Na celebração dos 45 anos da “Revolução dos Cravos”, o “Terra Ruiva” associa-se às comemorações e publica todos os dias, durante o mês de Abril, um texto ou poema alusivos ao 25 de Abril.
Uma iniciativa organizada por Rui Cabrita e que decorre em simultâneo no jornal Postal do Algarve.
“Um povo sem memória não perpetua um país, preenche um espaço sem identidade.”
Carlos Esperança
A pobreza, a fome e a falta de oportunidades para um futuro melhor, frutos do isolamento a que o país estava votado, provocaram um fluxo de emigração em condições desumanas.
O BIDONVILLE- CHAMPIGNY-SUR- MARNE- O ENCLAVE PORTUGUÊS EM PARIS
«… Na década de 60, o bairro clandestino crescia todos os dias. Não se fechava a porta aos compatriotas, que fugiam à pobreza, à ditadura ou à guerra nas colónias africanas Quem chegava trazia pouco mais do que a roupa do corpo e um papel com uma morada, que por vezes não sabia ler. Muitos emigrantes nem tinham aprendido a escrever o próprio nome. Em 1961, viviam ali 600 pessoas. Em três anos, o número multiplicou-se – chegou aos 8 mil ou 10 mil. Reportagens publicadas em 1965 calculavam que no bidonville existissem até 15 mil habitantes. Na televisão francesa chamaram-lhe “o enclave português”.
…Se chovesse, as ruas, esburacadas, transformavam-se em corredores de lama. Não havia casas de banho, água corrente, ou esgotos. Era costume usar-se o rio para despejar os baldes com dejectos. Faziam-se fogueiras para queimar lixo. Há diversos relatos de incêndios e de crianças atacadas por ratazanas…. »
( extrato da revista Sábado de 10 Junho 2016)









