Situada numa pequena elevação, a cerca de 1Km a Oeste da vila de S. Bartolomeu de Messines, a ermida de S. Pedro tem uma história mais antiga do que geralmente é referido e repleta de motivos de interesse.
As diversas publicações e inventários do património concelhio apontam, invariavelmente, para a fundação da ermida no século XVIII, considerando as suas características arquitectónicas e a notícia da sua existência nas Informações Paroquiais de 1758.
Ora, num esquecido conjunto de artigos de José Pinheiro Rosa, publicados no “Correio do Sul”, entre 1 de Junho e 13 de Julho de 1967, sob o título “São Pedro na Arte Religiosa do Algarve”, e republicados, em 1992, na edição de autor “Crónicas, Viagens e Outras Engrenagens”, pp. 263-294, fomos encontrar duas preciosas informações sobre a ermida de S. Pedro, nos séculos XVI e XVII.
A primeira notícia, de que há conhecimento, consta de um livro de visitações do Bispado do Algarve, com data de 1599. A segunda notícia é de 1675, noutro livro de visitações, com uma nota de que a ermida “estava entregue a mancebos solteiros”.
Recentemente, num folheto do projecto “Via Algarviana”, fomos encontrar a informação de que no interior da ermida se pode observar uma pia de água benta manuelina, não sendo por enquanto possível confirmar se é original ou se trata de uma reutilização.
Uma sugestiva via de investigação sobre o sítio de S. Pedro e a ermida ali edificada poderá ser a de tentar verificar se existe alguma relação com um hipotético santuário romano do séc. III que o enorme pedestal de uma estátua prateada dedicada a Júpiter Óptimo Máximo parece indiciar (cf. José d’Encarnação, Sobre a Epigrafia Romana do Algarve, in Xelb 4, Silves, 2003, pp. 158-160).
O pedestal, actualmente no Museu Municipal de Silves, por cedência do Museu Regional de Évora, em 1990, foi encontrado em finais do séc. XVIII ou inícios do séc. XIX, nas proximidades de S. Bartolomeu de Messines, perto da ermida de S. Pedro ao que se supõe. Todavia, até ao presente, não foram detectados vestígios arqueológicos significativos de estruturas construtivas da época romana naquela área.
Há uma informação, bastante antiga, que refere o achado de fundos de ânfora e que outro “mobiliário encontrado junto à capela de S. Pedro, em Messines, ao amanhar-se uma terra para sementeira, acusa a existência de um centro agrícola de cultura variada e selecta” (Monsenhor Botto, Glossário Crítico…, 1899, p. 8).
Apesar dessa escassez de testemunhos, não será de descartar a possibilidade de existir uma memória da sacralização do lugar, considerando até que na cristianização de lugares pagãos, o culto de S. Pedro se implantou em “villae, geralmente com larga diacronia”e em “zonas de passagem, de transição”, “próximo de bons solos agrícolas” (André Carneiro, Sobre a Cristianização da Lusitânia… , 2009, p. 210). Curiosamente, a muito arruinada ermida de S. Pedro, em Silves, de origem presumivelmente medieval (J. D. Garcia Domingues, Ermida de S. Pedro – Silves, in O Mirante, nº 10, 1996, pp. 23-26) situa-se perto de uma via romana, hoje aterrada.
Voltando à ermida de S. Pedro, em S. B. Messines, depois das primeiras referências, atrás citadas, torna a ser mencionada, em 1712, pelo bispo António Pereira da Silva, no “Livro para me Orientar no Governo do Episcopado”, e no Arquivo Paroquial de S. B. Messines conserva-se um “Livro de Registo das Contas de Receita e Despesa da Confraria do Senhor S. Pedro”.
Em 1795, foi visitada pelo bispo D. Francisco Gomes do Avelar que a “encontrou reparada de fresco”. Em 1864 (data sobre a porta), teve novas obras de restauro e reedificação, a cargo da Junta de Paróquia. Num inventário dos foros à paróquia, em 1877, o foreiro da terra chamada “Cerca de S. Pedro” pagava anualmente 900 réis.

No século XX, prosseguiu com uma certa regularidade o culto a S. Pedro na vetusta capela, realizando-se missas com frequência mensal, quando possível, e os festejos do santo patrono a 29 de Junho.
Beneficiou de obras de restauro em 2013 e a própria imagem de S. Pedro também foi restaurada, sendo-lhe restituídas as chaves que, em 2000, já não apresentava (Francisco Lameira, Inventário Artístico do Algarve, vol. XV, pp. 238-239).
A imagem de S. Pedro Apóstolo é um belo exemplar da estatuária de madeira do século XVII, com 108cm x 42 cm, de autor desconhecido, talvez de uma oficina regional, e com alguma afinidade estilística com a imagem de S. Bartolomeu que se encontra no retábulo da capela-mor da igreja matriz.







