Conhecer Manuel Teixeira Gomes

Estudo de 631 páginas num Homem de muitas vidas a entender: Escritor, Político, Embaixador, Presidente da República Portuguesa. Uma figura de português, na História trágica, de espelho europeu, do primeiro quarto do século XX. Tal o autor, José Alberto Quaresma, Professor, nos coloca, num “Estudo” notável, ao conhecimento do Homem: “Boémio, Negociante, Melómano, Viajante, Escritor, Diplomata, Presidente da República”. É muito para Homem só… Eu levei meses, numa estrafega, para “aceitar” o HOMEM, de  alguns “defeitos” e de muitas qualidades. Procurei ler, “conhecer”, essa Figura de admirações e de muitos “ódios”. Para mim valem as admirações ao Homem Político e Escritor. No entanto, em tempos passados, entreguei-me ao conhecimento do Homem Algarvio, pelos cantos do mundo europeu e vizinha África:  Inglaterra, França, Itália,  Argélia, etc :Esse cidadão de naturalidade portuguesa .

De 5/06/1985 a 17/10/91, publique 27  números ,escritos, no semanário de Portimão “O BARLAVENTO”.  Seguindo, no semanário de Faro, “O ALGARVE”: 13 números, de 5/06/1991 a  23/01/1992.  Todas as ilustrações: Portimão e Faro cedidas por um  admirador de Portimão, o Sr. SIMÕES. Figura cultural da cidade barlaventina, já falecido. Considero todos esses escritos, mais “um alerta” para entrar no conhecimento  do notável  Homem de Portimão: MANUEL TEIXEIRA GOMES.

Quero acrescentar, que só fiquei a “conhecer”, assim julgava, o Homem das minhas admirações, após a leitura da Biografia, do próprio “Inventário de Junho”… É pouco.  Mas fui em continuidade. É que o autor da Biografia do Homem em qualidades e “defeitos”, vem duma época de muitas construções e mais de destruições , no humano… de inconveniências políticas. Figura incontornável à moldura dos hábitos do 5 de Outubro de 1910.

O Professor José Alberto Quaresma, meu “desconhecido pessoal”. Homem do “Terra Ruíva”, quanto eu. Enviou-me, em Maio de 2020, um “boucan” de 631 páginas. Lindo! Que fazer… Eu, no hábito em consultar o  Homem de Portimão e demais espaços europeus e não só. Procurando saber em brochuras  rápidas… Lancei-me a conhecer o Homem, jovem, menino de caprichos … Quem o não foi, e é, herdeiro forte do “ouro” algarvio: amêndoas, alfarroba, etc! Vamos andando, que o caminho é longo… Temos a meninice, o adolescente , e o que mais se desenvolve no homem múltiplo: de Jovem boémio e , naturalmente, apaixonado e naturalmente rico, nos caprichos do meio final, século XIX. O que se aproxima, se verá. Eu, nos meus fracos conhecimentos, fui em busca do conhecimento, que se capricha, naturalmente, nas várias “enxertias”, em que se desenvolve o conhecer… Comecei, “visitando” o admirado Homem da prosa. Ainda, antes de abalar para a vida, de quase adulto: 15 anos. Já o meu avô Gregório, homem que lidava na cortiça a terra… me falava do grande  escritor,  e,  não menos Homem da nova política: a República. Foi o meu Mestre em todos os sentidos, para o moço que eu fui. A ele lhe devo conhecimentos, também do sr. “Manelinho” de Portimão, “Homem de muitos afazeres”. Como me informava. E logo me estampa, indo ao baú das suas memórias, com o livro, do Senhor Manelinho de Portimão, de título “Inventário de Junho”, publicado em fins do século XIX. Gostei, e  fiquei “prisioneiro” para os tempos.  Na página 159, o Senhor Manuel de Portimão, prende-me na sua visita à minha Terra de “S. Bartolomeu de Messines, terra da naturalidade do poeta João de Deus, tal como ele mas descrevia, pelas tradições, nas recordações da sua mocidade, seria fantástica a aldeia onde o poeta vivera. Pelas recordações do Remexido, entre outras. Um dia fui ver a aldeia do poeta e estive no adro da igreja… Era fins de Junho, pelas encostas dos montes fronteiros escorriam as searas em ondas de oiro roxo “. Na edição de 1899.

