Como tinha sido anunciado, a Comissão Permanente de Prevenção, Monitorização e Acompanhamento dos Efeitos da Seca que ontem, dia 17 de janeiro, se reuniu em Faro, decidiu tomar uma série de medidas para poupar água e evitar que esta deixe de correr nas torneiras do Algarve, o que é uma possibilidade bem real se a situação não se alterar.
Na altura em que o Algarve atravessa a pior seca desde que há registos, a Comissão decidiu fazer cortes no abastecimento público, de 25% na agricultura, e de 15% no turismo e consumo doméstico.
Os cortes na agricultura são de momento os mais preocupantes, em especial para os produtores de citrinos que correm o risco de ver perdida a produção, caso não chova. Uma situação bastante grave que levou a ministra da Agricultura, na conferência de imprensa, a admitir auxílios financeiros a estes produtores, nomeadamente de Silves.
Uma preocupação bem patente no concelho de Silves, e que tem levado o presidente da Associação de Regantes de Silves, Lagoa e Portimão, João Garcia, a várias chamadas de atenção para os 1.800 agricultores que fazem parte desta associação e que, nos seus 2.600 hectares, têm praticamente só citrinos – 90% da área, segundo os dados divulgados.
Neste momento, trata-se, como tem sido dito, de assegurar a sobrevivência das árvores, com o mínimo de rega.
No caso do consumo doméstico, lembra-se que este verão, apesar de todos os apelos, consumiu-se ainda mais, pelo que é necessário continuar a insistir na necessidade de poupança. Haverá portanto a redução de caudais e a suspensão dos segundos contadores.
Também no turismo, além da redução de 15%, estão previstas medidas para promoção de eficiência hídrica dos empreendimentos turísticos e a rega dos campos de golfe é permitida apenas na medida necessária para a sua sobrevivência.
Nesta situação, também os municípios do Algarve são chamados a intervir diretamente, uma vez que cada município terá de poupar 15% do consumo que tem atualmente, e será penalizado financeiramente ou com redução dos volumes de água, caso não cumpra esta exigência.
Por outro lado, falou-se da necessidade dos municípios acelerarem o processo de redução de perdas de água, tanto mais que existem vários milhões de euros disponíveis para esse trabalho, através do Plano de Recuperação e Resiliência. Esta é aliás uma questão que tem sido bastante destacada pela Associação de Regantes do Sotavento, através do seu presidente, Macário Correia, que tem criticado os municípios pelas perdas verificadas nos seus sistemas de abastecimento, afirmando que os mesmos são os principais “gastadores” de água na região. Este dirigente tem também exigido que ao turismo sejam pedidos os mesmos sacrifícios que à agricultura, criticando as medidas desiguais para os dois sectores.
No total, são 46 medidas que apresentadas ontem, na generalidade, terão agora de ser aprovadas pelo Governo, para serem colocadas em prática dentro de duas ou três semanas. Para acompanhar a sua aplicação, foi criado um grupo de trabalho, com várias entidades regionais, e serão criados cinco grupos técnicos que monitorizarão a situação nas suas áreas específicas: agricultura, consumo doméstico, sensibilização e fiscalização.


