A Plataforma Água Sustentável (PAS) divulgou um comunicado no qual comenta a providência cautelar contra a construção da dessalinizadora do Algarve e “relembra as contradições graves da política de gestão da água no Algarve”.
A PAS considera que a entrada, a 26 de abril de 2026, de nova Providência Cautelar submetida pela SEACLIFF ( a empresa proprietária dos terrenos expropriados para a construção) contra atos administrativos que pretendem sustentar a construção da Estação de Dessalinização do Algarve (EDAM) “é mais uma prova da profunda descoordenação e falta de transparência na condução do processo de instalação da dessalinizadora na praia da Falésia em Albufeira.”
A PAS reitera mais uma vez que “a construção da central de dessalinização terá elevados custos para todo o ecossistema marinho, incluindo a degradação de habitats e a perda de biodiversidade. Impacto este que acabará por afetar diferentes atividades económicas da região, nomeadamente as ligadas ao turismo e à pesca. “
Para esta plataforma que reúne várias associações ambientalistas, “a produção anual de cerca de 6% do volume de água consumida na região não justifica um tal investimento, tendo em conta o impacto associado numa zona privilegiada da costa algarvia.
Sublinha ainda que a iniciativa judicial da nova Providência Cautelar, cuja consequência legal imediata é a suspensão das obras da dessalinizadora, surge no mesmo momento em que o “Governo anuncia o levantamento das restrições ao licenciamento de novos furos, apesar de continuarem a existir aquíferos em situação crítica, segundo dados oficiais do SNIRH.”
Para a PAS, esta decisão governamental “levanta sérias dúvidas sobre os critérios técnicos utilizados e sobre a coerência das medidas adotadas.”
Ao reconhecer a extrema importância das massas de água subterrânea, como reservas a preservar para o futuro,” a PAS considera irresponsável avançar com novas captações subterrâneas sem garantir primeiro a completa recuperação dos sistemas aquíferos existentes, quer em quantidade, quer em qualidade.”
A Plataforma recorda ainda que o Governo continua a insistir em soluções de grande impacto ambiental, como novas barragens e a própria dessalinizadora, em vez de resolver definitivamente problemas estruturais como as perdas nas redes de abastecimento, que permanecem acima dos valores aceitáveis e representam milhões de metros cúbicos de água desperdiçada todos os anos.
Para a PAS, “é urgente que o Governo apresente uma estratégia integrada, baseada em dados científicos atualizados, que priorize medidas de gestão que otimizem a eficiência hídrica – recuperação das redes urbanas e agrícolas e reutilização da água, o aumento da intrusão salina nas ETARs, a recuperação dos ecossistemas e a gestão sustentável dos recursos, em vez de medidas avulsas e contraditórias .”







