Faleceu hoje de manhã (7 de janeiro) o professor José Fernandes Correia Leal, devido a problemas de saúde que se agravaram subitamente.

Nascido a 03 de Abril de 1940, formado na Faculdade de Ciências de Lisboa, foi em Silves que desenvolveu a sua atividade profissional enquanto professor de Matemática na Escola Secundária de Silves. Professor de elevada craveira e grande rigor científico e pedagógico, criativo e inovador no método de ensino da disciplina, o “professor Leal” foi sempre um exemplo para os colegas e um modelo para os alunos.
Na Escola Secundária de Silves foi presidente do Conselho Diretivo nos períodos 1978-80, 1985-87 e 1988-89, destacando-se pelas suas qualidades humanas e de dirigente, excelente organizador.
Militante do PCP foi eleito pela CDU e exerceu as funções de presidente da Assembleia Municipal de Silves entre 1986-89, num mandato que lhe granjeou ainda mais respeito e prestígio, pelo seu esforço de conferir mais modernidade e rigor a este órgão autárquico.
Foi ainda cabeça-de-lista pela CDU à Assembleia Municipal de Silves noutras ocasiões e coordenador da respetiva bancada.
Depois de reformado continuou a interessar-se pela divulgação da Matemática e pela inovação no ensino desta disciplina. “Como tempo era coisa que me sobrava, pretendia manter o meu cérebro lubrificado, podia manter ativo o meu gosto pela matemática e pensava que seria útil para o ensino da matemática, lancei-me ao trabalho”, disse em entrevista ao Terra Ruiva em 2011.
Assim, criou na internet uma página pessoal onde colocava os programas de matemática que fazia, destinados a serem usados, gratuitamente, por professores e alunos e todos os que estivessem interessados. Um dos seus trabalhos, um programa de trigonometria destinado a alunos do ensino secundário, recebeu o Prémio de Distinção da Casa de Ciências /Fundação Calouste Gulbenkian, em junho de 2011.
Cidadão social e politicamente ativo no quadro da CDU, na defesa dos valores de Abril e de uma sociedade mais justa e solidária; homem íntegro e extremamente sério, que primava todo o seu comportamento pela correção e salvaguarda dos valores éticos, a morte de José Leal deixa mais pobre a Matemática e a comunidade de Silves.
À família enlutada e aos amigos, a direção do Terra Ruiva apresenta sentidas condolências.
Francisco Martins / Paula Bravo










Um homem bom que se ausenta cedo de mais para a terra do silêncio. Tive o privilégio de ser seu colega e amigo. Elegante, culto, ponderado, caloroso, foi um verdadeiro mestre de alunos e colegas que, como eu, se atrapalhavam com os números. Deixou um rasto de bonomia e clarividência nas actividades cívicas e políticas. Silves e o Algarve ficam mais pobres sem o seu olhar clarividente e o seu sorrisos probo.