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PsicologiaVida

Urge dizer basta!

Helena Pinto
Última Atualização: 2019/Mar/Qui
Helena Pinto
7 anos atrás
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Caros leitores, vou dedicar este espaço no mês em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, a um tema que este ano tem estado mais na ordem do dia: a violência doméstica. 2019 iniciou-se com várias tristes notícias relacionadas com a morte de mais 12 pessoas vítimas de violência doméstica – onze mulheres, entre elas uma bebé de 2 anos, e um homem, foram atacados até à morte por familiares, companheiros ou ex-companheiros. Muitas delas já tinham pedido ajuda e não foram levadas a sério. Assim se perdem vidas e se destroem famílias, se roubam infâncias e crescimento saudável e equilibrado.

A Violência doméstica é um padrão de comportamento que envolve violência ou outro tipo de abuso por parte de uma pessoa contra outra num contexto doméstico, ou contra crianças ou idosos. Quando é perpetrada por um cônjuge ou parceiro numa relação íntima contra o outro cônjuge ou parceiro denomina-se violência conjugal. A violência doméstica pode assumir diversos tipos, incluindo abusos físicos, verbais, emocionais, económicos, religiosos, reprodutivos e sexuais. Muitas vezes são ignorados e desvalorizados, ou vem ao de cima o velho ditado “Entre marido e mulher não metas a colher”, pois embora em termos jurídicos seja considerado crime público, continua a existir muita resistência em denunciar. Esta postura faz-me lembrar o poema de Bertolt Brecht:

Um irmão é maltratado e vocês olham para o outro lado?
Grita de dor o ferido e vocês ficam calados?
A violência faz a ronda e escolhe a vítima,
e vocês dizem: “a mim ela está poupando, vamos fingir que não estamos olhando”.
Mas que cidade?
Que espécie de gente é essa?
Quando campeia em uma cidade a injustiça,
é necessário que alguém se levante.
Não havendo quem se levante,
é preferível que em um grande incêndio,
toda cidade desapareça,
antes que a noite desça.”

Em 2017, foram registados em todo o território nacional 22.599 crimes de violência doméstica, sendo que os dados indicam também que 285 homens de 50 anos sofreram às mãos das companheiras. Urge dizer basta, urge ajudar vítimas e agressores a retomar o seu equilíbrio emocional e a sua relação com os outros e com o meio envolvente. Urge identificar os fatores de stress que estão de base, para os tratar e promover relações e vivências sem violência. Todos temos de nos envolver, pois só este envolvimento poderá ajudar a mudar comportamentos, não só na denúncia dos casos, mas e sobretudo na educação para a não-violência desde tenra idade, pois esta elimina os danos provocados no que nos rodeia, e ajuda a pessoa a transformar-se.

Eu sou contra a violência porque parece fazer bem, mas o bem só é temporário; o mal que faz é que é permanente.- Mahatma Gandhi

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PorHelena Pinto
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Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta Formadora da Ordem dos Psicólogos Portugueses (Situação profissional dos Psicólogos; Ética e Deontologia, Intervenção em Situação de Emergência e catástrofe) e Membro do Conselho de Representantes da Ordem dos Psicólogos Portugueses. Consultora da área da Gestão de Carreira
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