“Gosto do trabalho que nunca acaba”
Nas últimas eleições autárquicas, um movimento de cidadãos independente, sob a liderança de Márcio Coelho, venceu as eleições para a Assembleia de Freguesia de São Marcos da Serra.
O novo presidente da Junta de Freguesia de São Marcos da Serra assume um compromisso com a população, que passa por inovar e renovar. Defende que o interior tem de ser visto de outra forma e manifesta o gosto por um trabalho que nunca acabe.

Para quem não o conhece, quem é o Márcio Coelho, presidente da Junta de Freguesia de São Marcos da Serra.
Tenho 40 anos, esta foi a freguesia que me viu nascer, em Benafátima, a minha família está ali há muitas gerações. Fruto do falecimento do meu avô, os meus pais foram para a Nave Redonda, no concelho de Odemira, e cresci lá. Mas as minhas ligações familiares são daqui e vínhamos sempre cá. Estudei na Escola Profissional de Odemira e trabalhei na hotelaria. Entretanto, fiz um ano de Gestão de Empresas na Universidade do Algarve, e em 2008, meti os papéis para a Força Aérea… Fiz ainda um ano de Administração Pública no Instituto de Ciências Sociais e Políticas em Lisboa, este já quando entrei para a Força Aérea, uma aventura que durou sete anos e duzentos e noventa e um dias.
Nos últimos três anos, comecei a pensar que tinha um filho com 12 anos e que tinha de encontrar outra forma de servir a pátria e licenciei-me em Serviço Social. Encontrei no Serviço Social aquilo que já era uma característica da minha família… costumo dizer que o verdadeiro assistente social não sou eu, é a minha avó Virgolina. No passado, a minha família tinha uma quantidade considerável de terreno, não tinha dinheiro mas tinha alguns bens e davam guarida a pessoas que apareciam a pedir, em troco de trabalho. Há uns versos que alguém fez sobre as famílias da freguesia e sobre a minha diz : “À dos Brancos encontrarás mantimento”. A minha família eram “os brancos de Benafátima”. “Brancos”, no meu ponto de vista, também quer dizer outra coisa, era ali que encontravam clareza, não encontravam mentira, encontravam a palavra certa.
Depois da Força Aérea, voltei para a Nave Redonda e fiz um salão de eventos que se chama Casa da Nave. O meu projeto de final de curso era fazer um Centro de Dia, porque a aldeia não tem nada. Daí esta minha embirração de querer viver no interior, se fosse viver para outro lado era mais um, aqui posso fazer a diferença.
Entretanto surgiu um convite do Centro Paroquial de Pêra, por parte do senhor Carlos Cristóvão, queriam abrir o serviço de apoio domiciliário e não tinham técnico. Eu, nessa altura, tinha concorrido à Câmara de Monchique, que era perto, 19 quilómetros de casa, e entrei. O mais seguro era ir para a Câmara, mas pensei que tinha de ir para onde o coração me mandava, e fui para Pêra e estive lá cinco anos e fui muito feliz.
Em junho de 2018, houve uma crise na Associação Humanitária de São Marcos da Serra, com a demissão da diretora técnica e o presidente da Junta, Luís Cabrita, meu amigo, estava preocupado com a Associação que estava ainda a recuperar do quase colapso que teve, e porque não é fácil trazer pessoas para trabalhar no interior. Ele ligou-me, estava reunido com a Direção, precisavam de alguém, nem que fosse dois dias por semana. E eu reduzi em Pêra um dia e trabalhava também ao sábado, para garantir que a instituição da terra não caía. Entretanto apanhei ali um ato inspetivo, muito complicado e acabei por me envolver muito mais, até pedi férias em Pêra para resolver os problemas. E conseguimos ultrapassar as falhas, não conseguimos evitar as coimas mas foram reduzidas a mínimas. Depois, fruto do trabalho que tinha feito nesses dois meses, recebi o convite para ficar. Por uns tempos, inverti o ciclo, estava dois dias em Pêra e cinco dias aqui, até que encontraram uma pessoa para me substituir. Nessa altura, envolvi-me também na recuperação do Serrano Futebol Clube, que era urgente.
