O Instituto Nacional de Estatística (INE) apresentou recentemente as Estatísticas Agrícolas 2023.
Entre os vários pontos em destaque na publicação, refere-se que “os citrinos, apesar do aumento de área verificada entre 2021 e 2023 (+ 5,41)%, passando a totalizar 22 853 hectares, apresentaram na campanha 2022/23 uma quebra significativa das produções, com exceção do limão, explicada pela boa produção do ano anterior e pela seca severa, em particular na região do Algarve, onde houve restrições na utilização de água para rega. Nas variedades de laranja tardias, o decréscimo foi da ordem dos 50%, contribuindo decisivamente para a diminuição global de 26% na produção.”
No que se refere ao Algarve, o INE destaca ainda “pela negativa”, o nível das disponibilidades hídricas da albufeira da Bravura, “com níveis de armazenamento abaixo dos 10%, situação que impediu a sua utilização na vertente agrícola na campanha de regadio de 2023, e com menos severidade a albufeira do Arade, ambas situadas na bacia hidrográfica das Ribeiras do Algarve, a Barlavento.”
Mas o ano agrícola 2022/2023 foi afetado, em todo o território de Portugal Continental, pelas altas temperaturas, uma vez que foi “o mais quente desde que há registos sistemáticos (ano agrícola 1931/1932).”
“O ano agrícola registou uma precipitação total de 947,8mm (superior em 103,5mm à normal 1981-2010), classificando-se como chuvoso. No entanto, a primavera de 2023 foi a segunda mais seca desde 1931 (atrás da primavera de 2009, com 96,3mm) e a mais quente deste século.”
A nível nacional, a área total de culturas permanentes a nível aumentou 2,24%, comparativamente a 2021, atingindo os 761 932 hectares, tendo a produção total nesse período diminuído 16,32%, para 2 258 318 toneladas.
A campanha dos cereais para grão de outono/inverno 2022/23 foi muito marcada pela seca severa da primavera, sendo a pior de sempre para todas as espécies cerealíferas.
A produção de vinho aumentou, atingindo os 7,4 milhões de hectolitros, o resultado mais elevado desde 2001.
A produção de azeite ultrapassou os 1,75 milhões de hectolitros (160,8 mil toneladas), o que corresponde à segunda campanha oleícola mais produtiva de sempre.
A produção total de carne situou-se nas 904 mil toneladas, refletindo um decréscimo de 1,1%, quando comparada com 2022.
Em 2023, o Rendimento da atividade agrícola, em termos reais, por unidade de trabalho ano (UTA), registou um acréscimo (+8,5%), em consequência do grande aumento do Valor Acrescentado Bruto (VAB), em termos nominais (+31,9%), e da forte redução dos Outros subsídios à produção (-46,1%). O acréscimo do VAB, em termos nominais, resultou de um crescimento da Produção do ramo agrícola (+16,7%) superior ao do Consumo intermédio (CI) (+9,7%).
Pode aceder aqui ao destaque do INE.






