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Ambiente & CiênciaSociedade

Conferência debateu problema de algas invasoras, “fenómeno complexo, ainda sem respostas”

Terra Ruiva
Última Atualização: 2024/Dez/Seg
Terra Ruiva
2 anos atrás
(Foto Câmara Municipal de Lagos)
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No passado dia 27 de novembro, o auditório dos Paços do Concelho Século XXI, em Lagos, foi palco da conferência “Algas Invasoras: Desafio para Praias mais Limpas”, organizada pela Associação Limpeza Urbana – Parceria para Cidades + Inteligentes e Sustentáveis (ALU), com o apoio do município lacobrigense.

Permitiu concluir que é necessário existir mais cooperação entre autarquias, maior envolvimento da comunidade científica, valorização económica das algas recolhidas e a criação de um fundo de apoio governamental para os municípios afetados.

Detetada pela primeira vez em Portugal continental em 2021, na praia Dona Ana, em Lagos, a espécie Rugulopterixokamuraetem origem na costa asiática, nomeadamente no Japão e na Coreia do Sul. Cresce nas rochas e, geralmente, aparece quando a água atinge temperaturas altas e quando as marés estão agitadas, o que faz com que as algas se soltem e se acumulem nas praias.

Algas em Armação de Pêra a 27 de outubro – Foto de Lin Da

Esta problemática tem piorado ano após ano, tendo consequências diretas na qualidade ambiental, no turismo, na economia local e no bem-estar da população das cidades costeiras, especialmente no barlavento algarvio. Desta forma, a ALU decidiu reunir autarquias, academia e especialistas do setor ambiental para promover o debate sobre as melhores abordagens e soluções para gerir o processo complexo de recolha, tratamento e gestão sustentável desta espécie invasora, assim como para a limpeza das praias afetadas.

Hugo Pereira, presidente da Câmara Municipal de Lagos, e Luís Almeida Capão, presidente da Direção da ALU, deram início à conferência, que incluiu intervenções de uma perspetiva mais científica de Rui Santos, do Centro de Ciências do Mar da Universidade do Algarve, e de Conceição Gago, da Agência Portuguesa do Ambiente.

(Foto Câmara Municipal de Lagos)

Traçando um perfil dos seus benefícios, perigos e comportamentos, Rui Santos defende que “através de investimento, a comunidade científica pode cooperar com investigação, mapeamento e previsão, permitindo uma intervenção com a devida antecedência. Além disso, é imprescindível que exista uma maior valorização económica deste recurso, através de biorrefinarias que possibilitem a reutilização do mesmo, por exemplo para rações, fertilizantes e fibras para a indústria têxtil.”

Conceição Gago, por sua vez, garante que “a presença desta espécie exótica com grande capacidade de dispersão e colonização não afeta a qualidade da água balnear, sendo ainda necessária regulamentação (ICNF e DGRM) relativamente às soluções para resolver o problema.”

Através de videochamada, diretamente de Espanha, Francisco Cerdan, delegado de turismo e praias da Costa del Occidental, região também afetada, partilhou a sua experiência, destacando a importância da cooperação intermunicipal e da necessidade de ter em consideração que a alga é um resíduo muito distinto do doméstico.

Numa perspetiva mais prática, foram apresentadas iniciativas inovadoras de empresas associadas à ALU, como a Almovi e a Certoma, que permitem gerar o menor impacto possível na remoção das toneladas de algas dos areais. No seguimento, Easy Harvest, uma startup nacional que desenvolveu uma tecnologia inovadora para recolher as algas invasoras da água e transformá-las num recurso, anunciou que já se encontra a intervir em Lagos, através de aspiração em pleno mar, que permite antecipar a chegada da espécie e a sua acumulação nas praias. Com a colaboração de pescadores locais, estão a ser retiradas 20 a 30 toneladas em seis horas.

Luís Bandarra, Vereador com o pelouro do Ambiente da Câmara Municipal de Lagos, revelou que, no espaço de quatro anos, a autarquia já investiu cerca de 348 mil euros na remoção das macroalgas das praias do concelho, nomeadamente na Batata, Dona Ana, Luz e Meia Praia. Trata-se de encargos financeiros inesperados que obrigam a constantes revisões orçamentais e a uma constante preocupação do impacto económico e turístico. Terminando numa nota mais positiva, afirmou que as seis mil toneladas recolhidas já foram entregues a agricultores das regiões do Vale da Lama e Sargaçal, contribuindo para um maior desenvolvimento da produção local.

A conferência culminou na realização de uma mesa-redonda que contou com a participação de Luís Bandarra, vereador da Câmara Municipal de Lagos, Mário Guerreiro, vereador da Câmara Municipal de Lagoa, e Demétrio Henriques, diretor operacional da Cascais Ambiente, e com a moderação de David Carvalho, jornalista do Jornal do Algarve. O debate incidiu na forma como cada município está a lidar com o impacto da presença destas algas nas praias e na apresentação de soluções a curto, médio e longo prazo, tendo em mente que é possível tornar este problema numa oportunidade.

“Nesta conferência, ficou muito evidente que as algas invasoras representam um fenómeno complexo, ainda sem soluções definitivas, que está a causar muitos transtornos aos municípios afetados. Estas cidades estão a suportar sozinhas os custos elevados de limpeza das praias e veem a sua economia e a qualidade ambiental ameaçadas. O caminho para encontrar uma resposta integrada e colaborativa a este desafio começou aqui, com este debate, e a Associação Limpeza Urbana está empenhada em dar continuidade a esta discussão até serem encontradas soluções ambientais económicas e preventivas que não impactem a qualidade de vida da comunidade costeira, nem ameacem o turismo, quer na atração de visitantes, quer na proteção do tecido empresarial nacional”, afirmou Luís Almeida Capão, presidente da Direção da ALU.

Fonte: ALU

 

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