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Sorrir M, em Messines – Reabilitar a pessoa deficiente

A Casa do Povo de Messines tem desde abril um serviço de apoio que trabalha com pessoas deficientes ou incapacitadas.
Há aproximadamente um ano atrás o presidente da Junta de Freguesia de S. B. de Messines, João Carlos Correia, reforçou junto da direcção da Casa do Povo a necessidade de dar resposta a estes cidadãos – alguns deles já identificados.

Sendo um público com características específicas, mas também muito vastas por abranger diversas problemáticas, o seu enquadramento legal para motivos de candidaturas a apoios e a financiamentos auspicia-se um processo difícil e moroso.
O sonho ganhou nome “Sorrir M”, “M” de mudança, de mágico, de mais, de melhor, “de Sorriso Maior no rosto de todos aqueles a quem iremos ajudar” – sublinham duas das técnicas que integram o projeto e com quem o Terra Ruiva falou, Patrícia Leal Francisco e Nádia Palhinha.

Um serviço que concretiza a criação e valorização de uma modalidade de reabilitação social, imprescindível ao processo de desenvolvimento de competências da pessoa com deficiência e incapacidade com vista à sua autonomia e inclusão social.
Atualmente são cerca de 15 beneficiários, na sua maioria homens (apenas 3 utentes/clientes do género feminino), mas estão identificados mais 15 e o levantamento de necessidades continua.
Os critérios aglutinadores são ser portadores de deficiência ou incapacidade; pertencer à freguesia de S. B. de Messines ou ao concelho de Silves; ter mais de 18 anos e ser autónomo quanto à higiene. Os cuidadores e/ou familiares deste tipo de público são muitas vezes esquecidos e este projecto visa também poder acompanhar, formar e apoiá-los. Em última instancia o que se pretende é uma sociedade mais igualitária e integradora geradora de melhor qualidade de vida.sorrir-m-4
Está a decorrer a aprovação pela Segurança Social de um Centro de Atendimento, Acompanhamento e Reabilitação Social para Pessoas com Deficiência e Incapacidade (CAARPD) – plataforma NE – Sorrir M, que é a resposta social atípica para este tipo de contexto. Enquanto se aguarda, já está a ser realizado trabalho com a boa vontade da instituição na disponibilização dos seus recursos materiais e humanos.

A equipa é composta por uma Psicomotricista, uma Psicóloga, uma Educadora Especial e uma Educadora Social, bem como voluntários para algumas actividades. A equipa faz acompanhamento profissional (contado com um caso de integração no mundo do trabalho, sob regime especial), visitas domiciliárias (de apoio à família e a actividades dos utentes), detecção de necessidades, atendimento social à população em geral, disponibiliza respostas terapêuticas, treino de competências sociais, integração em actividades culturais, desportivas e de lazer.
A intervenção desenvolve-se em níveis diferenciados (avaliação, intervenção, reencaminhamento, …) tendo em vista as necessidades e características de cada cliente e a sua integração na comunidade. Todos os dias é possível haver apoio, actividades e intervenções de acordo com cada cliente e o quadro de intervenção individual definido em equipa, que é proposto ao cliente e à família e só depois de aceite por ambos prossegue a intervenção. As actividades são gratuitas à excepção das actividades em meio aquático e o snoezelen que precisam de transporte e onde é solicitada uma verba simbólica aos clientes.sorrir-m-3

As diferenças são notórias, chegam à equipa técnica comentários espontâneos da família e de quem conhece estes clientes, de que são visíveis as melhorias a nível de cuidados de higiene, a melhoria na auto-estima, o aumento da capacidade de atenção e concentração, a manutenção de um diálogo mais estruturado e melhor percepção na fala, maior capacidade de realização de pequenas tarefas autonomamente e claramente a noção de inclusão na comunidade!
Apesar de estar a funcionar, o projeto conta com o apoio de todos os interessados, seja com donativos (financeiros mas também materiais em especial didácticos e consumíveis desta ordem), voluntariado, apoio nas campanhas de angariação de fundos, protocolos e de cooperação, patrocínios, mas pode ser apenas com a divulgação deste, ou a participação com ideias construtivas e de crescimento!
O que começou por ser um sonho permanece vivo na necessidade dos que beneficiam da sua existência e no trabalho de uma instituição que é uma Casa para o Povo, nos seus técnicos e voluntários.

Texto: Mónica Gonçalves
Fotos: Casa do Povo de Messines

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