A poetisa algarvia Lídia Serras Pereira vai ser homenageada pelo poeta natural de Tunes, Luís Carlos Vicente Ramos, no evento Ciranda: Jogo de Palavra Falada, que decorre no próximo dia 10 de dezembro, na Casa Capitão, em Lisboa, a partir das 19h30.
Ciranda: Jogo de Palavra Falada é um evento de poesia criado em 2018 livremente inspirado no formato de poetryslam. Cada participante representa uma pessoa escritora já falecida e, em três rondas, faz apresentações/leituras de até três minutos cada.
Uma das escritoras homenageadas na próxima edição deste evento será a romancista, escritora de literatura infantil e poetisa Elvira Lídia Valente Correia Serras Pereira. Nascida no Algoz a 29 de janeiro de 1903, passou a infância em Albufeira. Frequentou o liceu em Setúbal e em Lisboa (Passos Manuel).Esteve empregada como analista no Hospital Escolar, lugar que abandonou quando se casou, em 1931, com o escritor e filósofo António Serras Pereira, natural da vila do Sardoal, após se terem conhecido num baile da faculdade. Tiveram uma única filha, Maria Helena. Desde muito cedo revelou a sua vocação literária com poesias publicadas nos jornais do Algarve. A imensa colaboração em jornais e revistas manteve-se durante toda a vida. Participou em variadíssimos concursos entre 1938 e 1963, de entre os quais se destacam os jogos florais realizados um pouco por todo o país, tendo recebido inúmeros prémios e menções honrosas. Enquanto residiu no Sardoal, foi uma importante militante associativista, integrando os grupos cénicos que se constituíam para apresentação de récitas. Em conjunto com Gregório Cascalheira foi autora de muitos textos e versos desses espetáculos. Faleceu a 22 de março de 1964, em Montemor-o-Novo, onde se encontrava de visita à filha.
Para além de Lídia Serras Pereira, lida por Luís Carlos Vicente Ramos, serão também homenageados os poetas Florbela Espanca por Ana Cláudia Santos; António Botto por Cristiano Pedroso-Roussado; Mário Cesariny por Mariana Varela; Diane di Prima por Li Alves; Dona Rosa da Farinha por Manuela Castilho; Maria Teresa Horta por Ricardo Leal Lemos; e Uanhenga Xito por Edson Kiala.
Ciranda propõe a aproximação e fricção entre a tradição e a contemporaneidade; e surgiu com a finalidade de arejar a memória dos textos que deixaram importantes legados, trazendo a força da voz de pessoas contemporâneas para presentificá-los. A apresentação traz, além dos textos, biografias curtas de quem está sendo lida, além de apresentar também o trabalho de quem lê.
Os encontros são conduzidos pelas poetas AnnaZêpa e Maria Giulia Pinheiro, idealizadoras do evento e que têm a palavra falada como parte de suas pesquisas na literatura.
O evento é de entrada gratuita.

Luís Carlos Vicente Ramos (n. 1998, Tunes) é licenciado em filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e mestre em ética e filosofia política pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. É o criador do projeto digital de divulgação cultural “O Cravo de Tunes”.


