O Aldeamento Turístico Quinta do Pateiro – “Silves Hills” que está previsto nascer na serra da freguesia de Silves foi reformulado para responder a “preocupações ambientais”, segundo os seus promotores.
A segunda versão do projeto está em consulta pública no período de 30 de dezembro de 2025 a 13 de janeiro de 2026, no portal Participa.pt .
Este empreendimento turístico será desenvolvido numa área aproximada de 190 mil metros quadrados, a cerca de 1,3km da cidade de Silves, perto do Falacho. Está integrado numa propriedade definida pela Câmara Municipal de Silves, desde agosto de 1999, como um dos Núcleos de Desenvolvimento Turístico (NDT) da Área de Aptidão Turística nº 2 (AAT2), com uma dotação de 600 camas.
O aldeamento, com classificação de 5 estrelas, será constituído por unidades de alojamento unifamiliares, espaços de lazer, serviços e equipamentos, como um Club House, um parque infantil, uma escola de equitação e um picadeiro. Terá equipamentos desportivos, com restaurante e piscina coletiva, além de uma zona comercial com estabelecimentos de serviços e comércio.
O empreendimento tem como entidade promotora a Confidential Sphere– Investimento Imobiliário e representa um investimento de cerca de 95 milhões de euros, “constituindo um dos maiores investimentos privados no concelho de Silves nas últimas décadas”. Durante a fase inicial irá gerar 34 postos de trabalho diretos que se prevê atingirem os 150 em pleno funcionamento.
Os promotores apresentam o empreendimento “Silves Hills” como um “projeto diferenciador, disruptivo, tendo como principal objetivo dar a conhecer o Algarve mais rural, menos centrado no produto sol e praia e mais na beleza do barrocal algarvio e na sua riqueza e identidade cultural, da gastronomia e vinho, do artesanato e da atividade física na natureza”
Reformulação do projeto
A reformulação do projeto surge na sequência da suspensão do procedimento pela Autoridade de Avaliação do Impacte Ambiental (CCDR Algarve) e pelo ICNF, no âmbito da Comissão de Avaliação, após o processo de Consulta Pública realizada em abril de 2025.
Esse processo determinou “a necessidade de modificação do projeto para evitar ou reduzir efeitos significativos no ambiente”, particularmente “em matéria de biodiversidade e conservação da natureza, assim como a necessidade de prever medidas adicionais de minimização ou compensação ambiental”
Assim, a reformulação inclui “um vasto conjunto de medidas de melhoria da biodiversidade na própria quinta, (68 hectares) pensados para a fauna e a flora e na captura e armazenamento de carbono”.
Entre as medidas anunciadas destacam-se: um projeto de arranjos exteriores que inclui apenas espécies locais autóctones e promove o restauro dos habitats presentes; um ecoresort que valoriza a energia renovável, o uso eficiente da água, a gestão cuidada dos resíduos a escolha de alimentos e produtos locais, sazonais e orgânicos; um conceito de quinta dark sky que determina o impacte mínimo da iluminação artificial no ambiente; e ainda uma compensação superior ao exigido das áreas de sobreiros e azinheiras afetadas.
Está também prevista uma redução no número de casas (6) sendo que algumas das que foram retiradas eram aquelas que obrigavam a um maior movimento de terras.
No domínio da conservação da natureza são feitas algumas novas propostas como a construção de uma plataforma artificial para nidificação de águia de Bonelli; manutenção/criação de manchas de vegetação para abrigo das espécies de fauna existentes e preservação de habitats; realização de sementeiras para a fauna (fomento de coelho-bravo e perdiz vermelha); instalação de pontos de água (fomento de coelho-bravo e perdiz-vermelha) e construção de parque de reprodução de coelho-bravo.
Os promotores propõem a Exclusão da Zona de Caça Municipal, anunciam que irão apresentar “o pedido do Direito a Não Caça” e pretendem “protocolar com a Associação Aldeia a implementação do projeto Alojamento Local para Aves (instalação de ninhos para diferentes espécies de aves) e protocolar com apicultores locais a instalação de um apiário para fomentar a polinização e biodiversidade”.
Prevê-se também a instalação de um trilho/percurso pedestre com a colocação de painéis informativos e criação de observatórios educativos para observação da fauna, flora e da paisagem.
O loteamento afeta áreas onde existem sobreiros e azinheiras. Aqui, a reformulação consiste em “identificar com rigor as áreas e espécies afetadas e propor, de acordo com as regras definidas pelo ICNF a forma de compensar a perda provocada.” As obrigações de compensação previstas exigem a constituição de novas áreas ou beneficiação de povoamentos existentes, preferencialmente em prédios do proponente, com área nunca inferior à área afetada.
A entidade promotora realça que o projeto promove a atividade económica com um ciclo operacional anual mais longo e reforça o tecido económico local, através da procura sustentada de serviços e cadeias de abastecimento locais. “Estes efeitos são particularmente relevantes num contexto municipal onde a estabilidade do emprego a longo prazo e a atividade económica durante todo o ano continuam a ser objetivos estratégicos”.
E adianta que “o loteamento pretende criar condições para a concretização de um Plano de Pormenor que se encontra válido, publicado, e que na sua aprovação mereceu pareceres positivos da generalidade das entidades que agora se debruçam sobre a apreciação do presente EIA.”



