As barragens do Algarve têm nesta altura água suficiente para garantir o consumo urbano por três ou quatro anos, mas o aquífero Querença- Silves, o maior da região, está a menos de 20% da sua capacidade.
Segundo os últimos dados divulgados pela APA, no final do mês de novembro, as barragens do Algarve encontravam-se na melhor situação dos últimos dez anos, com uma média de 72% da sua capacidade. A Barragem de Odelouca estava a 77%; a barragem do Arade com 58,8%; a Barragem do Funcho com 79,3%. No sotavento, a maior barragem, de Odeleite, estava a 76% da sua capacidade.
Apesar desta situação, bem mais confortável do que aquela que se tem vivido nos últimos tempos, a seca muito prolongada que tem afetado o Algarve colocou num nível crítico as reservas subterrâneas da região, sendo necessário que chova muito mais tempo, de forma continuada, para que possam voltar aos níveis normais. No Observatório da Seca, analisando o aquífero Querença-Silves, verifica-se que, apesar de ter havido uma estabilização no sector ocidental no final de 2024 devido à precipitação, os níveis continuam críticos, com alguns pontos de monitorização a atingir o mínimo histórico registado. A recuperação do aquífero tem sido muito pouco significativa.
O presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, Pimenta Machado, já deixou o alerta para a necessidade de saber gerir bem a água para os próximos anos, porque a seca não acabou e é necessário que o Algarve se prepare para enfrentar o desafio da gestão da água. Porque este ano tivemos sorte, mas não podemos contar com a sorte.


