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Os Enganos da Regionalidade

Silves adormece à luz do dia, entre algumas reconstruções e obras nem acidentais nem remotas. Nascido em Silves, como alguns vizinhos e amigos ou senhores ainda sabem ou podem confirmar, aí sempre voltei ao ritmo da vida, nos tempos em que o trabalho é suspenso. Enquanto activo e apesar da minha profissão de docente em Belas Artes (Lisboa), sempre que me foi possível aceitei participar em exposições na cidade e fiz, eu mesmo, individualmente, duas exposições em salas de Silves, na primeira galeria de arte dos “Amigos de Silves”, associação quem presta apoios sociais e culturais à população interessada. Por mim, e mais tarde, expus no Museu de Arqueologia, individual e colectivamente, além de colaborar em colóquios sobre a problemática do concelho e do ordenamento urbano.Depois, já na idade da reforma, com livros publicados, fiz doação à Biblioteca da cidade, caso a caso, de todos os meus livros, incluindo o último, de 2019, O Messias.

Este ano, por motivos de saúde, anda não revisitei a minha cidade natal, mas escrevi um texto de enquadramento para uma exposição a realizar lá, apropriadamente na Biblioteca Municipal de Silves, da obra já longínqua de uma senhora minha conterrânea. Tais casos são didácticos e exemplares, devia haver mais prospecção sobre eles, nas artes plásticas, na investigação arqueológica, nos estudos históricos, poesia, jornalismo, ciência, literatura. E é nesta perspectiva que muito me espantou, a propósito da evocação da senhora falada atrás, que seguiu um curso idêntico ao regido por Samora Barros na Escola Industrial e Comercial de Silves, pelo facto de um funcionário da Biblioteca ter dito à proponente que tudo está ocupado com iniciativas durante, pelo menos, dois ou três anos, não mostrando interesse em estudar tal bloqueio e os arranjos que lhe competem, com mais alguém, suponho, no sentido curador, a escolha e progressividade desta actividade naquele importante organismo. Organismo que tem de prevenir o estudo dos casos, a qualidade das apresentações, tempos, divulgação.

A Biblioteca já deveria ter uma sala específica multiusos: livros, descobertas artísticas antigas e recentes, design, arquitectura, formas artesanais da região, devidamente enquadradas técnica e culturalmente para garantir a sua função didáctica.

Silves não pode adormecer assim, em pleno dia, vivendo uma preconceituosa displicência perante os avanços técnico-culturais que surgem de dentro e de fora, podendo derivar de outros pontos do país e do estrangeiro.

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