OS JOGRAIS DE SÃO PAULO– BRASIL, EM FARO, 16 de Janeiro de 1958. Trago essa memória, em tempos difíceis: Os Jograis estão em digressão pelo País: Lisboa, Coimbra, Porto e Faro. Situemo-nos em FARO. Façamos a ligação deste escrito: Jograis e João de Deus. Temos essa duplicidade. Os Jograis recitam um Poema de João de Deus, admirável ao meu e julgo, desconhecimento: ”GUTENBERG.” (século XIX). Foi um tempo em que se desconhecia as origens da IMPRENSA, no caso: Algarve/Portugal. E esse poema do ilustre messinense, deixou-me, em entender o João de Deus, como Figura conhecedora na História da construção da IMPRENSA, em Portugal, que se iniciou na Região do Algarve-Faro.
Como sabemos, Faro foi a primeira cidade a fundar uma Tipografia, em Portugal, em que reinava D. João II (temos o registo de 1489) segundo o método moderno da impressora, graças à direção e produção de uma Família Judia, natural da, então, Vila de Faaron, Século XV. Com a inquisição poderosa, a família judaica sofreu todas as punições ao tempo do rei D. Manuel I. O acontecimento da Imprensa, introduzida em Portugal, entra no olvido do tempo. O tempo era impróprio…
Samuel Gacon, o Judeu de Faro, fundador dessa primeira tipografia, viveu num período mais tolerante no reinado de D. João II. Com a morte deste, em 1495, Gacon e os judeus vão encontrar as dificuldades da religião do catolicismo, a partir de D. Manuel I. Os judeus que não aceitam o Cristianismo são expulsos do reino. O rei D. Manuel I está sob as “ordens” de Isabel, a Católica de Espanha.
João de Deus (século XIX) publica o que Portugal “desconhecia”, o admirável POEMA, sobre a descoberta da imprensa… E, surpresa minha, o admirável Poema do MESSINENSE – JOÃO DE DEUS, nesse conhecimento, e nessa primeira comunicação com o introdutor da imprensa em Portugal, o Judeu Samuel Gacon. Vamos ao Poema de João de Deus…
Gutenberg : “Oh filho de maiença /Falado em toda a parte / Oh inventor da arte /Oh inventor da imprensa, que a todos perpetua ! Luz da humanidade !/ justa celebridade /e para glória tua !
Fiquei nesse orgulho pelo HOMEM admirado do século XIX, em diante.

Regressemos ao concerto poético dos Jograis, na capital do Algarve, 16/1/1958. O meu tempo de Faro. Estive no Cine-Teatro, assistindo, numa admiração. Mas no dia seguinte, 17/1/1958, já no célebre CAFÉ ALIANÇA, os JOGRAIS “trazem” JOÃO DE DEUS, CAMÕES, ALEIXO. No célebre Café de Faro, por onde todos os movimentos do século XX passaram : Cultura, Política, Artes, Economia, etc. Um café em movimentos… Em palavras proibidas, na memória do António Aleixo. Recitado :
Quem nada tem, nada come ,
E ao pé de quem tem comer,
Se alguém disser que tem fome
Comete um crime sem querer. (Primavera de 1943)
Havia Gente, no ALIANÇA. O Grupo Brasileiro, veio, no seu propósito, visitar o Café das “Memórias”. Três admiradores, presentes e fotografados junto aos JOGRAIS DE S. PAULO. Os POETAS: Emiliano da Costa, Elviro Rocha Gomes e Vicente Campinas. Poetas reconhecidos, admirados e perseguidos, como foi Vicente Campinas. “Homens da Cultura… Mal “vistos”, mas persistentes. Os Jograis estavam numa festa. Lá vieram, de novo, os Poetas. Foram recitados os Poemas da IMPRENSA pelo Mundo, ainda “LUSÍADAS” , de João de Deus, na sua homenagem a Camões :
“ Os Lusíadas estão como na hora ! / três séculos e nada/ nem uma letra única apagada ! Porque a gente decora /nem os vermes comem / não traçam, não consomem / uma obra inspirada/suma-se o vulto / que a compôs, embora / os dons da divindade / a beleza, a verdade, / essa glória de deus como do homem /raiam e ficam em perene aurora.
Foram dias e tempos vividos, em tempos do não dizer, em que a cidade de Faro, reviveu a História dos acontecimentos.











Teodomiro, obrigado por me recordar o meu pai, que me lembro de acompanhar com os meus 7 anos ao café Aliança e à Brasileira, entretanto desaparecida, para vê-lo jogar xadrez. O meu pai admirava-o muito, sobretudo pelo reconhecimento que você fez sobre o seu trabalho como escritor e poeta. Obrigado.