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Encerramento da fábrica em Silves levou a que Corticeira Amorim tivesse três milhões de perdas financeiras

Terra Ruiva
Última Atualização: 2025/Out/Qui
Terra Ruiva
8 meses atrás
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Em junho deste ano, a Corticeira Amorim surpreendeu ao anunciar a transferência da unidade industrial existente em Silves desde 1960, para as Vendas Novas.

Esta decisão terá provocado “um impacto financeiro de quase três milhões de euros para a Corticeira Amorim  COR 0,28% , em resultado de gastos não recorrentes de 947 mil euros e uma imparidade extraordinária de dois milhões de euros, reconhecida na rubrica de depreciações”.

Segundo o jornal ECO, que cita fonte da empresa, esta estava consciente que “a deslocalização da unidade de Silves para Vendas Novas acarretaria custos associados a rescisões com colaboradores, desmontagem e transporte de ativos e redundâncias de equipamentos”. No entanto, defendeu esta operação, considerado que uma maior proximidade da produção às matérias- primas utilizadas e uma concentração de meios, iria proporcionar uma “maior produtividade e competitividade no relançamento do negócio de cortiça expandida”, tal como foi referido nessa altura.

Quanto aos 31 trabalhadores, que também foram surpreendidos pela decisão da Corticeira Amorim, foi-lhes dada a possibilidade de serem transferidos para a unidade de Vendas Novas, a mais de 200 quilómetros de Silves, ou receberem indemnizações.

Até ao momento não se sabe quantos aceitaram a transferência e quais são as indemnizações acordadas com os restantes funcionários. Fonte oficial da empresa adianta que o desmantelamento da fábrica de Silves ainda se encontra em curso, “pelo que só no final poderemos fazer um balanço, sendo que se mantêm as possibilidades anunciadas previamente”

O encerramento da unidade de Silves foi enquadrado na reestruturação que concentrou numa nova unidade de negócios (Amorim Cork Solutions) os três segmentos “não rolha” — produção de pavimentos, isolamentos e compósitos de cortiça.

A Amorim Cork Solutions produz e comercializa artigos que utilizam a matéria-prima sobrante ou a cortiça que não pode ser utilizada da produção de rolhas. É o caso de revestimentos de solo, cortiça com borracha para a indústria automóvel e para aplicações antivibráticas, aglomerado expandido para isolamento térmico e acústico, aglomerados técnicos para a construção civil e calçado, ou granulados para a fabricação de rolhas técnicas e de champanhe.

Segundo os dados facultados ao ECO pela Corticeira Amorim, a 30 de junho de 2025 contava com 4.640 trabalhadores em todo o mundo, o que compara com 4.878 um ano antes. A empresa sublinha, no entanto, que esta redução de 238 empregos de um ano para o outro reflete também a alteração, operada em alguns mercados, do modelo de distribuição próprio assente em filiais para um modelo assente em distribuidores.

Num “contexto de mercado desfavorável e de elevada incerteza decorrente das tarifas dos EUA”, a Corticeira Amorim segurou lucros de 36,8 milhões de euros no primeiro semestre, apesar da quebra de 5,5% nas vendas consolidadas.

A campanha de compra de cortiça de 2025 teve volumes de extração inferiores aos inicialmente esperados e trouxe uma nova redução dos preços, depois de no ano passado cerca de 10% da cortiça ter ficado por extrair na sequência da descida de 15% no preço médio pago à produção.

Espalhado um pouco por todo o território nacional, mas com o volume principal concentrado no eixo Beira Interior, Ribatejo, Alentejo e até ao Algarve, o montado de sobro ocupa uma área superior a 700 mil hectares, o que equivale a mais de 20% da floresta nacional. A Filcork, associação interprofissional desta fileira, calcula perto de 15 mil produtores de cortiça no país, embora muitos se dediquem também a outras atividades de exploração.

 

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