“Um minuto para nós” é um projeto inovador e humano que ganha destaque ao aproximar a comunidade das pessoas com doença mental, por meio de pequenas atividades colaborativas.
A iniciativa, desenvolvida pela equipa da Unidade Sócio Ocupacional (USO) e Equipa de Apoio Domiciliário (EAD) da Casa do Povo de São Bartolomeu de Messines tem como principal objetivo estimular a convivência, o diálogo e a valorização mútua, reforçando a importância da inclusão social.
Enquanto condição de saúde, a doença mental afeta o pensamento, as emoções e o comportamento, podendo interferir significativamente na vida social, profissional e familiar. Apesar de ser mais comum do que muitas vezes se imagina, as doenças mentais, de uma forma generalizada, continuam envoltas em estigma e desinformação. Muitas pessoas que vivem com estas condições enfrentam não apenas os desafios clínicos, mas também o isolamento, o preconceito e a exclusão social. É neste contexto que projetos como este assumem um papel essencial na promoção da compreensão e da proximidade.
A expectativa é que estes encontros reforcem os laços criados e contribuam para uma comunidade mais informada, empática e inclusiva. A dinâmica é simples, mas carregada de significado: as pessoas da comunidade foram convidadas a escolher uma carta, sem identificação, contendo uma atividade para ser realizada em dupla com um dos utentes da USO ou EAD. As atividades, pensadas para serem acessíveis, simbólicas e promotoras de interação, proporcionam momentos de partilha, cooperação e descoberta. Muitas pessoas aderiram e as atividades têm decorrido com grande envolvimento e sensibilidade, demonstrando que a interação direta é uma das formas mais eficazes de combater estigmas associados à doença mental.
“Um minuto para nós” é, na verdade, muito mais que um tempo marcado no relógio, é a prova de que o tempo que dedicamos aos outros, é das coisas mais valiosas que podemos dar. As atividades, propostas em cada carta, revelaram-se tão variadas quanto enriquecedoras, demonstrando que a inclusão pode assumir muitas formas, desde um simples momento partilhado num café até à criação conjunta de obras artísticas como a pintura a quatro mãos ou a criação de peças abstratas.
Quando, por diversos motivos, estas atividades não podem acontecer presencialmente, são encontradas formas de as realizar à distância, por correspondência surgiram trocas simbólicas e afetivas, valorizando a interação possível mesmo quando a presença física não era possível.
Em cada uma destas tarefas, simples, acessíveis e profundamente humanas, refletiu-se o propósito essencial do projeto: criar oportunidades reais para que comunidade e utentes se encontrem, se reconheçam e partilhem experiências significativas, que seja possível perceberem que a doença mental não é o cartão de identidade de ninguém.
O sucesso destas atividades reforça a importância de iniciativas que aproximam pessoas e quebram preconceitos através da convivência genuína.
Texto e Foto: USO e EAD


