Na sequência da instauração da República, em 5 de Outubro de 1910, foi aprovada a Lei de Separação do Estado das Igrejas (Dec. Lei 20 Abril 1911) que determinou a liberdade de consciência e a liberdade religiosa, deixando a religião católica de ser a religião oficial do Estado. Como consequência económica foram nacionalizados os bens da igreja católica e procedeu-se ao inventário de todos os seus bens móveis e imóveis. Para efectuar esses arrolamentos, foram criadas comissões concelhias, com a obrigação de iniciarem os trabalhos, por freguesias, a 1 de Junho e concluírem-nos no prazo de três meses.
No concelho de Silves, começou-se pela freguesia da cidade, precisamente a 1 de Junho. Seguiram-se São Marcos da Serra (23 de Agosto), São Bartolomeu de Messines (28 de Agosto), Algoz (4 de Setembro), Pêra (9 de Setembro), e Alcantarilha (18 de Setembro). Os inventários conservam-se no Arquivo Histórico do Ministério das Finanças.
Do “Arrolamento ou inventário dos bens mobiliários e imobiliários da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade e capelas erectas dentro no Algoz”, extraímos as informações relativas às imagens então existentes:

Capela-mor da Igreja de Nossa Senhora da Piedade – imagens de N. S. Piedade*, Santa Bárbara*, São João com o Menino.
Capela de Santo António – Santo António com o Menino*, São José*.
Capela de Nossa Senhora das Dores – N. S. Dores*, São João Evangelista*, Nossa Senhora da Boa Morte*, Nosso Senhor Morto no Esquife*, Nosso Senhor Preso à Coluna, Nosso Senhor da Cana Verde.
Capela de São Francisco – São Francisco, São Luís*.
Capela da Sacristia – Nossa Senhora da Conceição, São José.
Capela das Almas – São Pedro*, São Miguel*, Senhor dos Passos.
Capela de Nossa Senhora do Rosário – N. S. Rosário*, N. S. Conceição*.
Capela do Santíssimo Sacramento – (algumas cruzes e nenhuma imagem de santos).
Ermida de Nossa Senhora do Pilar – N.S. Pilar*, Santa Luzia*, São Joaquim.
Ermida de S. Sebastião – S. Sebastião*.

Observações:
1.As imagens assinaladas com asterisco foram referenciadas por Francisco Lameira, Inventário Artístico do Algarve, vol. XV Concelho de Silves, 2000, pp. 75-121. Este autor poderá ter omitido uma ou outra imagem (p. ex. Senhor dos Passos), por não estar acessível quando da sua visita, fosse por estar em restauro ou por outro motivo. Menciona também uma imagem de N. S, Carmo, do séc. XVIII, na capela das Almas que não consta do inventário de 1911. E identifica como São Paulo, uma imagem proveniente da ermida de N. S. Pilar, referida no inventário e noutras fontes como São Joaquim.
2.A ermida de S. José já estava profanada em meados do séc.XIX e as imagens foram recolhidas na igreja matriz. No inventário de 1911, parece haver um erro na referência à imagem de São João com o Menino (não referida em nenhuma outra fonte). Deve tratar-se de São José com o Menino, tal como existe na capela de Santo António, pois a ser São João, representado como adulto, teria como atributo uma pele de borrego.
3.A freguesia do Algoz foi criada no século XVI (entre 1541 e 1587, aproximadamente). Há várias notícias das imagens existentes na igreja e nas ermidas, desde o século XVIII (Padre Luís Cardoso, Dicionário Geográfico, tomo I, 1747, pp. 289-290; Memórias Paroquiais, 1758; Ataíde Oliveira, Monografia do Algoz, 1905, p. 117). A imagem mais antiga ainda existente será a de São Pedro, do século XVII.
4.O inventário de 1911 foi feito na presença e com a colaboração do regedor Salvador de Sousa Fava, comerciante e proprietário no Algoz.








À atenção da direcção do Terra Ruiva
Iniciativa a seguir, em S. Bartolomeu de Messines :
https://jornaldoalgarve.pt/desculpe-como-me-chamo-promove-descoberta-do-acervo-fotografico-de-loule/