À medida dos anos, ao Homem  de Portimão, não mais o perdi. Em 1942 é publicada a Biografia, em título “O EXILADO  DE BOUGIE”, autoria de Norberto Lopes, na colaboração , “ Estudo de João de Barros”. Era livro guardado e estimado. É a memória, na visita do jornalista Norberto, que se desloca a Bougie, para a grande entrevista do que foi Presidente da República de Portugal.  Este perfil abrange a vida do falecido chefe de Estado, desde a sua infância, em Portimão, até à sua morte no exílio de Bougie– Argélia. Narram-se os factos passados em Londres… como Embaixador. Os acontecimentos políticos que agitaram a sua breve passagem pela Presidência da República. O autor do “Exilado de Bougie” visitou o Homem ilustre, dois anos antes da sua morte. Manuel Teixeira Gomes, o Algarvio de muitas memórias publicadas. Homem português, notável, nascera em Portimão 27/05/1860. Falecera, em Bougie-Argélia 18/10/1941. Com a Segunda Grande Guerra a estilhaçar a Europa, o Mundo.

Seguiram-se, após a morte, algumas publicações: 1960, temos “CORRESPONDÊNCIA”. Ainda, pelo que conheço: “Manuel Teixeira Gomes”- “Cartas para Políticos e Diplomatas  “ Portugália Editora-1960, onde está incluída uma admirável foto, num jantar oferecido pelo Governo inglês e presidido por Lord Curzon, pela eleição de  o ex-Diplomata Português a ser eleito para a Presidência da República. Uma grande “Aventura”, do Algarvio de PORTIMÃO. Corredor do mundo!

Com Armand Guibert, que foi meu Amigo e Mestre, em conversas pessoais, traçávamos o retrato do grande Escritor português. Ele mesmo publicou “Teixeira Gomes”, em vários Estudos, visitando-o em Bougie. Ainda, Elviro Rocha Gomes, professor em Faro, quanto não “bavardámos” sobre Teixeira Gomes, creio, em certeza, o único professor, por Faro, como “ Luz e Lume na Obra de T. G. Encontramos breves esboços, nos Semanários de Faro: “O Algarve”, “Correio do Sul”, em tempos de ditadura. Escritos de simpatia. De muito interesse em admirações. Mas foi com o  Urbano Tavares Rodrigues, na sua admirável e justa frase: “ Com a republicação de “Inventário de Junho” damos início à edição das suas obras completas, cuja urgência resulta de se encontrarem esgotadas, começando pela sua primeira publicação. A modernidade de Teixeira Gomes, acentuando a lisibilidade da sua obra, prejudicada que foi pelo código moral do fascismo, que a condenou e mutilou”. Maio de 1984.

Regressemos à “Biografia – Manuel Teixeira Gomes, de José Alberto Quaresma. O seu traço em novo século XXI: “Boémio, negociante melómano, viajante, escritor, diplomata”.  Uma Obra notável. Que se completa no pensamento Português.

Nem Réjane, a bela mulher dos cabarés de Paris, de reis, diplomatas e ricaços,  lhe escapou, como Mulher dos amores ricos… Manelinho de Portimão, foi o HOMEM de todas as circunstâncias, pelos séculos XIX ao XX. Quem o entendeu? Quanto se falou, em falácia.

Trabalho concebido, para esta Biografia, a  “MANUEL TEIXEIRA GOMES”, na responsabilidade de JOSÉ ALBERTO QUARESMA – Imprensa Nacional. Uma leitura aconselhada para quem estiver nessa área da História e do Conhecimento. Valeu o seu tempo. E, em leitura… Valeu para mim, tal como o entendi, no após morte, da “tranquila” Bougie”. O português, a entregar-se às ausências, a “esquecer” a obscenidade política, o viver de escritor, no Homem  empurrado nos sopros das ditaduras crescentes. Como foi possível esse afastamento em si mesmo, mas determinante, no Homem atendível ao sopro dos ventos políticos. Acolher-se num ambiente turbulento e silencioso da Argélia- Francesa, que só após o fim da 2ª Grande Guerra Mundial, reganhara a sua independência e nacionalidade- 1960, na promessa de De Gaulle. Conhecer a vivência dessa figura notável: “Homem fascinante”, num retrato de um país e do seu tempo, conforme se publica. O seu “Regresso a Portugal-Portimão”, em plena ditadura…  O meu Avô, não faltou, já muito idoso. E contou-me a vergonha dos atos da Pide.

 

 

 

 

 

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