E a política quando começou?
Sempre gostei e acompanhei o Partido Social Democrata e entrei na militância em 2012, mas, como era militar, não me envolvia em nada. Em 2014, quando saí da Força Aérea, entrei para a área política, fui vice-presidente da Concelhia de Odemira, fui eleito pelo PPP-PSD em Sabóia, o que aconteceu pela 1ª vez e tirou a maioria ao PS. Quando já estava a fazer a minha vida no concelho de Silves, mudei a militância para a Concelhia de Silves. Há quatro anos atrás, fui convidado pelo presidente Luís Cabrita (eleito pelo PSD) para fazer parte da equipa da Junta de Freguesia e fiquei como tesoureiro e aproveitei para aprender como é que a Junta funciona.
Como surge a ideia de criar o Movimento Renovar São Marcos da Serra?
A ideia deve-se a duas questões. A primeira com uma posição do PSD. Quando entrei para a Junta era o único militante do PSD e estava a par do desaparecimento do PSD nas freguesias de Messines e de São Marcos da Serra. A minha matriz é de social-democrata de centro esquerda e os indivíduos à frente do PSD só dizem direita, direita, e eu comecei a não identificar-me com aquilo que as pessoas que dirigem a Concelhia do PSD local querem fazer do PSD.
E em segundo lugar, porque sendo o número três do executivo pensei que era natural ser o próximo candidato, uma vez que o presidente não podia recandidatar-se e o número dois não queria avançar. Entenderam que não, que continuava a fazer parte da equipa, mas noutro patamar. Mas eu acredito muito em mim e falei com o presidente de Concelhia do PSD, João Garcia, e disse-lhe, olha, eu não me quero magoar, nem quero magoar ninguém, vocês fazem o vosso trabalho que eu vou fazer o meu.
As minhas ambições políticas são muito rasteiras, só quero estar na minha terra, não quero ir a mais lado nenhum, mas pensei que isto tinha de ser um pouco mais do que era.
Então fui buscar pessoas ao PS, à CDU, ao PSD, ou que não têm partido e quando montei a minha equipa foi para ocuparem os lugares que eu sabia que tinham competência para os ocupar. A número dois, ia ser a secretária e tem competência para o ser, a tesoureira é uma pessoa que trabalha comigo e conhece a freguesia, o presidente da Assembleia de Freguesia é um militar reformado, uma pessoa credível que tem disponibilidade. E assim, um executivo de três pessoas, na realidade tem quatro, que o presidente da Assembleia de Freguesia está sempre presente. Eu não pedi para ficar na Junta a tempo inteiro, é um direito que a lei me confere e o pagamento vem diretamente do Orçamento de Estado, não sobrecarregava a Junta, mas continuo na Associação Humanitária, prometi que não ia abandonar a instituição e é para cumprir. Mas aproveito muitas vezes o trabalho na associação para trabalhar para a Junta, vou levar pessoas a casa, e acabo por anotar, está aqui esta estrada neste estado, aqui esta pessoa está a precisar disto…
Eu sou muito de ir e acontecer. Gosto de ir para o terreno com os meus funcionários, às quintas-feiras, que é o dia que tenho livre na Associação Humanitária, visto o camuflado que é a minha farda de trabalho (farda nº 3 das Forças Armadas ) não me confundam com um caçador, e vou para o terreno.

Assim que foi eleito enfrentou grandes desafios logo nos primeiros meses, com as tempestades que também afetaram muito esta freguesia.
Havia muitos anos que não chovia assim, muitas barreiras caíram, ficamos com muitas pessoas isoladas, não tínhamos stock de material e tivemos o azar da maquinaria estar toda avariada… era uma total ausência de meios, foi tudo ao mesmo tempo. Mas as pessoas da minha equipa uniram-se e faz mais quem quer do quem pode. Com o presidente da Assembleia da Freguesia, com os nossos funcionários, com ajuda de privados não baixamos os braços e ultrapassamos. E agora é o tempo de recuperar os caminhos e isso é possível porque tivemos uma grande ajuda do nosso Município para recuperar a maquinaria. Tenho que agradecer, porque é uma questão de educação e reconhecimento para quem nos ajuda.
