Na presente edição, o mensário «Terra Ruiva» entra no 26º ano de publicação ininterrupta. Tivemos o ensejo de colaborar logo na edição de apresentação, com um pequeno texto alusivo à estação de caminhos de ferro de Messines-Alte e aos comboios: «Vamos ficar a vê-los passar».
Muitos outros se seguiram, mais ou menos de uma forma regular, escrevemos cerca de 220 artigos. Se a maioria se ocupou da História local, outros tiveram um caracter mais de opinião, todos com o objetivo da partilha de conhecimento, com vista à construção de um concelho mais dinâmico, próspero e atrativo.
Quando agora releio alguns textos publicados nos primeiros anos deste século, constato que estão tão atuais como então, nada se fez, ou pouco foi feito. Textos para memória futura, num quarto de século passado. Até sobre os comboios, é incompreensível que os messinenses continuem a ver passar o Alfa Pendular, sem dele poderem usufruir. A contradição é ainda maior quando o cais de embarque, pela sua extensão, ficou preparado, em 2004, para que aquele parasse nesta estação. Mas 21 anos depois, continua a fazer-nos adeus e a servir outras gares, sem condições para o efeito. O raio de ação da estação de Messines-Alte justifica aquele serviço comercial! Não temos qualquer dúvida que seria de sucesso, para todos, para a empresa Comboios de Portugal e para as freguesias vizinhas, mas o interior só serve para os políticos apregoarem nas suas campanhas eleitorais, não para agirem no sentido da melhoria das condições de quem nele reside, e se dúvidas houvesse, aqui temos um bom exemplo.
Quanto ao tema da História, podermos aprender com aqueles que nos antecederam, que viveram neste mesmo território, com as vantagens e desvantagens que o caracteriza, é algo que acredito que não devemos prescindir. Afinal, tal como nós, tentaram tirar o melhor partido dele, pelo que a nossa história pode ser a «semente» para a prosperidade do concelho e da região. Além de que ela não é mais que a nossa própria identidade.
Por todas estas razões e pela multidisciplinariedade de temas e assuntos que um jornal aborda, ele é primordial e uma mais valia em qualquer comunidade. Quanto ao «Terra Ruiva» cumpre a sua função de informar, levantar questões, fazer atualidade de temas esquecidos, convidar à reflexão, noticiar o dia a dia e em simultâneo fazer a história de Silves e do seu concelho a cada mês, a cada ano, levando-a aos quatro cantos do mundo.
É impossível olhar para os últimos 25 anos no concelho sem ler o «Terra Ruiva», seja para «descobrir» a data de uma inauguração ou acontecimento, ou uma tragédia, como o tornado em novembro de 2012, ou qualquer curiosidade há muito passada. Ele será sempre uma fonte de informação primordial e obrigatória, para as gerações atuais e futuras.
A publicidade também revela o pulsar económico das empresas locais e do concelho ao longo dos anos, também para isso um jornal é importante. É certo, que há muito o «Terra Ruiva» perdeu o seu cunho reivindicativo, que o caracterizou nos primeiros anos, e é pena, quiçá a rebeldia de um jovem, colocando em causa verdades que se queriam absolutas, e incomodando o poder local. Ao longo deste quarto de século, adaptou-se aos novos tempos, da internet e das redes sociais, mas não esqueceu a edição em papel, chegando a todas as faixas populacionais, jovens e menos jovens. O jornal «Voz do Sul», com o início de publicação em 1916, é, até hoje o periódico que atingiu maior longevidade no concelho, tendo suspendido a sua publicação em 1968, ainda que nos derradeiros dois anos tenha publicado somente dois números, foram pois 50 anos de publicação regular. O «Terra Ruiva» segue no seu encalço, sendo hoje no concelho, o segundo em termos de longevidade de publicação, faltam-lhe outros 25 anos…
Antes de terminar, seria injusto não lembrarmos aqui, muitos que nos felicitaram e incentivaram a continuar, alguns dos quais conseguimos trazer a estas páginas e que partilharam connosco o seu saber, mas também outros que nos criticaram. Uma palavra de agradecimento a todos e principalmente à memória daqueles quejá não se encontram entre nós, afinal 25 anos não são dois dias.
Parabéns e longa vida ao «Terra Ruiva»!


