Durante muito tempo, pensou-se que a cidade de Silves se desenvolvera apenas para a zona conhecida como o arrabalde oriental, na direção da Biblioteca Municipal, local onde se encontraram importantes vestígios arqueológicos.
Mas as obras de requalificação do Bairro do Progresso, perto do campo do Silves Futebol Clube, trouxeram com elas novas evidências…

No âmbito das comemorações das Jornadas Europeias da Arqueologia, no dia 17 de junho, a autarquia de Silves organizou um dia de visitas guiadas à escavação do Bairro do Progresso, conduzidas por arqueólogos da Câmara Municipal. No local, também uma exposição com fotos dos trabalhos das escavações e alguns artefatos, como cerâmicas e um tambor, e vestígios mais recentes da metalurgia que ali existiu.
Tudo para demonstrar que o que se pensava sobre a cidade de Silves terá de ser revisto.
Como se sabe, por volta do século XI, a cidade de Silves começou a expandir-se para além da zona principal, a alcáçova, e das muralhas principais, construindo-se não só casas mas também locais para exercício de atividades artesanais. A cidade começou a descer, na direção do rio, para a zona da Biblioteca Municipal, formando o arrabalde oriental.
A direção oposta, o arrabalde ocidental, seria uma zona escassamente ocupada, o que se poderia dever à existência de uma grande necrópole, cuja existência foi confirmada pelos vestígios encontrados na Rua 25 de Abril e perto dos Correios de Silves. A referida necrópole, pensava-se, teria constituído uma “espécie de tampão ao desenvolvimento da cidade nesta direção”.

No contexto desta noção da cidade, quando a Câmara Municipal de Silves iniciou os trabalhos de requalificação do Bairro do Progresso, foi apenas por precaução que destacou uma equipa da autarquia para acompanhar os trabalhos de abertura de valas. “Era para ser um trabalho simples, apenas de acompanhamento”, explica-nos Maria José Gonçalves, responsável pela secção de Património da Câmara de Silves.
No entanto, a realidade encontrada foi tão diferente do esperado que obriga a rever o que se pensava sobre a história da cidade.

Na zona principal de escavações, é visível a existência da uma estrutura defensiva, uma muralha, o que confirma a expansão da cidade para esta zona… Esta expansão terá sido provocada, pensa-se, pela vinda para Silves de pessoas que fugiam à conquista cristã e que se refugiaram no último reduto almóada. Seriam pessoas com posses, como revelam as casas encontradas, com dimensão considerável e até com o pátio pavimentado, um indicador de boa condição financeira dos seus proprietários.
Confirmando-se a existência de todo um arrabalde ocupado e habitado, quando “não era expetável que a cidade fosse tão grande, já reformulamos a estimativa da população, pensava-se que a cidade teria cerca de 6.200 habitantes, pensamos agora que teria entre 8000 a 9000”, afirma Maria José Gonçalves.
Neste sentido, haverá ainda trabalho a desenvolver, que não fora planeado, “pois estávamos perante uma ação de arqueologia preventiva, não de investigação”, como explica a técnica da Câmara Municipal. Pela parte da autarquia há a intenção de executar um projeto de musealização do espaço, que ateste a sua importância, e se torne mais um elemento patrimonial valioso na cidade de Silves.








