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Saúde & Bem EstarVida

O Pé Diabético e as suas consequências

Terra Ruiva
Última Atualização: 2019/Nov/Seg
Terra Ruiva
7 anos atrás
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Os doentes diabéticos são um grupo de risco para o desenvolvimento de problemas relacionados com os pés.

O Pé Diabético é visto como a principal causa de amputação da extremidade inferior, sendo também a principal causa de internamento do portador de diabetes. Mais do que uma complicação da diabetes, deve ser considerado como uma condição clínica complexa. É caracterizado pelo desenvolvimento da perda de sensibilidade nos pés, presença de feridas complexas, deformidades, limitação de movimento articular, infeções, amputações, entre outras.

O excesso de glicose, característico da Diabetes, compromete a irrigação do sangue para as extremidades corporais, o que leva a patologias como a doença vascular periférica (problemas de circulação sanguínea nas extremidades) e a neuropatia periférica (danos nas terminações nervosas).

A neuropatia, leva a que o pé vá perdendo a sensibilidade a pequenos traumas, originando úlceras. Devido à falta de renovação sanguínea nestas zonas, causada pela doença vascular periférica, as úlceras têm dificuldade em cicatrizar, podendo levar a infeções quando não tratadas. As úlceras do pé diabético ocorrem mais frequentemente na planta do pé ou no primeiro dedo.

Estima-se que 15% dos doentes diabéticos desenvolvem uma úlcera nos membros inferiores durante os anos de doença e que 85% das amputações têm um historial de úlceras diabéticas.

O pé diabético associa-se a importantes consequências médicas, sociais e económicas para os doentes, para a sua família e para sociedade. As complicações que ocorrem nos pés destes doentes vão proporcionar uma diminuição da sua qualidade de vida e um grande custo aos serviços de saúde. Uma amputação no pé implica custos que podem atingir os 25 mil euros, estimando-se que os custos com as amputações em Portugal possam chegar aos 25 milhões de euros por ano. Despesas diretas com a cirurgia, reabilitação do pé e do doente, abstinência laboral e transportes, são os fatores que mais pesam no orçamento da Saúde e da Segurança Social com as amputações dos doentes diabéticos.

É muito importante que se aposte na Consulta Multidisciplinar do Pé Diabético com integração da podologia nos cuidados primários de saúde de forma a tratar e controlar as patologias relacionadas com o Pé Diabético e assim reduzir as suas taxas de amputação.

Por outro lado, a atenção por parte do doente diabético ao pé é determinante e importantíssima. Este tem que ser consciencializado da problemática do pé diabético, educado para os cuidados a ter com os seus pés e quais as medidas a tomar em caso de patologia.

Cuidados diários a ter com o Pé Diabético:

Observar todo o pé e procurar o seu médico sempre que deteta alguma irregularidade, tais como alteração da cor do pé, feridas, unhas encravadas, entre outras;
Efetuar uma higiene diária correta, utilizando um sabonete de ph neutro;
Depois da higiene diária, deve secar bem o pé, especialmente entre os dedos, recorrendo a uma toalha suave; lembre-se que a humidade pode facilitar a infeção;
Aplicar um creme hidratante aconselhado pelo seu médico, evitando também a zona entre os dedos;
Optar por calçado confortável, de material natural (pele, couro), de base larga e sem costuras no interior, para que se adapte bem ao pé e não cause pressão constante;
Usar meia de fibras naturais, tal como lã, algodão ou seda;
Preferir limar as unhas em linha reta, com um instrumento desinfetado e de uso pessoal, em vez de as cortar com uma tesoura, evitando assim que estas encravem;
Consultar o seu podologista 1 vez por ano, ou sempre que detetar alguma alteração;
Certificar-se sempre que o profissional é licenciado em podologia e que e é portador de cédula profissional;
Controlar os níveis da Diabetes. Quanto mais elevados estiverem os níveis de açúcar no sangue, mais difícil se torna controlar as infeções.

Artigo de opinião escrito por Manuel Portela, podologista e presidente da Associação Portuguesa de Podologia

 

 

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1 comentário
  • José Domingos diz:
    7 de Novembro, 2019 às 0:01

    Apesar de ser total leigo no assunto, permita-se-me um pequeno apontamento, a propósito desta notícia.
    Como é do conhecimento geral, a diabetes – que consiste no excesso de glicose no sangue – tem como causa a insuficiência de produção de insulina pelo pâncreas.

    Um breve parêntese para referir que o termo ‘insulina’ provém do lat. ínsula, ilha (como se pode ver na expressão ‘Portugal Insular’ : Madeira e Açores ).

    A insulina é produzida nas chamadas ‘ilhotas pancreáticas’ – conjuntos de células do pâncreas especializadas na regulação do nível da glicose no sangue ( ou glicémia ), a qual, com um pâncreas saudável, é mantida no teor normal para o organismo.

    Apenas como mera curiosidade :
    1 – pâncreas (pan, do gr. pan, todo + creas, do gr. kréas, carne), visto que este órgão se assemelha a um bocado de carne.
    2 – diabetes (do gr. diabḗtēs, passagem, do verbo diabaínō, atravessar), A formação do termo refere-se à quantidade excessiva de urina produzida pelos doentes da diabetes.

    Responder

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