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Francisco Louçã em Messines para homenagem ao avô António Neves Anacleto (atualizada)

No dia 16 de março, às 16h, será feito o descerramento da placa toponímica da Rua António Neves Anacleto, na Junta de Freguesia de São Bartolomeu de Messines.

Nesta cerimónia estará presente o neto do homenageado, o conhecido economista e político, Francisco Louçã.

Após o descerramento da placa toponímica, segue-se, uma breve palestra, com Francisco Louça, às 16h30, na ARCA- Associação Recreativa e Cultural da Amorosa, sobre António Neves Anacleto.

António Neves Anacleto nasceu a 8 de fevereiro de 1897, na Amorosa, freguesia de São Bartolomeu de Messines. Filho de um modesto trabalhador agrícola cedo começou a trabalhar. Depois de vários trabalhos foi, em 1915, para Faro, como empregado numa mercearia. Foi aí que começou a sua luta no movimento em prol do descanso semanal e da regulamentação do horário de trabalho para o comércio, participando na Associação dos Empregados de Comércio de Faro. Foi também nessa altura que retomou os estudos.

Em 1918, por ter participado na preparação de uma greve geral foi preso, juntamente com muitos outros trabalhadores. Foi na condição de detido que fez o exame do 3º ano do liceu.

Retomados os estudos concluiu o liceu e matriculou-se na Faculdade de Direito de Lisboa, como aluno voluntário, o que o dispensava de comparecer às aulas e lhe permitiu viver em Faro e ali continuar a dar explicações.

Em 1916, então com com 19 anos, tornou-se diretor do jornal anarquista ” A Ideia”, suspenso pouco depois.

Concluída a licenciatura em Direito em 1927, é preso novamente. Libertado, vai trabalhar no escritório do advogado Rita Palma, seu grande amigo.

Em Julho seguinte passa a dirigir o semanário “Alma Algarvia” que passou a congregar os oposicionistas à ditadura emergente do 28 de Maio.

Entretanto, em 21 de fevereiro de 1928 é de novo preso. É levado para o Forte de Monsanto, de onde consegue fugir com a ajuda de amigos, mas foi recapturado e torna-se o primeiro deportado a ser enviado para Moçambique, pela ditadura militar. Depois de nova prisão e de ser deportado para Cabo Verde, consegue forma de embarcar rumo a Londres. Nos dois anos seguintes viveu em Bruxelas, Paris, Madrid e outras cidades  onde manteve contactos com emigrados portugueses no exílio.

Regressou a Portugal em dezembro de 1933, fixando-se em Aveiro, mas por pouco tempo. Regressa a Moçambique e em 1935 fundou e dirigiu “O Jornal”, mas dentro de pouco tempo voltou a ser incomodado e perseguido pela polícia política. Foge para a África do Sul, e em 1914 regressa a Lisboa. À chegada é levado pela PIDE para a prisão de Caxias. Aí esteve detido “no segredo”, incomunicável, em condições degradantes. É libertado dez dias depois, por pressão de várias figuras públicas.

Instala-se então de novo em Faro, onde abriu escritório como advogado e viveu três anos, prosseguindo também a sua atividade contra a ditadura. No entanto, desgastado, regressa a Lourenço Marques e ali se manteve, sem deixar de se envolver em atividades políticas, até voltar para Portugal. Em 1958, foi apoiante ativo da candidatura de Humberto Delgado e em 1960 esteve envolvido numa projetada intentona, impulsionada por aquele general, conjuntamente com outros oposicionistas residentes em Moçambique.

Depois da revolução de abril, em 1974, instala-se definitivamente em Lisboa, publicando inúmeros artigos. Publicou também diversos livros entre os quais se destaca o livro autobiográfico “A Longa Luta”.

Convidado por Francisco Sá Carneiro para integrar as listas de deputados do PSD à Assembleia da República foi deputado, com a idade de 81 anos.

Faleceu em Lisboa, com 93 anos, em 25 de fevereiro de 1990.

Nota: Os dados biográficos e a foto são retirados do artigo escrito por sua filha Noémia Anacleto Louçã, inserido no livro “Notáveis Messinenses: Vivências e Contributos”, editado pela Junta de Freguesia de São Bartolomeu de Messines, em abril de 2009 

Nota 2- Esta notícia foi atualizada com a informação sobre a palestra na Amorosa.

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