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Reading: 25 anos do Terra Ruiva – Os que recordamos II
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25 anos do Terra Ruiva – Os que recordamos II

Rocha de Sousa
Última Atualização: 2025/Mai/Seg
Rocha de Sousa
1 ano atrás
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Na comemoração dos 25º aniversário, o jornal Terra Ruiva presta tributo aos colaboradores que já nos deixaram. Em memória de João Rocha de Sousa.

João Rocha de Sousa

 

Do Regional ao Nacional e Global

Li, em concordância, as palavras de Paula Bravo, directora deste jornal, que reflectiam alguma perplexidade sobre um certo balanço entre o acesso a temas regionais e outros de cunho nacional ou global. É uma questão pertinente mas também é verdade que a imprensa das regiões (ou similar) não parece ter vocação para se comprimir, embora com lucidez, apenas sobre assuntos, os mais diversos, locais, individuais, de costas voltadas para o mundo inteiro. Na contemporaneidade, isso já não tem sentido ou não é mesmo possível.

Com os seus defeitos e as suas virtudes, os fenómenos colectivos da globalização envolvem grandes regiões do planeta — por razões da história e da cultura, de etnias e tradições, mas entretanto nas complexas vias de compra e venda de mercadorias ou engenhos, na constante relação de informações, noticiários de todo o lado que a tecnologia trouxe do outro lado do mundo ao recanto das nossas casas.
Isto não exclui a atenção para os problemas estritamente locais. Problemas que, muitas vezes, por defeitos de personalidades individualistas, são bloqueados na discussão, no tratamento judicial, em longos processos de valoração e decisão.
A verdade é que, na antiguidade, sobretudo na parte norte do nosso país, as aldeias comunitárias partilhavam os seus bens e as suas decisões. O gado era levado às pastagens e tratado em regime de rotação por vários pastores. Os géneros cultivados e trabalhados de forma idêntica, havendo um grupo de anciãos que, nos tempos combinados, reuniam a população trabalhadora, faziam o balanço das tarefas conseguidas e da sua evolução (em consenso com interesses comuns de outras aldeias) a fim de entregas a organismos de compra e distribuição, vigilante na região, trabalhando com todos a resposta às necessidades, avaliação dos produtos, gestão dos ganhos e de novos investimentos.

Esta é hoje uma questão fulcral a todos os níveis. Os jornais de Concelho ou Provinciais não podem, ou não devem, tendo em conta a integração dos seus concidadãos nas trocas e mobilidades dentro do país — ou mesmo a nossa relação internacional, alienar a relação entre nações. Há hoje, cada vez mais, necessidades técnicas e tecnológicas, sociais e políticas, que implicam o desenvolvimento das mais pequenas unidades de população com as grandes concentrações humanas. Se isso decorre melhor ou pior (a História vai analisando, bem como a sociologia e outras ciências) isso já é outra coisa.

Há uns anos atrás, uma mulher cristã, que trabalhava numa plantação n Paquistão, sentiu sede e foi a um poço próprio beber uma concha de água. Ali perto, duas mulheres muçulmanas protestaram pelo gesto, argumentando que o copo de um maometano não pode ser usado por um cristão. Queixando-se a um capataz qualquer, este simples gesto humano, partilhável, foi condenado e a mulher punida.
É um caso exemplar das distâncias entre as pessoas, mesmo na base de simples ideias quotidianas.
Podemos gostar mais ou menos do estilo de vida em Portimão (foco em paralelo com a população de Messines). Mas essa diferença na análise do gosto justificará desprezo ou desinteresse pelas actividades comerciais ou culturais desencadeados num local ou noutro?

 

João Rocha de Sousa 

Abril de 2016

 

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PorRocha de Sousa
Natural de Silves. Professor Universitário ( aposentado) pela Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa, onde foi docente. Membro da Academia Nacional de Belas Artes. Com larga atividade artística em vários campos, da pintura, ao cinema, do vídeo à literatura, Participou em dezenas de exposições, em séries de arte para a RTP, tem publicadas vários livros e é colaborador do Jornal de Letras.
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