Junho começa com o “Dia da Criança”. Talvez este dia nos remeta para memórias da nossa própria infância, o que foi importante, o que mais nos marcou, de forma positiva ou negativa, o que nos ajudou a crescer. Talvez nos remeta para a forma como estamos a ser pais. Que memórias estamos a construir com as nossas crianças? Que mais tem marcado a vida dos nossos filhos? Como se vão lembrar de nós? De que forma os estamos a ajudar a crescer? O quanto contribuímos para a pessoa em que se estão a tornar? Quais têm sido os maiores desafios nesta missão que é ser PAI/MÃE.
Ser mãe ou pai é a melhor e mais desafiante tarefa do mundo, interferindo na forma como vivemos as restantes esferas da nossa vida. Por um lado, dá um sentido de propósito e significado à nossa vida, traz-nos satisfação, gratificação e sentimentos de realização e bem-estar. Por outro, as responsabilidades e exigências de educar crianças/jovens saudáveis e com bem-estar, também podem desafiar os nossos limites, gerar stresse e sentimentos de sobrecarga.
A parentalidade vai-se desenvolvendo e transformando conforme as necessidades, características e desejos dos filhos/as e das mães/pais. Para além disso, numa sociedade em que a informação está à distância de um click, somos bombardeados com conselhos e informação sobre práticas e estratégias de parentalidade a toda a hora, o que pode gerar alguma dificuldade na escolha das melhores estratégias. A expectativa e a pressão sobre os pais e as mães são enormes, numa sociedade com novas exigência e formas de estar na relação. É preciso sentir e conhecer os nossos filhos/as, para em conexão com eles ver o que faz mais sentido. Não há receitas, apenas orientações.
A parentalidade envolve assegurar a saúde e a segurança dos nossos filhos e filhas. Amar, cuidar, aceitar, encorajar e orientar, são as palavras-chave. E ainda transmitir valores sociais e culturais, ajudar a desenvolver competências e recursos, de modo a torná-los crianças, jovens e depois adultos competentes e capazes de atingirem os seus objetivos. O Lar e os cuidadores devem oferecer às crianças um contexto de proteção e cuidado onde se possam desenvolver física, cognitiva, emocional e socialmente de forma de forma positiva.
Os laços afetivos de vinculação segura entre os pais/mães e os filhos/as permitem-lhes estabelecer relações saudáveis com os outros e com o ambiente em que vivem. Quando a relação entre pais/mães e filhos/as é acolhedora, aberta, transmite confiança e deve incluir o estabelecimento de limites adequados, regras e razões para os comportamentos esperados. As crianças e jovens revelam maior segurança, auto estima, saúde psicológica, maior capacidade para estabelecerem relações positivas com os outros e melhor desempenho escolar. Pelo contrário, cuidados parentais desadequados aumentam o risco de problemas físicos (por exemplo, obesidade ou problemas cardíacos) e psicológicos (por exemplo agressividade, ansiedade ou problemas de comportamento) com consequências diversas, entre as quais maior risco de insucesso e abandono escolar precoce.
A parentalidade – laços afetivos, bem como os conhecimentos, as atitudes e os comportamentos das mães e dos pais – é influenciada por vários fatores, entre os quais, as experiências com os respetivos pais e mães (incluindo as da sua infância), as suas circunstâncias (por exemplo, fontes de stresse provenientes da situação laboral), as características da própria criança/jovem (temperamento), as expectativas e práticas que os pais e mães percecionaram e observam nos outros à sua volta (família, amigos, redes sociais)e as crenças pessoais e socioculturais. Mas também, o sentido de competência pessoal, a relação conjugal ou com o outro progenitor, a rede de apoio que têm, os serviços disponíveis (por exemplo, existência ou não de creches e outros apoios sociais e cuidados de saúde) e outras situações de desigualdade ou vulnerabilidade (por exemplo, discriminação, pobreza ou exclusão).
É preciso notar que, para além da diversidade dos conhecimentos, atitudes e práticas parentais, também existe uma diversidade de outras influências na vida das crianças e jovens. Embora as mães e os pais sejam centrais para o desenvolvimento saudável dos filhos/as, outros familiares, amigos, professores, pares ou instituições sociais, por exemplo, também influenciam e contribuem para o crescimento e desenvolvimento das crianças e jovens.
As crianças são de alguma forma como as borboletas. Necessitam do casulo, que é a barriga da mãe, para se desenvolverem até estarem prontas sair e, num primeiro esforço de sobrevivência, saírem e iniciarem o seu voo pela vida. Cuidar com amor, criando um ambiente tranquilo enquanto a criança está no “casulo” é fundamental para que as suas primeiras memórias (físicas/”o sentir”)construídas sejam positivas. Depois necessitamos de estar ao lado e deixar crescer, para que as asas se fortaleçam e lhe permitam fazer os voos que escolher. Estar ao lado é dar suporte, é demonstrar em cada gesto e cada palavra esse suporte e esse amor, dar-lhe a certeza que é amada, importante e suficiente por aquilo que ela é, acreditar e ajudá-la a desenvolver as suas capacidades.
A melhor prenda que em cada dia podemos dar aos nossos filhos, mais do que qualquer bem material, é o nosso tempo, e durante esse tempo, tenha ele a duração que tiver, verdadeiramente ESTAR PRESENTE!
Educação não transforma o mundo.
Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo. (Paulo Freire)
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*Fonte: Ser pai, Ser mãe –Os desafios da parentalidade (OPP)








