O descerramento de uma placa na casa onde nasceu em Silves, na rua 25 de abril, João Rocha de Sousa, e uma visita à exposição, centrada em parte da sua obra, que se encontra na Biblioteca Municipal, foram os momentos marcantes da homenagem que decorreu no dia 4 de novembro.
A cerimónia de descerramento da placa contou com a presença da presidente da Câmara Municipal de Silves, Rosa Palma, acompanhada por todo o executivo permanente, os vereadores Luísa Conduto Luís, Maxime Sousa Bispo e Tiago Raposo. Estiveram também na homenagem, o presidente da Junta de Freguesia de Silves, Tito Coelho, a presidente da Assembleia Municipal de Silves, Ana Sofia Belchior e o presidente da CCDR Algarve, José Apolinário. E igualmente alguns familiares e amigos.

A chuva que caía intermitente apressou um pouco esta cerimónia inicial, tendo intervindo a presidente da Câmara Municipal, apenas para assinalar o momento e a sua importância para a cidade.
Já na Biblioteca Municipal de Silves, junto à exposição “Aqui Ficarei”, a presidente Rosa Palma retomou a palavra, destacando a importância da obra do professor Rocha de Sousa no domínio de várias artes e a importância da Arte enquanto factor da formação humana. Rosa Palma lembrou ainda que o espólio de Rocha de Sousa foi oferecido à Câmara Municipal de Silves, o que agradeceu, falando também da “responsabilidade” que a autarquia tem em mãos para responder condignamente a essa oferta.
Também o presidente da CCDR Algarve, José Apolinário se mostrou impressionado com a obra de Rocha de Sousa que, como admitiu, passara a conhecer depois de ter recebido o convite para esta cerimónia.
Em nome da família, falou a sobrinha Daniela Rocha de Sousa que deixou um agradecimento à Câmara Municipal de Silves por esta homenagem.
Aqui Ficarei
A exposição “Aqui ficarei”, cujo título é o mesmo do último artigo publicado por Rocha de Sousa no Terra Ruiva, está dividida em cinco núcleos: textos de imprensa, textos didáticos e ensaístas, textos de ficção, programas didáticos e culturais e filmes, vídeos de ensaio e documentários. Apresenta também uma entrevista com o autor.
Esta exposição estará na Biblioteca Municipal até 30 de novembro. Está previsto que terá uma segunda parte, a decorrer na Igreja da Misericórdia, de janeiro a março de 2024, tendo como objeto a sua obra plástica.
João Rocha de Sousa

João Rocha de Sousa, nasceu em Silves, em 1938, e faleceu em Lisboa, em outubro de 2021. Foi artista plástico, pintor, crítico de arte e professor universitário.
Esta página de jornal não seria suficiente para explanar o seu longo currículo, alargado a tantas áreas e tão profícuo: Foi professor na Faculdade de Belas- Artes da Universidade de Lisboa e professor convidado da Universidade Aberta, onde investigou e lecionou Tecnologia do Vídeo.
Foi membro correspondente da Academia Nacional de Belas-Artes, da Associação Internacional da Crítica de Arte e teve uma larga participação na programação da Sociedade Nacional de Belas Artes.
Com uma larga atividade artística, expôs no país e no estrangeiro, em centenas de exposições coletivas e realizou cerca de vinte exposições individuais.
Foi em Silves, aos 17 anos, que publicou o seu primeiro artigo “Deve haver em Silves uma cultura?”, publicado em dois números do jornal “Voz do Sul” (11 e 18 de maio de 1957”. Foi também em Silves, que publicou o seu último artigo “Os enganos da regionalidade”, publicado no Terra Ruiva (julho de 2019).
Desta sua atividade em jornais, ficam centenas de artigos publicados no Diário de Lisboa, Colóquio Artes, Seara Nova, Sinal, Artes Plásticas, Jornal de Letras e inúmeros jornais algarvios, entre os quais o Terra Ruiva – Jornal do Concelho de Silves onde foi autor de diversas crónicas publicadas entre 2015 e 2019.
Participou em conferências, visitas guiadas, em paralelo com trabalho de pesquisa e ensaio em cinema e vídeo, com diversos filmes realizados.
Publicou vários estudos de carácter pedagógico, didático e técnico bem como ensaios monográficos de artistas portugueses seus contemporâneos como Pedro Chorão, Eduardo Nery ou Dourdil.
No plano literário tem uma extensa bibliografia publicada: Amnésia (teatro), Angola 61 – uma Crónica de Guerra, A Casa, Os Passos Encobertos, A Casa Revisitada, A Culpa de Deus, Belas Artes e Segredos Conventuais, Coincidências Voluntárias, Talvez Imagens e Gente de Um Inquieto Acontecer, Lírica do Desassossego, Narrativas da Suprema Ausência e Os Fantasmas de Lisboa.
Distinguido pelo Município de Silves, em 2019, com o Prémio Arte e Cultura, Rocha de Sousa escreveu no agradecimento que veio a ser publicado no jornal Terra Ruiva (Out. 2021): «aqui ficarei, aqui ficarei, ponto histórico que me obriga a nacionalidade, verdade das raízes, de novo as imagens, memória, um corpo, um testemunho com registo de morada».
“Esta exposição é mais um movimento no sentido dessa permanência. Em Silves e em nós.”









