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40º Aniversário da realização do Festival da Cerveja

Em Silves, no edifício da Câmara, encontra-se patente, até ao final do mês de junho, a Exposição do Arquivo Municipal com o tema “40º aniversário da realização do Festival da Cerveja ”.
A exposição é acompanhada de imagens e documentos.
O Terra Ruiva colabora com esta iniciativa do Arquivo Municipal publicando uma versão resumida do texto da exposição. A versão integral está disponível aqui:Expo_DM_Junho_2018

 

40º Aniversário da realização do Festival da Cerveja

 

No mês de junho assinala-se o 40º aniversário da realização do 1.º Festival da Cerveja em Silves. Aquele que foi durante várias décadas o acontecimento mais aguardado na cidade, não só pelos residentes como pelos inúmeros visitantes, nacionais e estrangeiros.
Desde o primeiro momento da sua realização que foi um tremendo êxito, levando a cidade de Silves muito para lá das suas fronteiras.

Cartaz do I Festival da Cerveja

O I Festival da Cerveja realizou-se de 9 a 11 de junho de 1978, no Castelo, uma iniciativa da Comissão Regional de Turismo do Algarve (CRTA), presidida por Cabrita Neto, com a colaboração da Câmara Municipal de Silves (CMS), do Silves Futebol Clube (SFC), da Federação de Municípios do Distrito de Faro (FMDF), de todas as marcas de cerveja fabricadas em Portugal, nomeadamente, a UNICER – União Cervejeira E.P. e a CENTRALCER, e ainda da PHILIPS.

A animação ficou a cargo da Filarmónica de Loulé e da Filarmónica de Silves, dos ranchos folclóricos de Lagos, de S. Bartolomeu de Messines, de Moncarapacho, de Santa Luzia e de Alte e a música de dança da responsabilidade da “Orquestra Espanhola «Época 69»”. No sábado houve ainda fados, com a conceituada fadista Hermínia Silva e seus Guitarristas.
As entradas para o recinto abriam às 19 horas, na sexta, e às 15 horas, no sábado e domingo, e fechavam às 3 horas da madrugada, sendo possível assistir pela televisão aos jogos do Campeonato do Mundo de Futebol, através de televisores instalados no interior do Castelo.
A entrada para o Festival tinha um custo de 80$00, com direito a “Caneca” e 1.5 litros de cerveja, sendo no interior vendidos conjuntos de três senhas, por 25$00, com direito a 1.5 litros de cerveja.

Para a realização do Festival e das Festas de Verão deliberou a CMS, a 16 de maio de 1978, sob a presidência de Rui Hernâni de Castro e Silva de Morais, “beneficiar o recinto interior do Castelo, pavimentando a entrada com calçada e junto ao palco com pedra da região”.

O II Festival da Cerveja realizou-se de 8 a 10 de junho de 1979, com a mesma organização. À entrada pagava-se 100$00, com direito a uma caneca, recordação do Festival, e 1.5 litros de cerveja.
O sucesso da segunda edição foi surpreendente, contabilizando-se dez mil visitantes numa só noite, esgotando as canecas, mas nada que afetasse os visitantes que “sentados ou deitados pelos cantos do castelo, comendo e bebendo, davam uma nota típica ao Festival da Cerveja. A certa altura, uma conhecida fábrica de cerveja oferecia gratuitamente a bebida. E de tal maneira os turistas, nacionais e estrangeiros, souberam aproveitar a dádiva, que em pouco mais de duas horas, a cerveja estava esgotada” .
Na III edição do Festival os organizadores alongaram a duração para seis dias, de 5 a 10 de junho de 1980, adquirindo um stock de 15 mil canecas. A entrada tinha um custo de 140$00, com direito à caneca e três senhas.

III Festival da Cerveja / 1980 – José Viola (presidente da Junta de Silves), José Viseu (presidente da Câmara Municipal), Mário Soares, Abel Santos, Mário José Gonçalves (presidente do Silves Futebol Clube), professor Mendonça, representante da Cerveja Sagres e Armando Rego.
Foto de José Viola

No IV Festival da Cerveja alegando não dispor dos apropriados meios logísticos, a CRTA renunciou à sua organização. Essa responsabilidade passou a pertencer ao Silves FC, embora a Comissão continuasse a patrocinar o festival “no que se refere a grupos folclóricos e conjuntos musicais”, contando ainda com a colaboração da Câmara Municipal que “emprestou o dinheiro para comprarmos as canecas de cerveja” , FMDF “que nos ajuda nas despesas de energia” e apoio das cervejeiras nacionais.
A 4ª edição que decorreu entre 9 e 14 de junho de 1981, “teve uma média de 3500 visitantes por dia”. A entrada no recinto custava 180$00. “Comida e bebida havia em quantidades mais que suficientes, espectáculos e local para pé de dança mais ou menos equilibrado atraíam muita gente, só uma das marcas de cerveja em presença estava equipada para servir mais de mil litros por hora, e o convívio, esse era fácil e desinibido, ajudado pelo ambiente e pelo consumo de cerveja” .

Entre os dias 9 e 13 de junho de 1982 realizou-se o V Festival da Cerveja e, simultaneamente, o I Festival Internacional da Cerveja organizado pelo SFC, em colaboração com as entidades dos anos anteriores. Além das marcas cervejeiras portuguesas houve também algumas estrangeiras.

