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EntrevistaSociedade

André Boto – “Agrada-me construir imagens além daquilo que os nossos olhos veem”

Terra Ruiva
Última Atualização: 2022/Mar/Ter
Terra Ruiva
4 anos atrás
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Aos 36 anos, o fotógrafo silvense André Boto já perdeu a conta aos prémios nacionais e internacionais que recebeu. Em 2010 a sua carreira teve um grande impulso quando foi nomeado Fotógrafo Europeu do Ano pela Federação Europeia de Fotógrafos Profissionais. Em 2021foi premiado em França, EUA e Itália. E em 2022 já ganhou um grande prémio, nos EUA.

Com o seu trabalho quer  “conseguir deixar uma marca pessoal que perdure no tempo na área da fotografia/arte”.

–André, em 2010, o Terra Ruiva publicou um artigo sobre um jovem fotógrafo de Silves que tinha sido o vencedor na categoria Natureza do Concurso Nacional de Fotografia National Geographic… depois disto temos visto constantemente o seu nome envolvido em vários prémios nacionais e internacionais ou na criação da imagem da Feira Medieval de Silves. Começando então pelo princípio, antes das distinções, como se iniciou o seu percurso na fotografia?
A fotografia surgiu aos 18 anos, altura em que me ofereceram uma pequena camera de 2 dois)megapixel como prenda de aniversário. Nessa fase inicial, serviu como complemento ao desenho a lápis/carvão, pois ao fotografar podia desenhar à vista utilizando fotografias dos locais por onde passava, sem ter de desenhar no próprio local e ter de lá permanecer durante horas. Entretanto, o interesse pela fotografia foi aumentando, ao ponto de começar a interessar-me mais pela fotografia do que pelo desenho. A mudança veio nessa fase.

Gelatina (Foto de André Boto)

–Os seus trabalhos fotográficos são elaborados, obedecem a uma conceção prévia e depois parecem obras de arte. Pode explicar-nos que tipo de fotografia faz, e porque enveredou por esse estilo.
Interessa-me bastante a fotografia conceptual, um género de imagem que é construída com base num conceito pensado previamente, algumas vezes com uma forte componente de edição de imagem em Photoshop. É habitualmente um tipo de trabalho demorado, pois passa por uma fase de pesquisa e desenvolvimento de ideias de forma a garantir que o resultado final tem impacto no espetador. Agrada-me principalmente a possibilidade/liberdade de poder construir imagens além daquilo que os nossos olhos veem.

Poluição (Foto de André Boto)

– A par da fotografia, enquanto autor, a que outras atividades profissionais se dedica?
Cada vez mais a minha vida é sobre fotografia, pelo que, além da atividade profissional completamente ligada à fotografia, também os hobbies circulam em volta da fotografia com a realização de projetos pessoais. Em termos de trabalho fotográfico para clientes, realizo principalmente fotografia comercial nas áreas de arquitetura e interiores (maioritariamente para hotéis e empresas), indústria dos mais variados géneros, publicidade, produto e fotomontagem/edição de imagem.

