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PsicologiaVida

Quando parece já não haver outra saída

Helena Pinto
Última Atualização: 2023/Out/Ter
Helena Pinto
3 anos atrás
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Setembro vestiu-se de Amarelo e, desde 2015, este é um mês dedicado à prevenção do suicídio. Alertar, consciencializar, trazer sem tabus para a discussão, este tema que é atualmente uma séria questão de saúde pública. Ter consciência da importância da saúde mental não é um papel exclusivo dos profissionais de saúde, é um dever cívico. É fundamental que os contextos educacionais, de trabalho, familiares, sociais e de informação deixem de ignorar esta temática.

A cada ano, cerca de um milhão de pessoas cometem suicídio, de acordo com a Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio e com a Organização Mundial de Saúde, sendo uma das principais causas de morte entre os mais jovens. Em Portugal suicidam-se em média três pessoas por dia. No mundo, uma a cada 40 segundos. O suicídio e as tentativas de suicídio são sinais de grande sofrimento emocional e representam um desafio de Saúde Pública em todo o Mundo, com impactos nas pessoas, mas também nas suas famílias, na sua comunidade e na sociedade. Os motivos que levam alguém a pensar no suicídio, podem ser muitos e complexos. O suicídio não discrimina ninguém, pode afetar pessoas de todas as fachas etárias e condições socioeconómicas, em qualquer momento do seu ciclo de vida.

Mesmo quando as nossas vidas aparentam estar bem para quem olha de fora, fechado dentro de nós pode estar um mundo de sofrimento silencioso, levando alguns à decisão de acabar com a vida. Na sua maioria, as pessoas não querem perder a sua vida, contudo a angústia em que se encontram, não lhes permite encontrar outra solução para fugir ao sofrimento. Todas as ameaças devem ser encaradas com seriedade, muitos suicidas comunicam, previamente, a sua intenção. Devemos ter em atenção alguns sinais, como comportamentos que indicam desespero (acreditar que as coisas são terríveis e nunca vão melhorar); desamparo (acreditar que não há nada que possa ser feito); estar sem vida social e perda de interesse na vida.

Saberia o que fazer ou o que dizer se um familiar, um amigo, um colega, lhe dissesse que pensava em suicídio?

Falar ou fazer perguntas acerca de intenções ou pensamentos, não aumenta o risco de ninguém se suicidar, antes pelo contrário pode ajudar a pessoa a reduzir a sua ansiedade e a perceber que podem existir outros caminhos, e assim, dar mais uma oportunidade à vida.

Se desconfiar que essa ideia pode existir na cabeça da outra pessoa, confronte diretamente, dizendo por exemplo “Outras pessoas, em situações semelhantes, pensam em acabar com a vida. Isso já te passou pela cabeça?”. Cada um de nós pode contribuir para a prevenção, escutando e cuidando de si e do bem-estar de quem está próximo. Pequenos gestos podem mesmo fazer a diferença – e é fundamental estar atento. Estar atento aos comportamentos dos outros e aos nossos, ouvir atentamente, não desvalorizar as nossas emoções ou as de quem nos é próximo, é importante pedir e incentivar a pedir ajuda. Estar atento a quem possa, temporariamente, estar fraco de mais para cuidar de si mesmo.

Mais importante do que o que se possa dizer quando nos deparamos com alguém com ideação suicida, é o que escutamos. Escutar para entender. Não discuta, não censure, não diga que sabe o que o outro sente, porque provavelmente não sabe.

Só estar ao lado e verdadeiramente escutar, pode ser o ponto de viragem que a outra pessoa precisa.

A melhor forma de prevenção é reconhecer os sinais e saber como responder quando identificados. A prevenção do suicídio é uma missão de todos!

“A morte não é a maior perda da vida. A maior perda da vida é o que morre dentro de nós enquanto vivemos.”  – Picasso

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PorHelena Pinto
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Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta Formadora da Ordem dos Psicólogos Portugueses (Situação profissional dos Psicólogos; Ética e Deontologia, Intervenção em Situação de Emergência e catástrofe) e Membro do Conselho de Representantes da Ordem dos Psicólogos Portugueses. Consultora da área da Gestão de Carreira
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