Fazer a diferença

Outubro é mês de início de um novo ciclo da natureza. As árvores despem-se das suas folhas, ganham cores que só o Outono nos traz. Solta-se o velho para dar lugar, após um tempo de renovação, a uma nova roupagem, um novo ciclo de cor e vida. Nada fica estagnado, apenas se renova e ganha nova força. A natureza aprende a renovar-se com a adversidade, seja ela de calor extremo ou chuva intensa. Apenas a intervenção do Homem desvirtua e altera. Talvez por isso ela se revolte quando os limites são ultrapassados.

Também nós, Humanos, nos deveríamos revoltar quando nos querem alterar o curso da vida e aprisionar o olhar e o pensamento. A este propósito, permitam-me que partilhe uma pequena história para reflexão:

“Há muito tempo, um grupo de homens vivia numa caverna profunda. Essa caverna era escura e húmida e essas pessoas passavam as suas vidas algemadas. A única visão que tinham era da sua própria sombra refletida ao fundo da parede. Geração após geração fizeram com que esses homens aceitassem aquela condição e acreditassem que essa era a verdadeira vida. Eles passaram toda a sua vida presos, a sofrer, sem requisitar o direito de existir, vendo apenas a sua própria sombra refletida na parede.

Num momento da história, um desses homens resolveu fazer algo diferente. Mesmo tendo sido convencido por toda sua vida que aquela era a única possibilidade de ser, algo dentro de si o chamava para buscar uma vida diferente. Esse homem, com muito custo, consegue soltar-se das correntes e começa uma aventura pela caverna. Ele passa por lugares estreitos, húmidos, escuros, escorregadios, atravessa vales e quanto mais ele andava, mais parecia que estava a ir ainda mais fundo naquele pesadelo. Mas, alguns dias após o início da sua jornada, esse homem enxerga um ponto de luz, uma luz amarelada e intensa, uma luz como ele nunca tinha visto antes. Caminha em direção à luz e ela vai-se intensificando e aquecendo a sua pele, até que percebeu que tinha saído da caverna. Os seus olhos estão completamente paralisados devido à intensidade da luz.

Ele começa a escutar os sons dos pássaros, o vento que toca sua pele refrescando o calor do sol que a aquece. Quando os olhos se adaptam à luminosidade, esse homem contempla uma realidade cheia de cores, formas, beleza que ele jamais havia imaginado. Vê as nuances da cor do céu, sente os cheiros da natureza e percebe que encontrou a verdadeira vida. Nesse momento, cheio de energia, lembra-se de todas aquelas pessoas presas, acorrentadas a viver dentro daquela caverna, acreditando que a vida era realmente apenas aquilo. Esse homem junta forças e corre para avisá-los. Ele atravessa todo o caminho sinuoso, perigoso, para contar a novidade e ajudar aquelas pessoas a libertarem-se daquelas amarras.

Quando chega, começa a contar a beleza que viu, as cores, formas, cheiros… Ele dá detalhes sobre o mundo real. Imediatamente as pessoas começam a rir daquele homem, e afirmam: “estás maluco, nós somos essas sombras, não existe algo além disso. Os meus pais contaram-me, os meus avós e os pais deles sempre souberam que essa é a única vida possível”.

O Homem passa dias a falar sobre como a vida delas não precisa ser aquela cheia de doenças, tristeza, falta de sentido, vazio existencial… pouquíssimos homens se encorajaram, tiraram as suas correntes e caminharam com aquele homem até a sua verdadeira liberdade.”

Também nós podemos escolher ficar na caverna, aceitando o que nos dizem ou nos tentam impingir como se fosse a única verdade. Ou podemos optar por desbravar o caminho, mesmo que difícil, e conquistar a verdadeira liberdade. Aquela que não nos aprisiona, mas que nos diz que temos direito a uma vida com sentido e dignidade.

Caminhar para fora da caverna ou continuar a ver apenas as sombras é também uma opção individual. Podemos demorar fisicamente a nos libertarmos, mas o grande segredo é não deixar que nos aprisionem a alma e o pensamento. Está nas nossas mãos fazer a diferença.

“Não é tanto o que lhe acontece que importa, mas como lida com a situação.” – Hans Selye

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