Em décadas passadas, “o Carnaval era um ponto alto do calendário social em Alcantarilha, cheio de vida e tradição, com forte ligação à identidade da vila”.
É esta época que se encontra retratada nas fotos de José Guerreiro Rodrigues, organizadas na exposição “O Carnaval de Alcantarilha, Não tem Rival, em Maravilha” que pode ser vista até ao dia 2 de maio, no Centro de Exposições de Alcantarilha.
No edifício do antigo mercado, recuperado e transformado pela Câmara Municipal de Silves, no Largo Humberto Delgado, as fotos de José Guerreiro Rodrigues permitem um olhar para o passado, para carros alegóricos com gente sorridente, representativos da comunidade desse tempo.
“Esta mostra reúne um conjunto significativo de fotografias da autoria de José Guerreiro Rodrigues, integradas num valioso acervo composto por cerca de duas centenas de imagens que retratam diferentes momentos da história e da vida de Alcantarilha”.
Aqui estão parentes as características do Carnaval de Alcantarilha, como os “desfiles vivos e alegres, com carros alegóricos coloridos em ambiente festivo, entre os quais se destaca o Hino que acompanhava as festividades”, a “memória e património com as celebrações da época registadas” e a “tradição viva”.

A mostra é organizada pela Câmara Municipal de Silves em parceria com a Associação de Defesa do Património Cultural e Natural de Alcantarilha – ALPEDA.
Pode ser visitada de terça a sábado, das 13h às 19h.
José Guerreiro Rodrigues – 1921-2012
O autor das fotos, José Guerreiro Rodrigues é uma personalidade inscrita na história recente de Alcantarilha. Nasceu em Alcantarilha, a 29 de novembro de 1921, local onde iniciou a sua atividade comercial, em 1945. Estabeleceu-se em áreas diversas como tecidos, retrosaria, mercearia, jornais e revistas, expandindo depois para o negócio de fogões e esquentadores, que não existia em Alcantarilha. Foi ainda correspondente de vários bancos e companhias de seguros.
No fim dos anos 50, assumiu novas responsabilidades ao aceitar o Posto do Registo Civil e foi representante da Junta de Freguesia de Alcantarilha, no Conselho Municipal das Juntas de Freguesia da Câmara Municipal de Silves, entre 1960 e 1975. Desta forma contribuiu para a instalação do Posto da GNR em Alcantarilha, em 1968. Por essa altura, iniciou também um serviço de táxis (1968-97).
O gosto pela fotografia acompanhou-o desde o tempo do serviço militar. Autodidata, foi lendo e aprendendo e criou um casa um laboratório, de onde surgiram muitas das primeiras fotografias de Alcantarilha, dos anos 50 e 60 do séc. XX.
“Graças a esse trabalho, construiu um reportório de imagens que hoje permite manter vivas muitas das memórias desta terra e que hoje nos recordam (e mostram às gerações mais novas), locais, pessoas, profissões, festas, eventos e ambiente que, de outra forma, já teriam desaparecido da memória”.
(Nota: As referências biográficas e as citações deste texto fazem parte do catálogo da Exposição.)

O Carnaval de Alcantarilha
Não Tem Rival, em Maravilha
O Carnaval de Alcantarilha
Não tem rival, em maravilha
E nestes dias não há tristeza
Há gargalhadas, bailes cegados à portuguesa
Quando Alcantarilha canta
O povo encanta gosta de ouvir
Vai no ar uma canção como um balão que quer subir
É Carnaval atraente e o imponente cortejo que brilha
É cantar, dançar e mostrar o que é, esta Alcantarilha
O Carnaval de Alcantarilha
Não tem rival, em maravilha
E nestes dias não há tristeza
Há gargalhadas, bailes cegados à portuguesa
Letra de Vítor Luz