– Falando da sua carreira, esta resposta vai ocupar muito espaço, mas pode enumerar todos os prémios que já recebeu?
Neste momento já não consigo enumerar todos. Inicialmente tive o objetivo de chegar às 100 distinções, depois de atingir esse número (talvez há cerca de 4/5 anos atrás), passei apenas a anotar/atualizar as distinções mais relevantes no currículo. Ainda assim, deixo em baixo a listagem daquelas que mais me orgulham:
2022- Grand Prize no Colorado Environmental Film Festival Photography Awards 2022, E.U.A.
2021- Vencedor absoluto dos WPE Awards 2021, França.
2021- Medalha de Platina nos Muse Photography Awards 2021, E.U.A.
2021- 1º Prémio na categoria de Produto nos Creative Photo Awards 2021, Itália.
2020- 1º Prémio na categoria de Produto nos Creative Photo Awards 2020, Itália.
2020- Medalha de Ouro no concurso San Francisco Bay International Awards, E.U.A.
2019- Medalha de prata nos MIFA Awards 2019 – Rússia.
2019- Vencedor da categoria “Digital manipulation/collage” nos “13th Pollux Awards,” Espanha.
2016- 3º Prémio no concurso “NYC4PA – Macro” – EUA.
2016- MQEP – Master Qualified European Photograher com trabalho de fotografia de interiores.
2015- 1º Prémio no concurso “Black and White Photography – Art Competition”.
2014- 1º Prémio no “The Digital Artist Photography competition, por The Societies.
2012- “Silver Camera Award” no Concurso – Fotógrafo Europeu do Ano de 2012.
2010- Fotógrafo Europeu do Ano de 2010 pela FEP – Federação Europeia de Fotógrafos Profissionais.
2010- MQEP – Master Qualified European Photographer com trabalho de fotografia Ilustrativa.
2010- Nomeação para Melhor Trabalho de Fotografia, cat. Artes Visuais no Prémio Autores 2010 SPA/RTP. 
2010- Vencedor da categoria de Natureza do Concurso Nacional de Fotografia National Geographic.
2010- QEP – Qualified European Photographer em Fotografia Ilustrativa (2009) e em Retrato (2010).
2007- 1º Prémio no 1º concurso de fotografia “Cómo vês la Ciencia?” – Espanha.
2006- 1º Prémio no concurso de Fotografia de Ciberamérica “Iberoamérica en Imágenes”, Espanha.

– Há ainda algum grande objetivo/prémio/ distinção que lhe tenha escapado e que queira alcançar? Ou algum objetivo profissional?
Os meus dois principais objetivos profissionais são: divertir-me a construir imagens e conseguir deixar uma marca pessoal que perdure no tempo na área da fotografia/arte, e isso é quase um projeto de vida, que penso, deva passar por construir uma carreira sólida, com um estilo de imagem próprio e reconhecível.
As distinções acabam por ajudar nesse caminho pois fazem com que o meu nome seja mencionado em vários meios. E muito importante, as distinções são também uma espécie de receita motivacional que me motiva a criar mais. Há sempre alguns concursos apelativos e que me motivam a querer participar e querer estar no seu top, principalmente a nível internacional nos quais a concorrência é maior e participam os melhores fotógrafos.
Voltar a ter uma posição de topo no concurso “Fotógrafo Europeu do Ano” pela FEP, vencer um dos concursos promovidos pela plataforma OneEyeLand, ou vencer um prémio máximo (Grand Prize) de concursos internacionais seriam muitos bons resultados que gostaria imenso de atingir.

-Tem sido o criador da imagem da Feira Medieval de Silves… mantém uma ligação à cidade e ao concelho? E como tem sido esse desafio?
Mantenho sempre ligação à cidade de Silves, por ter vivido toda a minha infância na cidade, por lá ter família, por lá ir com relativa frequência. O facto de fazer alguns trabalhos esporádicos relacionados com Silves ou no Algarve, faz-me voltar não perdendo a ligação com a cidade de Silves.
O trabalho da Feira Medieval de Silves é sempre um desafio divertido, pois quase sempre que recriamos algo de uma época passada, há uma parte de trabalho mais abstrata, com espaço para a criatividade e essa é a parte que me fascina.

-A terminar, a pergunta obrigatória a qualquer criador/artista: o que pretende dizer através da sua arte?
Numa época em que toda a gente fotografa (nem que seja com o telemóvel) e a internet está impregnada de imagens, fazer imagens simplesmente bonitas e tecnicamente corretas não é suficiente, é preciso que a imagem seja ou diferente do comum e/ou tenha uma mensagem forte, é necessário comunicar com os consumidores das nossas imagens e despertar emoções/sensações.
De momento estou a interessar-me bastante por explorar temas que nos afetam de alguma forma, tais como a poluição, aquecimento global, extinção das espécies, a dependência do telemóvel e das redes sociais ou a violência doméstica.

Prestamos atenção ao que realmente importa (Foto de André Boto) Modelo: Mikinha Miki

 

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