Quais as são competências da Junta de São Marcos da Serra?
Tem várias e outras que são delegadas. Temos a manutenção das vias, a gestão do cemitério municipal e do parque das autocaravanas, a limpeza urbana e acrescentamos outras, como a deservagem das vias alcatroadas. Normalmente é feita por empresas privadas mas falei com o Executivo Municipal e com a Proteção Civil e disse, vamos provar que temos meios. E já fizemos a estrada da Sapeira, a estrada para a Benafátima e vamos fazer todas, temos um trator e uma equipa que está nas estradas não alcatroadas e vias de terra batida e outra equipa que faz a deservagem no outro lado. Colocamos mais meios no terreno, fizemos uma candidatura ao Mais Inclusão, vamos abrir um concurso para entrada de mais operacionais.
Qual o quadro de pessoal da Junta?
Temos 12 funcionários, mais um prestador de serviços e um contrato Mais Inclusão. Vai entrar mais um operacional, fruto da boa negociação da delegação de competências e contratos interadministrativos assinados com o Município de Silves, que nos deu uma verba de cerca de mais 56 mil euros. Também pedimos um trator novo, o que temos é quase da minha idade….
Temos que ver que a Junta de São Marcos da Serra é diferente das outras, porque as receitas próprias são mínimas, são do cemitério, mais dois mil euros da taxa de canídeos e cinco mil euros do IMI… não temos os toldos de Armação de Pêra, ou os mercados municipais como têm Messines, Algoz, Pêra ou Silves. E nas nossas feiras não cobramos nada aos feirantes. Já na reta final do anterior executivo, transferimos a feira, que era feita junto ao cemitério, para o centro da aldeia. E temos carrinhas a transportar as pessoas para as feiras e mudamos de dia, de sábado para quinta-feira, e criou-se uma nova dinâmica.
Essa é a tal renovação que pretendia para a freguesia?
Estamos a começar, mas já apresentamos ao Município dois projetos estruturantes para a aldeia. Um tem a ver com o terreno, que é da Junta de Freguesia e é urbano, e estando o PDM em revisão, pretendemos que passe a zona de construção de habitação.
Queremos construir até 40 fogos, habitação a custo controlado, direcionado a famílias jovens.
Já temos projetos de casas modulares, uma construção mais eficiente, rápida, que se consegue fazer a custo controlado e estamos a trabalhar em estreita colaboração com o Município para esse objetivo. O terreno é na parte de baixo do cemitério, naquela planície e atrás, na zona das oliveiras, vamos instalar uma horta comunitária. Também temos três habitações, que são do Município e que estão devolutas, vamos fazer um ajuste direto para recuperá-las e colocá-las em hasta pública para arrendamento. Com isso, vamos criar um rendimento mensal de cerca de mil euros para a Junta, num ano já são 12 mil euros de receitas próprias.
Qual é o vosso orçamento?
O nosso orçamento é 422 mil euros mas cerca de 65% está elencado aos custos com os colaboradores e despesas de funcionamento. Sobra 35% para fazer todo o resto… por isso temos que aumentar as nossas receitas próprias.
Esses projetos não representam só receitas, mas também mais pessoas….
O desenvolvimento de uma região tem de ser feito de forma integrada e exige uma visão diferente, daquela que muitas vezes existe nas pequenas juntas do interior. Temos de ter equipas com formação multidisciplinar e com uma visão do que é o desenvolvimento. (Há pouco não lhe disse que tenho “congelado” o meu Mestrado em Desenvolvimento Comunitário e Empreendedorismo.)
O desenvolvimento em São Marcos da Serra tem de estar ligado a várias situações e há uma importante: o comboio tem de parar.
Fizemos uma moção que foi aprovada na Assembleia Municipal por unanimidade e foi enviada para a Infraestruturas de Portugal e temos uma resposta, a dizer que a estação de caminhos de ferro de São Marcos da Serra reúne todas as condições para o comboio parar (aliás ele já pára para cruzar com o outro), e agora temos de falar com a CP, e esse é o próximo passo.
A minha impressão é que há gente jovem a instalar-se na freguesia.
