No início do mês de outubro de 2024, várias praias do Algarve, incluindo a praia de Armação de Pêra, ficaram literalmente cobertas por algas castanhas, de origem asiática, numa quantidade nunca vista. Um fenómeno que se repetiu cerca de um mês depois, embora com menor dimensão.
A invasão das algas exóticas, invasoras, mereceu agora a atenção do Governo que acaba de anunciar a aprovação de uma estratégia nacional contra as algas invaoras que nos últimos anos têm alastrado na costa portuguesa, em particular nas praias do Algarve.
A “Estratégia Nacional para a Gestão da Macroalga Invasora Rugulopteryx okamurae” foi apresentada num comunicado conjunto dos ministérios do Ambiente e Energia e da Agricultura e Mar.
“A macroalga exótica Rugulopteryx okamurae, originária do Pacífico, tem-se disseminado rapidamente pelas zonas costeiras, nomeadamente na região do Algarve e, mais recentemente, em áreas do litoral da Área Metropolitana de Lisboa, como Cascais. O seu comportamento invasor, marcado por elevada resiliência e capacidade de dispersão, gera impactos significativos na biodiversidade marinha, na atividade piscatória, nos usos balneares e na economia costeira local.
A persistência e expansão do fenómeno exige uma resposta estratégica e articulada entre os diferentes níveis de governação — central, regional e local — com base numa abordagem técnica, científica e territorialmente adaptada.
Posto isto, importa estabelecer uma resposta eficaz, integrada e sustentável à presença da macroalga Rugulopteryx okamurae em território nacional, promovendo a proteção dos ecossistemas costeiros, a resiliência das comunidades locais e a valorização sustentável da biomassa recolhida.
A Estratégia Nacional para a Gestão da Macroalga Invasora Rugulopteryx okamurae vem delinear as linhas de ação e os objetivos a alcançar na resposta à presença desta macroalga, bem como a criação de um grupo de trabalho para o acompanhamento, análise e concretização desta estratégia”.
Segundo a referida estratégia será implementado um plano de ação a curto e médio prazo, com mecanismos de monitorização contínua, revisão anual e envolvimento direto das comunidades locais.
Entre as medidas previstas estão a remoção da alga em zonas críticas, o estudo da sua valorização para fins industriais ou agrícolas, a mobilização de equipas regionais de resposta rápida e a criação de uma base de dados nacional com registo georreferenciado da evolução da espécie.
O plano de ação vai ser desenvolvido por um grupo de trabalho interinstitucional, coordenado pela Agência Portuguesa do Ambiente, com a participação de entidades científicas, autárquicas e do sector do mar.
Recomenda-se a ativação imediata desta estratégia, em especial no Algarve e na faixa costeira entre Oeiras e Sesimbra.






