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Saúde & Bem EstarVida

Verão e Doença Venosa Crónica: o que fazer para aliviar os sintomas

Paula Bravo
Última Atualização: 2026/Jul/Qui
Paula Bravo
1 hora atrás
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Os fatores biológicos, o clima e os hábitos do dia a dia conjugam-se de forma particularmente desfavorável para quem vive com Doença Venosa Crónica. Individualmente, cada um destes fatores contribuiu para o agravamento dos sintomas, mas, nos meses mais quentes do ano, o seu efeito torna-se ainda mais evidente.

Longe de ser uma condição rara ou inofensiva, a Doença Venosa Crónica tem como manifestação clínica mais conhecida as varizes, que, de acordo com o Bonn Vein Study, afeta cerca de 21% da população adulta. Em Portugal, estima-se que afete aproximadamente um terço da população. Além disso, os dados revelam que 48% dos doentes sofrem regularmente de dor nas pernas ou nos tornozelos e que cerca de dois milhões de mulheres com mais de 30 anos vivem com esta patologia.

Um impacto que se faz sentir não só a nível individual, mas também na sociedade: estima-se que, em Portugal, sejam gastos entre 600 e 900 milhões de euros por ano no tratamento da doença e que cerca de 8% dos doentes se reformem antecipadamente devido a esta patologia.

Apesar destes números, a Doença Venosa Crónica continua a ser tratada, muitas vezes, como uma questão estética ou encarada como uma inevitabilidade associada ao envelhecimento. Uma desvalorização que tem um custo: atrasa o diagnóstico e dá tempo à doença para progredir.

Fator 1: os fatores biológicos

A Doença Venosa Crónica tem origem no mau funcionamento das válvulas das veias das pernas. Quando estas válvulas não fecham bem, o sangue tem dificuldade em subir contra a gravidade e acumula-se nos membros inferiores, o que origina veias dilatadas, sensação de peso, inchaço e, com o tempo, alterações na pele. Esta vulnerabilidade varia de pessoa para pessoa, estando associada ao histórico familiar, número de gravidezes, idade e peso corporal. Por isso, quem tem esta predisposição ou já apresenta Doença Venosa Crónica enfrenta os meses de verão, frequentemente com mais sintomas.

Fator 2: o calor do verão

Aqui, falamos da física simples do corpo: o calor dilata os vasos sanguíneos superficiais para ajudar a libertar temperatura. Temperaturas altas, exposição solar prolongada, duches muito quentes e saunas ou banhos turcos tendem a agravar temporariamente os sintomas em quem já tem a doença. Isto não significa que o calor cause Doença Venosa Crónica, mas que agrava o que já lá estava.

Fator 3: os hábitos diários

O terceiro fator é, talvez, o mais modificável: os hábitos. No verão, mudamos de rotina: fazemos mais viagens longas de carro ou avião, passamos horas seguidas sentados numa esplanada ou na praia, horas em pé à espera de mesa ou em filas, situações que causam imobilidade prolongada. As pernas dependem do movimento muscular para empurrar o sangue venoso de volta ao coração. Se a isso se juntarem o calor e uma predisposição biológica para a Doença Venosa Crónica, estão reunidos os ingredientes para o agravamento dos sintomas. É uma combinação que muitos desconhecem, mas cujas consequências sentem na pele.

 

O que fazer: conselhos práticos para o verão

 

A avaliação médica é essencial, havendo ainda medidas que ajudam a reduzir o impacto da soma destes três fatores:

  • Mover as pernas com regularidade. Em viagens longas, parar a cada uma a duas horas para caminhar uns minutos; em voos, fazer movimentos de tornozelo a cada 30 a 60 minutos;

  • Evitar calor direto e prolongado nas pernas. Preferir duches mornos a muito quentes e moderar a exposição solar direta nas pernas nas horas de maior calor;

  • Elevar as pernas sempre que possível. No final do dia, ou em pausas, elevar os membros inferiores acima do nível do coração ajuda o retorno venoso;

  • Usar meias de compressão quando indicado. Em viagens prolongadas ou em dias mais quentes, podem aliviar os sintomas e reduzir o edema, devendo o tipo e o grau de compressão ser sempre definidos por um profissional de saúde;

  • Hidratar-se bem. A desidratação pode favorecer a concentração do sangue;

  • Não ignorar sinais aparentemente ligeiros. Os chamados “derrames” ou a simples sensação de pernas pesadas podem ser manifestações precoces da doença e merecem avaliação;

  • Manter atividade física regular e controlar o peso durante todo o ano, não só no verão;

  • A utilização de terapêuticas adequadas (nomeadamente medicamentos venoativos). Alguns doentes podem apresentar indicação para intervenção, que deverá ser orientada pelo Cirurgião Vascular e adaptada a cada doente.

 

Num contexto em que a Doença Venosa Crónica continua a afetar milhões de pessoas e a ser frequentemente desvalorizada, torna-se fundamental reforçar a literacia da população sobre esta patologia, os seus fatores de risco e os sinais a que deve estar atenta. É neste âmbito que surge a campanha #LegsFirst, que pretende contribuir para uma maior consciencialização sobre a saúde venosa através da divulgação de informação nas plataformas digitais, incentivando os cidadãos a adotarem uma atitude mais informada e proativa no cuidado das suas pernas.

Porque, embora o verão possa agravar os sintomas, a Doença Venosa Crónica não é apenas um problema sazonal nem uma consequência inevitável da idade. Reconhecer os sinais precocemente e procurar avaliação médica atempada pode fazer a diferença na evolução da doença e na qualidade de vida de quem vive com ela.

Professora Dra. Joana Ferreira, médica especialista em Angiologia e Cirurgia Vascular

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PorPaula Bravo
Natural de S. Bartolomeu de Messines, nascida em 1963. Licenciada em Comunicação Social. Desde 1986, trabalhou em vários órgãos de comunicação nacionais e regionais. Dirigente associativa. Fundadora e diretora do Terra Ruiva desde abril de 2000.
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