ministério da Educação Nacional a criação de uma Secção Agrícola. A Direção Geral do Ensino Técnico Profissional reconheceu que se justificava a criação da pretendida secção agrícola contudo a “organização desta Secção depende, porem, da obtenção, nas proximidades da cidade, de exploração agro-pecuária apropriada à realização das sessões de ensino” . A Câmara auscultou o Grémio da Lavoura de Silves, que se disponibilizou em colaborar. Todavia, pensamos que a pretensão não terá sido concretizada.

Com a Revolução de abril de 1974, foram criadas as Escolas Secundárias, concretizando-se novas diretrizes pedagógicas. Assim, a escola resultante da fusão de estabelecimentos de ensino técnico profissional, passou a ser identificada como Escola Secundária de Silves. A escola perdia assim a sua matriz identitária técnico-profissional, tornando-se uma instituição de vocação centrada no ensino secundário.

Construída com uma capacidade de mil alunos, em 1977, era frequentada por cerca de dois mil. Neste sentido, a Escola pediu a colaboração da Câmara para a ampliação do edifício com a “construção urgente de mais um pavilhão”. Face ao exposto a Câmara deliberou “oficiar à Direção Geral das Construções Escolares” solicitando comparticipação para a obra.

Já no século XXI, o edifício e recinto da escola, volvidos 50 anos de atividade, careciam de uma intervenção. Em 2010 tiveram início as obras de requalificação da Escola Secundária de Silves, a cargo da empresa pública Parque Escolar. Depois de vários percalços, a 10 de setembro de 2015, foi anunciada a conclusão das obras na Escola Secundária de Silves.

O Projeto, cujo custo rondou os 12 milhões de euros, contemplou um conjunto de quatro novos edifícios justapostos ao existente, assumindo uma nova entrada e respetiva portaria e sala polivalente. Após a requalificação, a capacidade da Escola é de cerca de trinta e nove turmas e cerca de oitocentos alunos.

A Escola, desde o início da sua atividade, representa uma instituição de enorme notoriedade e importância para a vida cultural e social da cidade de Silves, bem como de merecido prestígio ao formar gerações de alunos imbuídos de saberes e competências multidisciplinares. Todas as gerações de alunos que a frequentaram orgulham-se e se reveem nesta escola ao longo de toda a vida.

 

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