Muita gente nova e é por isso que não há habitações. E por isso falo de desenvolvimento integrado. Um exemplo, a Associação Humanitária de São Marcos da Serra, da qual sou Diretor Técnico, tem a licença de obras para uma estrutura residencial para pessoas idosas, para 39 utentes, mas se precisar de mais 10 colaboradores, não há na freguesia. E se tiverem de vir de fora, têm de ter habitação. E não há habitação.
É a pescadinha de rabo na boca.
Para combater o despovoamento e o envelhecimento da freguesia, temos de concretizar aquelas habitações… e vamos fazer com que se concretize, contando com o Município de Silves para a questão da urbanismo e criando parcerias com privados para a construção, será um bairro novo, integrado na malha urbana e onde já existem as infraestruturas… Não sei ainda se vamos criar uma cooperativa de habitação, teremos de criar um regulamento… estamos a trabalhar com entidades que nos podem ajudar…
Acredito genuinamente que não vai aparecer ninguém a fazer uma fábrica em São Marcos, o cluster do desenvolvimento da freguesia, é a economia social.
É o lar da Associação Humanitária e a estrutura para pessoas idosas que o Município tem programada, no projeto de reconversão da antiga estalagem que está parado há vários anos. Um projeto não é indissociável do outro, teremos 39 ou 40 utentes num lado, mais 20 no outro, e temos previsto criar mais 14 postos de trabalho. Quando eu cheguei à Associação Humanitária tínhamos 8 funcionários, neste momento temos 21, somos o maior empregador da freguesia, e crescemos de forma sustentável e sustentada. Apoiávamos cerca de 20 pessoas, agora temos 62 utentes no apoio domiciliário e centro de dia. Com uma vantagem, a economia social não é sazonal. E a economia social gera riqueza à volta, a padaria que vendia 20 pães passa a vender 40, o restaurante passa a servir refeições aos familiares, o comboio traz mais pessoas, pessoas que já não podem conduzir podem voltar à sua terra, isto está tudo ligado. O desenvolvimento do interior não se faz mantendo a situação e sendo uns coitadinhos que não sabemos exigir nada a ninguém, que temos medo, temos vergonha, somos humildes… a humildade é uma coisa, a vontade de vencer é outra. Temos que ter brio e orgulho no que somos.
Quais são os grandes objetivos deste mandato?
Cumprir o programa eleitoral. Ajudar a Associação Humanitária a construir o lar é dos projetos mais importantes. E construir os 40 fogos, imaginamos que a Junta consegue e vende 10 fogos por ano, a 25 mil euros. No final é um milhão de euros. Porque a Junta faz um investimento mas também terá um retorno.
Para estar em certos patamares é necessário ter noção, sabermos das nossas competências. Será que com as outras pessoas que se candidataram em São Marcos, nas últimas eleições, estaríamos agora neste patamar, com todas as dificuldades que passamos neste inverno? Não sei… o povo irá avaliando, durante quatro anos. Porque melhor pode-se sempre fazer.
Não estou a dizer que estava mal, mas vai ficar diferente e quero que fique melhor, com mais receitas, mais pessoal a trabalhar, mas sempre com um grande foco, as pessoas primeiro. Agora começámos numa ponta da freguesia, com a motoniveladora, com a retroescavadora, com o camião, com o cilindro, com a deservagem, não vai ficar ninguém para trás. Estamos a limpar a entrada daquele monte onde não chega uma ambulância, a por a seta naquele caminho que ninguém sabe onde é, a georreferenciar, para os bombeiros. Temos que ter uma máquina de rastos, é dos projetos que achamos essencial, para apoiarmos as associações de caçadores, os proprietários rurais, a Proteção Civil e os nossos Bombeiros Voluntários de Messines, que também faço parte dos corpos sociais e assim sei melhor o que é necessário e os problemas que temos que resolver.
Esperamos investir cerca de 11 mil euros por ano, com a construção de aceiros em toda a freguesia. A par da melhoria da Ribeira de Odelouca que muitas vezes galga o caudal, já tivemos reuniões com Águas do Algarve, vamos ter com a CCDR Algarve e com outras entidades.
