A Empreitada – Associação Cultural do Algarve promove, no próximo sábado, dia 19 de setembro, às 17h00, no Espaço Jali, em Silves, o encontro Histórias dos Corticeiros de Silves, uma iniciativa dedicada à partilha de memórias, histórias e arquivos da comunidade corticeira silvense.
O encontro, com entrada livre, “pretende abrir um espaço de escuta e participação em torno da história da cortiça, do trabalho e da vida comunitária da cidade, valorizando os conhecimentos e as experiências de quem viveu esta história.”
Segundo a associação Empreitada, “durante décadas, a indústria corticeira marcou profundamente a paisagem, a economia e as relações sociais de Silves. Para além das fábricas e dos seus espaços de produção, a vida corticeira construiu-se também nas famílias, nas associações, nas relações de vizinhança e nas lutas e vivências de quem trabalhou e cresceu neste território.
É a partir dessas memórias, muitas vezes ausentes dos arquivos institucionais, que a Empreitada pretende desenvolver um processo de construção coletiva de um arquivo comunitário vivo da memória corticeira de Silves.
O encontro convida antigos trabalhadores e trabalhadoras da cortiça, familiares, habitantes de Silves e todas as pessoas que guardam memórias relacionadas com a vida corticeira da cidade a juntarem-se à conversa.
Fotografias, cartas, documentos, objetos e histórias de família podem fazer parte desta partilha. Mas não é necessário trazer um objeto ou uma fotografia: uma história, uma recordação ou um testemunho também são formas de arquivo.
Através da escuta e da partilha, pretende-se reconhecer o valor dos saberes e das experiências da comunidade, contribuindo para a preservação e ativação de uma memória coletiva que continua a fazer parte da identidade de Silves.”
Programa
O encontro inclui a apresentação do livro 1924 Silves — As vozes da Resistência, de António Guerreiro, uma obra dedicada à memória da resistência e das lutas sociais em Silves.
Haverá também uma roda de conversa e partilha de memórias e arquivos da comunidade, aberta a todos os participantes, e uma exposição de desenhos do artista Alan Romeira, inspirados nas memórias do operário corticeiro silvense José dos Reis Sequeira.
A iniciativa pretende criar um momento de encontro entre diferentes gerações e experiências, promovendo a circulação de histórias e conhecimentos sobre a cortiça, o trabalho e a vida coletiva da cidade.
A Terra Renegada: Arquivos Vivos da Cortiça em Silves
O encontro integra o projeto A Terra Renegada: Arquivos Vivos da Cortiça em Silves, promovido pela Empreitada – Associação Cultural do Algarve, que tem como objetivo investigar, valorizar e ativar a memória corticeira, de organização social e resistência sindical de Silves através do cruzamento entre investigação, criação artística e participação comunitária.
O projeto parte do reconhecimento da importância da cortiça na história económica, social e cultural do território, propondo uma abordagem que olha para os arquivos e coleções não como testemunhos estáticos do passado, mas como recursos para a reflexão e a criação no presente.
Através destas práticas, A Terra Renegada procura contribuir para uma leitura mais plural da história da cidade, dando espaço às vozes, memórias e experiências das pessoas que a construíram.
Sobre a Empreitada
A Empreitada – Associação Cultural do Algarve, sediada em Silves, trabalha na valorização da história e da identidade do Algarve através de uma prática que cruza saberes populares locais, investigação académica e criação artística contemporânea.
A associação desenvolve projetos de investigação, mediação cultural, pedagogia crítica e participação comunitária, procurando recuperar histórias apagadas e transformar arquivos, coleções e lugares em espaços vivos de encontro e reflexão.
O seu trabalho parte da ideia de que o património é um direito coletivo e de que as comunidades devem ter um papel ativo na construção e transmissão das suas próprias histórias.







