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Reading: MEMÓRIAS: “Cruz de Azevedo, a homenagem que tarda em Alcantarilha e no Algarve”
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Memórias

MEMÓRIAS: “Cruz de Azevedo, a homenagem que tarda em Alcantarilha e no Algarve”

Aurélio Cabrita
Última Atualização: 2020/Abr/Sex
Aurélio Cabrita
6 anos atrás
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Na secção MEMÓRIAS,  lembramos o texto “Cruz de Azevedo, a homenagem que tarda em Alcantarilha e no Algarve”, da autoria do nosso colaborador Aurélio Nuno Cabrita, e publicado na edição nº 15, Julho de 2001.

Alcantarilha homenageou recentemente o pintor Ignácio Mendonça, projectando o valor e a dignidade de um grande artista do concelho.
Existe porém um outro filho de Alcantarilha cuja homenagem tarda em efectuar-se, refiro-me a Joaquim da Cruz Azevedo Amador Baptista aqui nascido a 22 de Junho de 1890.

Segundo o professor Vilhena Mesquita “foi um dos espíritos mais regionalistas desta província, promovendo várias iniciativas de carácter educativo, pedagógico e cultural, residindo no fomento jornalístico a sua verdadeira coroa de glória”.

Professor primário Cruz Azevedo “organizou várias manifestações festivas sendo um fervoroso admirador do poeta João de Deus, a ele se lhe devendo o monumento que áquele vate se ergueu no Jardim Manuel Bívar em Faro”, no centenário do seu nascimento em 1930. “Às suas expensas mandou distribuir pelas escolas algarvias e seus alunos mais de 7000 retratos do poeta do «Campo de Flores», o que não deixa de ser uma iniciativa bonita e digna do maior realce. Também a ele se ficou devendo a organização da «Semana de João de Deus» que contou com a presença do filho do poeta, João de Deus Ramos.

Depois de ter residido largos anos em Faro, transferiu-se para Olhão onde igualmente se lhe ficaram a dever várias iniciativas de vulto como o «Dia do Operário» e a «Semana Desportiva», manifestações essas que tiveram um carácter essencialmente pedagógico e confraternizante, já que era um homem populista avesso a quaisquer comprometimentos políticos.

Curiosamente foi também realizador de cinema, tendo produzido uma longa metragem intitulada “Algarve”, no tempo em que o cinema ainda não era sonoro, através da qual se davam a conhecer algumas das belezas naturais deste distrito.

No campo jornalístico destacou-se especialmente através da edição de números únicos, mas também como colaborador de imensos títulos algarvios, como «O Algarve», «Folha de Domingo», «Folha de Alte», etc. sem esquecer a sua prestimosa participação nos órgãos de imprensa nacional, como redactor regional de «O Século» e de «O Comércio do Porto».

Faleceu em Olhão aos 93 anos de idade.”

Cruz Azevedo será pelo que citei um dos maiores vultos nascidos em Alcantarilha, o que na minha opinião justifica que a sua memória seja recordada e perpetuada, pelos alcantarilhenses e algarvios em geral.

 

Nota: A biografia aqui referida é baseada na existente na obra «História da Imprensa do Algarve – 1» de José Carlos Vilhena Mesquita, pp. 365.

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TAGGED:AlcantarilhaAurélio Nuno CabritaCruz de AzevedoMemórias
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PorAurélio Cabrita
Natural de S. Bartolomeu de Messines, nasceu em 1978. Licenciado em Engenharia do Ambiente, é mestrando em História do Algarve e técnico superior no Município de Odemira. Tem publicados diversos artigos e livros sobre a história local e regional. É também colaborador no jornal on-line Sul Informação.
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1 comentário
  • José Domingos diz:
    11 de Abril, 2020 às 17:35

    Mais uma excelente contribuição do nosso jovem conterrâneo historiador Aurélio Cabrita, sempre atento às realidades passadas e actuais da província do Algarve, assim como às da sua própria terra, São Bartolomeu de Messines.

    A propósito da leitura que cada um de nós poderá fazer sobre a dinâmica dos factos históricos e embora eles jamais se repitam, numa igualdade de completa justaposição, o homem do passado, actor dos mesmos, continua intrinsecamente igual ao do presente, em todas as suas qualidades boas ou más, inerentes à espécie humana.

    Face a esta realidade, terá sempre mais êxito aquele que souber ler e interpretar com maior rigor e inteligência os dados do passado, levando em linha de conta que os ingredientes que criam os factos históricos, esses, mantêm-se presentes, obedecendo sempre à mesma dialética.

    Quereis um exemplo simples, que condensa o que acima escrevo ?
    Pensemos na Europa, continente cronicamente talado, ao longo dos séculos, por guerras, gradualmente mais destrutivas, à medida que se aperfeiçoavam as armas com que matar o inimigo.
    Foram disso exemplo – para apenas citar as três últimas mais mortíferas, entre as principais potências -, a saber :

    1 – Guerra franco-prussiana (1870 – 1871)
    2 – Primeira Guerra Mundial ( a “Grande Guerra”, 1914 – 1918)
    3 – Segunda Guerra Mundial (1939 – 1945)

    Nunca a Europa tinha experimentado um tão longo período de paz, desde que o embrião da actual União Europeia (UE), a “COMUNIDADE EUROPEIA DO CARVÃO E DO AÇO”, foi iniciado por Estadistas de tão elevada envergadura como o alemão KONRAD ADENAUER e os franceses ROBERT SCHUMAN e JEAN MONNET.

    Mesmo que outro préstimo não tivesse, a actual UE, que alguns, insana e irresponsavelmente, se comprazem em atacar, oferece-nos o oásis da paz, bênção que, há muitos séculos, o nosso continente não conhecia, em cujo seio são dirimidas as diferenças sem lançar mão da violência.

    Este é um exemplo bem simples e de compreensão imediata que a reflexão histórica sobre os acontecimentos passados nos poderá oferecer, porque, como atrás escrevi, os homens de ontem e de hoje são os “mesmos” e continuam presos das mesmas angústias, egoísmos, invejas, ambições, medos e de todos os sentimentos mais baixos e menos edificantes que a humanidade poderá gerar, os quais só poderão confluir no confronto e nas guerras, quando não são temperados com a outra parte boa que, felizmente, também nos integra.

    “ A história é émula do tempo, repositório dos factos, testemunha do passado, exemplo do presente, advertência do futuro.”
    ( MIGUEL CERVANTES, autor de “D. Quixote” )

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