O ilustrador messinense Roberto Gomes foi o vencedor do Galardão BD Comic Con para “Melhor Desenho”.
Este prémio distinguiu os desenhos de Roberto Gomes no livro “Mar de Aral”, editado recentemente. Este livro foi o grande vencedor dos Galardões BD Comic Con Portugal, tendo ganho todos os prémios para os quais estava nomeado: Melhor Argumento, de José Carlos Fernandes; Melhor Desenho, de Roberto Gomes; e Melhor Álbum de Autor Português.
Os prémios foram atribuídos no passado sábado, dia 14 de setembro, no decorrer do evento Comic Con Portugal, o maior festival de cultura pop que se realiza em Portugal.
Mar de Aral foi lançado este ano, no XV Festival Internacional de BD de Beja, numa co-edição da G Floy com a Comic Heart, com versões também em polaco, francês, basco e espanhol.
A propósito do lançamento deste livro, desde logo muito aclamado pela crítica da especialidade, o Terra Ruiva entrevistou, em julho, Roberto Gomes, “ilustrador, game designer e VR dev”, num trabalho que pode recordar aqui:https://www.terraruiva.pt/2019/07/10/roberto-gomes-ilustrador-e-game-designer-expoe-mar-de-aral/
Regista-se ainda que, de julho ao final de agosto, na Sociedade de Instrução e Recreio Messinense estiveram expostas algumas das pranchas desenhadas por Roberto Gomes, nos estudos e execução desta obra.
Sobre o livro, escreve o jornalista do I, Ricardo António Alves:
«Outrora um dos maiores lagos do mundo, situado entre o Cazaquistão e o Uzbequistão, o recuo do Mar de Aral é considerado uma das maiores tragédias ecológicas da nossa época. Consequência de políticas desenvolvimentistas erradas, para cuja concretização foram desviados os seus rios afluentes, a região envolvente é hoje descrita pelos autóctones como o deserto de Aral… É neste cenário que José Carlos Fernandes (Loulé, 1964) e Roberto Gomes (Silves, 1983) desenvolvem a primeira história deste álbum, que lhe dá também o título: Mar de Aral.
A capa é magnífica. Apresenta uma figura misteriosamente suspensa na âncora de um navio, imagem cujo significado só apreenderemos em todo o seu alcance depois de lida esta narrativa. As palavras de José Carlos Fernandes ganham um encantamento poético à medida da desolação que se nos depara: “O mar fugiu como um cavalo assustado. / O mar fugiu e deixou atrás de si barcos ferrugentos, planícies de sal e aldeias piscatórias encalhadas na areia”. Mas como estamos no domínio do fantástico, o argumento desenvolve-se em torno dos estratagemas de sobrevivência dos peixes desse habitat.
O desenho faz jus ao que a capa nos promete; a disposição das vinhetas realça os grandes espaços de solidão e abandono (notável a página dupla em que se representa a fímbria que une mar e deserto); nas cores, predominam o castanho, o sépia e os tons arenosos, contrastantes com as três pranchas finais, quando a acção passa a desenrolar-se numa viela nocturna de cidade velha, nas proximidades, carregando de negro a atmosfera de estranhamento que até aqui a narrativa nos transmitira.
É a mais extensa de cinco ficções inauditas, e a que de longe se destaca, mas todas se recomendam: do tom paródico de Um boi sobre o telhado e Roupas de defunto, à melancolia de A inauguração do Canal do Panamá e A arte esquecida de nadar rio acima.
Para não destoar, as notas biográficas dos autores participam da irrealidade geral: José Carlos Fernandes aparece identificado como um misterioso cientista cuja vida decorreu entre 1891 e 1938. Entusiasta da Revolução Russa de 1917, transfere-se para a pátria soviética, alterando o nome para Osip Ernantzev. A acreditar no biografema, e para sermos eufemísticos, não foi propriamente bem sucedido. Quanto a Roberto Gomes, é apresentado ao leitor como um peixe do Mar de Aral, “que escapou por pouco a ser transformado em suchi”.»








Desde sempre, fui apreciador da Banda Desenhada, a que, dantes, chamávamos “Histórias aos Quadradinhos”, que, na nossa juventude / infância, era uma das principais leituras, através das revistas “O MOSQUITO” e, alguns anos depois, “O CAVALEIRO ANDANTE”.
O primeiro começou a publicação, em meados dos anos 30, antes do meu nascimento, pelo que o meu contacto com ele ocorreu pelos 4 / 5 anos, com os exemplares que o meu irmão, bem mais velho do que eu, comprava e coleccionava.
O povo costuma dizer que “não há amor como o primeiro” e o facto é que foram os heróis de “O MOSQUITO” que – mesmo sem ainda saber ler – me marcaram, de um modo indelével e deixaram em mim um travo e um rasto de nostalgia, que não consigo explicar, mesmo utilizando todas as palavras do mundo.
O “Serafim e Malaqueco” era um duo desses heróis.
O primeiro, alto, magro e desengonçado, o outro, baixo, gordo, mais parecendo um barril, eram dois amigos andrajosos, a quem os tostões eram avaros, pelo que tinham de inventar os mais inusitados expedientes para conseguir alguma comida, com que aplacar as reclamações constantes da barriguinha e então era vê-los, pelas ruas de Lisboa, envolvidos nas mais variadas peripécias, em que, por exemplo, logravam iludir a vigilância do merceeiro, enquanto um deles lhe ocupava a atenção, para o outro “desviar” dois gordos chouriços do varal, que, de seguida, iam saborear e digerir, dormindo, depois, uma merecida soneca.
O “Capitão Meia Noite” foi outro desses heróis.
As revistas de “O CAVALEIRO ANDANTE” foram já compradas por mim.
Era expectantes que aguardávamos a próxima quinta-feira para a chegada do número seguinte da revista com a continuação das histórias.
Esta revista iniciou a publicação, no princípio dos anos 50 e teve igualmente histórias maravilhosas – entre as quais, Tarzan, O Príncipe Valente, Alice no País das Maravilhas, Tim Tim e tantas outras -, assim como desenhadores de tomo, como José Ruy, Eduardo T. Coelho, Hergé ou José Garcês.
Porém, de todos, foi Franco Caprioli o meu preferido.
Chamavam-lhe o “Poeta do Mar” pela sugestão lírica que as suas ilustrações criavam em nós.
Utilizava na feitura dos seus desenhos a técnica do pontilhado.
Os seus temas desenvolviam-se, por norma, não só no mar, mas nos grandes espaços, o que transmitia ao seu traço uma sensação de grandeza.
O que, contudo, verdadeiramente, originou estas minhas linhas não foi tanto a BD, mas a capitulação e a cedência gratuita e pouco digna da Língua de Camões, perante anglicismos totalmente desnecessários, visto que temos substitutos na nossa própria Língua.
É o caso da ilustração da foto desta notícia.
Porém, este exemplo pouco tem de grave, em comparação com a crescente utilização de expressões inglesas nas mais variadas áreas.
Neste campo, temos muito a aprender com os Espanhóis …
Conviria dar conhecimento aos utilizadores destes abastardamentos da Língua Portuguesa, designadamente aos mais jovens, que ela é o que nos define como Povo e constitui o principal baluarte da nossa identidade como Portugueses e que a Língua de Camões já existia, como idioma totalmente maduro e fixado, pela mão precisamente de Camões, quando ainda o Inglês pouco mais era do que um mero dialecto.