E não esqueçamos a nossa ruralidade e que ela deve ser melhor tratada. Há aqui muito valor que está subaproveitado.
Temos condições para vender pacotes com turismos e alojamentos locais, com programas de observação de aves, de perdizes, ir ver os veados, há aqui tanta coisa, não é só a gastronomia e São Marcos não é só a feira do folar.
Estamos a pensar, com as associações, criar a Feira da Pesca e da Caça do Mundo Rural, à entrada da aldeia.
Também queremos fazer algumas coisas para os jovens, criar uma pista de motocross e uma zona para prática de desporto, na baixa da aldeia onde temos dois contentores para um bar de apoio, e casas de banho, uma estrutura amovível. Com a concretização destes projetos, a par do grande projeto que o Município de Silves tem, e que brevemente vai para concurso público, que é a construção de um Parque Urbano com espelho de água, acredito que São Marcos da Serra, daqui a quatro anos, vai ser muito melhor. Estes são os grandes projetos, há outros, como mais alcatroamento de estradas e ajudar as pessoas, sem olhar a quem votou em quem, que somos de todos e para todos.

Quais as maiores dificuldade e potencialidades da freguesia?
Quando passo na estrada para Messines, ali à direita, há uma estrutura abandonada, da GALP; por que é que não se cria ali uma zona empresarial para São Marcos da Serra? É uma necessidade e temos condições, estamos perto do IC 1, perto da A2, perto do Litoral Alentejano…
É um projeto que a Junta não pode resolver sozinha, mas eu não sou daqueles que só dizem, isso não é da nossa competência. Tudo é da nossa competência, que é trabalhar para melhores condições.
E temos que pedir ajuda à Câmara, ao Governo, a outros serviços… é preciso inovar. Hoje em dia, se houver boa internet, e a fibra já está a ser instalada na aldeia, podemos fazer um espaço de coworking, (como o que vai nascer aqui nesta sala) e a pessoa pode trabalhar em qualquer lugar do mundo.
As dificuldades são aquelas que residem na condição de vivermos no interior, numa freguesia muito grande com 166.1 quilómetros quadrados, com a população muito dispersa. Temos pouco mais de 1.300 habitantes, 400 estão dentro do povo, em São Marcos, o Boião tem umas 40 pessoas, há mais um grupo na Azilheira e os outros estão todos dispersos e isso significa mais um caminho, mais uma acessibilidade. Mas como eu gosto é de trabalhos que não acabam, vamos continuando.
Outra dificuldade é a fraca cobertura de telemóvel. Outra questão é termos muitas pessoas que residem cá, mas não estão recenseadas. Se essas pessoas pedirem para arranjar o caminho para casa, nós vamos, mas a Junta está a ser prejudicada. Eu explico que recebemos verbas do Orçamento de Estado com base no número de eleitores e área, mas o grande desafio é sensibilizar as pessoas.
Eu gostava que fossemos vila, mas teríamos de ter 3000 habitantes, nem metade temos, e outros serviços… por exemplo, andamos à procura de uma entidade parceira para instalar um multibanco alternativo no edifício da Junta. Nós estamos dispostos a pagar as despesas, não podemos é ter uma freguesia com um multibanco onde se acaba o dinheiro à sexta-feira. Se quiser fazer um pagamento que precise de comprovativo, tenho de ir a Messines!…
Temos de criar condições. Daí também o nome do nosso movimento “Renovar São Marcos”. Vamos renovar.
Por vivermos no interior, não temos de ser uns totós, e as pessoas já estão a começar a acreditar.
Outra novidade é que criamos uma revista trimestral e vamos ter um site renovado (ainda não está online porque temos tido um problema com o domínio), que terá todos os documentos da junta e uma parte interativa para os cidadãos.
Na última Assembleia Municipal de Silves (28 de abril) apresentou uma Declaração Política afirmando que tem sido alvo de atitudes menos próprias de membros do PSD Silves. Quer falar sobre isso?