O VI Festival da Cerveja, de 8 a 12 de junho de 1983, à semelhança dos anos anteriores contou com stands de artesanato regional, pavilhões restaurantes, doces regionais, além da diversão. As entradas tiveram um custo de 300$00.

Por sua vez o VII Festival da Cerveja decorreu de 20 a 24 de junho de 1984, e como coincidiu com o Europeu de Futebol foram instalados écrans gigantes, para a assistência dos jogos. Durante estes cinco dias a antiga capital do Reino do Algarve transformou-se “uma vez mais, na «Munique portuguesa», onde a cerveja é rainha, já que milhares de litros são consumidos” .

No VIII Festival da Cerveja, a questão do patrimonial do recinto foi pela primeira vez levantada. A CMS, a 23 de novembro de 1984, sob a presidência de José Francisco Viseu, “autoriza a utilização do Castelo”, mas informa que “está em curso um programa de escavações arqueológicas de manifesto interesse histórico e que podem resultar numa utilização diferente do Castelo. (…) Também de referir que se comece a pensar noutra localização para 1986…”
A edição decorreu de 5 a 10 de junho de 1985 e foi “entre todos o que alcançou maior projecção e interesse, visto que foi visitado por cerca de 25 000 pessoas”.
O sucesso terá levado a autarquia a abdicar da mudança de local para o evento.

Assim, para o IX Festival da Cerveja, realizado de 5 a 10 de junho de 1986, a Câmara Municipal de Silves, sob a presidência de José Viola, “empenhou-se na remodelação de todo o Castelo, dando uma fisionomia diferente ao recinto, modificando totalmente todo o aspecto geral (…) compromisso que cumpriu não olhando a esforços quer materiais, quer humanos (…) este festival, que é sem dúvida o maior festival que se realiza em todo o Algarve, trazendo a Silves milhares de turistas, o que dá grande contributo à divulgação da nossa região. Não há no Algarve nenhum certame que traga tanta gente”, segundo ofício de 6 de junho de 1986, à RTA.

No X Festival Nacional da Cerveja, de 9 a 18 de junho de 1987, em conformidade com o contrato assinado a 5 de janeiro do mesmo ano, entre a CMS e o SFC, a organização do evento passou para a edilidade ficando da sua responsabilidade a reestruturação do recinto do Castelo, a publicidade, o apoio às cervejeiras, o pagamento de encargos à EDP, a limpeza do recinto, toda a correspondência e a segurança, após o encerramento. Por sua vez o Silves FC ficou responsável pelo contacto com as cervejeiras, pela aquisição das canecas, preços de entrada e preços a praticar nos bares, pela animação, requisição da segurança, da animação e da segurança, mas em contrapartida as receitas das bilheteiras, bares, aluguer de stands e publicidade revertem a seu favor, na totalidade.

O XI Festival Nacional da Cerveja realizou-se de 1 a 11 de junho de 1988, iniciativa da responsabilidade da CMS, que contou com o apoio do Silves FC e da RTA. A cerimónia inaugural contou com a presença do governador civil de Faro, Cabrita Neto, que “ao percorrer o espaço, acompanhado do presidente da Câmara de Silves, José Viola, e de três dezenas de convidados fez elogios à iniciativa e alvitrou que o magnífico cenário do castelo poderia ser utilizado para outras iniciativas, de carácter estritamente cultural” .

Devido à instabilidade climatérica que por vezes se fazia sentir e o facto de julho ser um mês de maior fluxo turístico em 1989, foi alterada a data do certame, realizando-se assim o XII Festival Nacional da Cerveja de 14 a 23 de julho. Pela primeira vez, o exclusivo, em termos de representação, pertenceu à CENTRALCER, contabilizando cerca de dez marcas de cervejas. Pelo Castelo, além da música para dançar, dos ranchos folclóricos, da Banda da Sociedade Filarmónica Silvense e do “show” brasileiro pelo grupo «Quizumba» passou um vasto leque de artistas portugueses, como José Alberto Reis, Cândida Branca Flor, Marco Paulo, José Cid, Lenita Gentil, Ana Faria e José Malhoa e Ana Malhoa, entre outros.

Numa organização do Silves FC, de 20 a 29 de julho de 1990, teve lugar o XIII Festival da Cerveja.
O XIV Festival Nacional da Cerveja decorreu entre 19 e 28 de julho de 1991.

Cartaz do XV Festival da Cerveja

Por sua vez o XV Festival da Cerveja realizou-se de 17 a 26 de julho de 1992. A novidade desta edição consistiu em ser uma organização conjunta da CMS e do SFC.

A par da divulgação do evento pelos meios de comunicação social sensibilizou-se, pela primeira vez, os condutores para que fossem prudentes, surgindo mensagens como “Muitos litros de cerveja se vão consumir (…) que não origine acidentes rodoviários, se bebeu não conduza” ou “tenha cautela, não beba em demasia” .

Ao longo das quinze edições o Festival foi um tremendo êxito, superando muitas vezes as expectativas mais otimistas dos seus organizadores, de modo que cerca de 700 mil pessoas visitaram o certame, foram consumidos, aproximadamente, 700 mil litros de cerveja, 33 mil frangos assados, 18 mil quilos de batata frita e 105 mil carcaças.

Estes números demonstram a grandiosidade do Festival da Cerveja que foi único no género em todo o país. Porém, a realização do evento no castelo, Monumento Nacional, e a eventual degradação provocada no mesmo, começa a colocar em causa a sua realização. Uma alteração do recinto impunha-se.

(continua)

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