Na comemoração dos 25º aniversário, o jornal Terra Ruiva presta tributo aos colaboradores que já nos deixaram. Em memória de José Baeta.
OS ONZE ESTRELAS
Relembrei, no artigo do número anterior, sob o título de: “Só se lembra dos caminhos velhos quem tem saudades da terra”, a Oficina do Mestre Zé Cercas e os assuntos que lá se afloravam e discutiam. Um desses assuntos era a táctica de jogo dos “Onze Estrelas”.
Pois é dos “Onze Estrelas” que venho agora falar. Não se trata de nenhum estudo documentado e exaustivo sobre as origens e desenvolvimento desta equipa popular de futebol, apenas do relembrar de imagens que transporto na memória e das conversas recentemente havidas, em torno desta foto que o Zé Medronho ofereceu outro dia ao Zé João Mateus, (de pé, ao centro) a qual já mandei reproduzir para levar um exemplar ao Eduardo Jorge, (o mais baixo em pé).
Suponho que os “Onze Estrelas” terão surgido para ocupar o lugar deixado em aberto pelo “Grupo do Artur”, após a prisão do Artur Catarino, pela PIDE, por actividades de agitação e propaganda contra o Regime Fascista de Salazar.

No “Grupo do Artur” e, posteriormente nos “Onze Estrelas” alinhava a malta de Silves que tinha mais jeito ou menos jeito para jogar à bola e que se encontrava disponível em cada domingo. Comentava o Zé João, ainda outro dia, num fim-de-semana que veio cá passar comigo, que os “Onze Estrelas” eram para aí uns quarenta; e que nunca terão havido dois jogos seguidos com a mesma equipa.
Jogavam jogadores não titulares do Silves e dos Juniores do Silves, ou titulares mas em época de defeso; outros habilidosos que, tendo ou não passado pelos Juniores, não tinham feito carreira no Silves. E jogava o Zé Xana, antes e depois do jogo, carregando orgulhosamente o saco das botas ou dos equipamentos, acompanhando a comitiva, quer a deslocação fosse de automotora ou de excursão previamente organizada.
Jogador efectivo e permanente, capitão de equipa, seleccionador, director do grupo e “Director de Marketing” era o Joaquim Cartaxo (em baixo ao centro), corredor de fundo, carburando a vinho tinto. Ajudante de distribuição de vinhos, pirolitos cervejas e laranjadas da casa Ventura Duarte, estabelecia os contactos com as outras equipas amadoras de Tunes, Algoz, Messines, Ferreiras, S. Marcos da Serra, Armação de Pera, Monchique, etc.. Para financiar as deslocações da equipa, era frequente a organização de excursões, designadamente a Monchique o que incluía piquenique nas Caldas.
Pelas minhas contas esta foto datará de 1962, uma vez terminado o périplo dos juniores; aliás esta equipa é constituída na quase totalidade por elementos da equipa de juniores de 1961/62. Digo isto porque eu integrei a equipa de juniores, como jogador não titular, dois anos depois, em 1963/64, no segundo ano do Benedito e do Pacheco e no primeiro do Miguel Zé, tendo passado a alinhar uma vez por outra nos “Onze Estrelas” quando o treinador do Silves (na altura o Sr. Vinagre) deixou de me convocar para suplente, por ter falhado um golo frente à baliza do S. Brás de Alportel, supostamente por ter estado, até às cinco da manhã, no Baile da Música. (Quem salvou o jogo foi o Fernando Alves da Silva com um golo de cabeça, de bola centrada por mim; curiosamente o Fernando também estivera no baile mas provavelmente só até às três horas).
José Baeta
Maio 2007









