Mialves – nome artístico de Miguel Peixoto Alves – apresentou recentemente o seu último espetáculo: Des/Aparecido.
A estreia foi no Teatro Mascarenhas Gregório, com a sala cheia, a mostrar que, apesar da sua juventude, a “coisa” está a começar a ficar séria. E, no que depender de Mialves, a magia vai ser o seu percurso principal.
É o próprio que o conta, no início dos seus espetáculos. O interesse pela magia começou aos 9 anos, quando lhe foi oferecida uma “caixa de magia”. O passar dos anos apagou a recordação de quem terá oferecido aquela pequena caixa, mas o interesse em fazer truques e passes de encantar persistiu.
Hoje, com 19 anos, aluno do Curso Multimédia na Escola Secundária de Silves, a vida de Miguel Alves reparte-se entre a escola e a magia. Nesta arte, como em todas as outras, o talento não basta. É necessário muito trabalho e dedicação, pelo que os treinos são praticamente diários. Além de praticar e de estudar o trabalho de outros mágicos, Mialves já começou a criar os seus próprios truques, sendo que dois deles fazem parte do seu novo espetáculo.
O espetáculo Des/Aparecido denota uma grande evolução para quem tem acompanhado o percurso de Mialves. Este, que começou numa mostra de talentos em São Bartolomeu de Messines, em 2014, por ocasião da Festa das Tradições, passou depois por várias apresentações de Silves Alegria do Natal e outras em clubes e coletividades, chegando agora a um ponto de mais confiança que lhe permite experimentar outros domínios.
“Em relação ao primeiro espetáculo, este último é diferente, já tenho uma pessoa a ajudar-me em palco, com a produção, o que me retira alguma preocupação, e os números são mais complicados”, diz Mialves.
Por outro lado, este espetáculo integra música e humor, que tem resultado muito bem, a nível da reação do público (e que a autora destas linhas confirma por ter assistido). A sua inspiração, conta Miguel, vem do mágico argentino Agustin Aristarán, conhecido como Soy Rada, que é humorista, músico e mágico.
E tal, como Soy Rada, Mialves cria magia, canta e intercala momentos de boa disposição, neste espetáculo, até ao final em que se revela que tem uma “cafeteira mágica” capaz de adivinhar os pensamentos de pessoas do público.
Para Mialves foi importante criar um segundo espetáculo bem diferente do primeiro, no qual fechava com um número com cartas, e mostrar que “não faço só cartas”, mas adianta que ainda está num processo de progressão, a trabalhar em detalhes que podem melhorar a experiência do espetador. “Encontrar a solução certa” para cada truque é o seu desejo, o que implica “estudar e aprender mais”.
No seu futuro, imagina-se a seguir a carreira de mágico, não obstante as dificuldades que facilmente se adivinham. O trabalho como consultor para outros mágicos é também uma possibilidade. No fundo, deseja continuar envolvido nesse mundo que descobriu aos 9 anos, dentro de uma pequena caixa.
Para o alcançar, além do trabalho diário é necessário, diz, “ter paixão pela magia”. Nos seus espetáculos fala também da importância de todos termos sonhos mas, com grande realismo, aponta quatro ideias/palavras indispensáveis à concretização desses sonhos:
-IMAGINAÇÃO-
-CRIATIVIDADE
-IMPOSSÍVEL
-DEDICAÇÃO
Com certeza não por acaso, no espetáculo de Mialves este canta (com grande sentido de humor), uma “canção do Homem Aranha” e repete o lema emblemático deste super herói “Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. Uma máxima que se aplica também às pessoas comuns e à carreira que Mialves quer seguir, sendo que este é um trabalho de grande exposição pública, que exige igualmente que arrisque e que mostre um progresso contínuo. Tudo isso, à mistura de alguma “jogada de marketing” pois que também não se pode descurar a vertente do espetáculo e da sua promoção.
Como inspiração nacional, Mialves aponta o ilusionista Mário Daniel, conhecido autor do programa “Minutos Mágicos”, da SIC, que se estreou aos 14 anos no Natal dos Hospitais. Quanto a Mialves, para já, está a apostar no desenvolvimento das suas capacidades musicais, para aperfeiçoar essa parte do espetáculo e a testar as suas capacidades de humorista. E em levar o seu espetáculo a mais pessoas e lugares.
Não é preciso exclamar abracadabra para adivinhar o futuro…. sempre com mais esforço e empenho de quem sabe que nasceu para a magia.