O que fiz foi trazer a público aquilo que tenho sido alvo em privado. Como é que alguém me liga às dez e tal da noite, a me pedir explicações porque partilhei um evento da Junta de Silves? Na minha declaração, uso a palavra “fascista” porque considero atos fascistas, tentarem manipular e controlar a minha liberdade e o meu pensamento no meu Facebook pessoal. Ser censurado porque estou a partilhar um evento da Junta de Silves, quando por acaso o presidente até é meu amigo pessoal e vem fazer esse evento em São Marcos da Serra? Eu cheguei a casa, vi essa publicação que a minha secretária partilhou e repartilhei… e surgiu isto!… Depois da minha declaração, o PSD Silves fez um comunicado, como se eu ainda estivesse no partido. Há dois anos que não faço parte da equipa do PSD Silves, não pago quotas e não lhes devo subserviência. Há dois anos escolhi o meu caminho, deixar de fazer parte, embora aqui na Junta tenha cumprido o meu mandato, como tesoureiro, até ao fim.
Eu estou na política há muitos anos e no passado, em assembleias de freguesia, também havia dúvidas, discussões, mas não a agressividade que me é dirigida. Andam a incutir a cultura do medo, isso não é um ato fascista? A censura não é fascista? Quererem que eu apague uma publicação? Jamais.
Estou deveras surpreendido com esta atitude, não esperava agressividade de um partido a que pertenci tantos anos e dei o melhor de mim, sem nunca receber um cêntimo. Nós arrumamo-nos nos partidos nos quais encontramos a nossa ideologia, se temos desilusões é com pessoas que encontramos lá dentro, mas eu não me deixo instrumentalizar por um partido político, vejo o partido político como um instrumento para desenvolver o meu trabalho. E neste momento sou independente, amanhã não sei. Se tiver uma proposta de um grupo de trabalho coeso, forte, capaz, eu posso entrar, como independente. Independente quer dizer que acredito naquele instrumento para desenvolver a minha terra e nas pessoas que me convidaram, mas não estou debaixo daquela bitola.
E não me digam o que fazer, eu conheço este Executivo Municipal desde 2014, quando comecei a trabalhar em Pêra e conheço a qualidade do seu trabalho.
Quando se faz apenas oposição a um executivo, a oposição vai-se fazendo. Mas quando se quer criar uma alternativa, isso é diferente, isso faz-se respeitando a diferença,
Estão-me a dar um destaque desnecessário, eu tencionava só apresentar a declaração, agora tenho de dar resposta ao comunicado…. Acusam-me de ser agressivo, numa guerra há sempre um agressor e um agredido e a violência não é só física. E as coisas que têm escrito no Facebook e a maneira como fui tratado, a forma como alguns elementos da lista do PSD à Junta de São Marcos da Serra e alguns dos seus familiares, me têm denegrido, já fizeram a minha avó e a minha mãe chorar. Muito.
Eu sou social-democrata mas não tenciono de forma alguma voltar ao PSD. Quero deixar a minha família honrada com o meu trabalho na Junta. Posso cometer erros, mas não tenho dúvidas para onde não quero ir. Pode não ser o caminho que escolheríamos mas é aquele com que mais nos identificamos, e com este Executivo Municipal estamos a trabalhar em conjunto, a resolver problemas em São Marcos. Não podem resolver tudo, eu reconheço isso, porque há mais sete freguesias irmãs que têm de ser ajudadas e os recursos não são infinitos. Mas estamos a trabalhar.
Olhando para a oposição, tenho preocupações locais mas também tenho a nível concelhio, há uma aproximação perigosa do PS ao PSD. O que vai acontecer ao PS, a nível concelhio, pode bem ser o que aconteceu em São Marcos da Serra. O PS não soube preparar uma sucessão. Já foi poder 12 anos e agora, pela primeira vez na história, como é possível não existir um representante do Partido Socialista na Assembleia de Freguesia de São Marcos da Serra?
No final do seu mandato, o que gostava de ouvir dizer e como gostava de se sentir?
Gostava que a população se sentisse acarinhada e que sentisse que fizemos o melhor que podíamos. Tenho de sair daqui como quando saí a última vez da Base Aérea, com a sensação de dever cumprido. Sair com orgulho, como vou todos os dias para casa, com o dever cumprido.







