No Dia do Município de Silves, dia 3 de setembro, a cidade recebeu mais uma boa notícia, com a divulgação do comunicado das promotoras imobiliárias Antrix e Carvoeiro Branco, que anunciaram a aquisição da Fábrica do Inglês, em Silves e o projeto de reabilitação que pretendem concretizar.
Este contempla a preservação e reabilitação dos edifícios históricos, com destaque para o icónico chalet do século XIX, que será uma casa de chá, e a criação de uma unidade hoteleira de charme, com 50 quartos, que deverá criar 80 postos de trabalho.
O investimento ronda os 25 milhões de euros, com obras a arrancar em 2026 e conclusão prevista para 2029.
“A Fábrica do Inglês é um marco incontornável da memória coletiva de Silves. O nosso objetivo é preservar a sua identidade e devolver-lhe vida com um novo propósito que valorize o território e respeite a sua história. Orgulhamo-nos de estar em posição de reativar um espaço tão relevante para a cidade e para o Algarve” afirma Erik de Vlieger, co-fundador e presidente da Antrix, cargo que acumula com o de CEO da Carvoeiro Branco.
A reabertura do Museu da Cortiça, distinguido em 2001 como o melhor museu industrial da Europa, ano em que recebeu mais de 100 mil visitantes e encerrado em 2009, na sequência da falência do proprietário da Fábrica do Inglês, o Grupo Alicoop/ Alisuper, é assegurada pelos novos promotores. Segundo as previsões, a reabertura do museu deve acontecer já no primeiro semestre de 2026.
O comunicado destaca ainda que “a concretização deste projeto não teria sido possível sem o apoio firme da Câmara Municipal de Silves. Destaca-se a visão e o contributo importante da Presidente Rosa Palma e da Vice-Presidente Luísa Conduto, assim como a intervenção do Vereador Maxime Sousa Bispo, com o pelouro do ordenamento do território e urbanismo, e dos serviços de gestão urbanística sob a sua alçada, cuja colaboração institucional e técnica foi decisiva para a concretização deste investimento, impedindo a degradação do espaço e preparando o caminho para esta nova fase. O reconhecimento estende-se também ao Banco Atlântico Europa S.A., parceiro essencial neste percurso.”
Para reforçar a ligação já existente entre as promotoras e a cidade de Silves, anuncia-se a futura instalação dos escritórios da Antrix e da Carvoeiro Branco na cidade. Outra manifestação do interesse do empresário Erik de Vlieger por Silves assenta também num importante patrocínio ao Silves Futebol Clube.
Um legado industrial e cultural que atravessa séculos
A Fábrica do Inglês teve as suas origens em 1894, quando foi construída como unidade de transformação da cortiça, uma das indústrias mais relevantes para a economia algarvia do século XIX e XX. Em 1908, Victor Sadler, cidadão britânico, é contratado para a gestão da unidade fabril, ficando para sempre associado à sua identidade e à origem do nome “Fábrica do Inglês”.
Após o encerramento da atividade industrial, o complexo foi reabilitado e em 1999 abriu ao público o Museu da Cortiça. Nos anos seguintes, acolheu também concertos, exposições e eventos culturais.
A unidade acabaria por encerrar em 2009, iniciando-se um longo período de abandono e degradação. Com o objetivo de defender esse legado histórico, em 2010, a Câmara Municipal classificou-a como Imóvel de Interesse Municipal.
Em 2014, os edifícios e bens imóveis integrados (espólio do Museu da Cortiça) foram leiloados e adquiridos pela Caixa Geral de Depóstos e pelo grupo Nogueira. Os novos proprietários nada fazem, o complexo muda novamente de mãos até que, em 2019, a Câmara Municipal de Silves anuncia que aprovou, por unanimidade, um pedido de informação prévia que considera viável o licenciamento de obras de alteração dos edifícios existentes e a construção de novos, na Fábrica do Inglês. Nomeadamente um aparthotel de cinco estrelas com 130 apartamentos turísticos, SPA, piscina e restaurante. O investidor, a empresa de construção Colossalweek, do Porto, previa investir mais de 20 milhões de euros e iniciar as obras ainda em 2020. A pandemia e outros fatores levaram a mais atrasos na concretização destas intenções.
Foi nesse contexto que a Antrix e a Carvoeiro Branco iniciaram diligências com vista à aquisição e recuperação do espaço, “reconhecendo a sua importância histórica e cultural.”
Agora, em setembro de 2025, com novos promotores, a Antrix e a Carvoeiro Branco, empresas que têm em mãos importantes projetos imobiliários no Algarve, como é o caso da requalificação da antiga fábrica BelaOlhão, um investimento de 300 milhões de euros, a reabilitação da Fábrica do Inglês ganha um novo fôlego.








