Para o início do mês de setembro está previsto o início da atividade da Comenda Templária de Silves, uma das várias que existem em território nacional, integradas no Grande Priorado de Portugal.
As comendas são inspiradas nos ideais dos cavaleiros templários que, em 1189, participaram na conquista de Silves ao Califado Almóada, (os “mouros”, em linguagem corrente), e por aqui ficaram durante alguns anos, embora este seja um aspecto da história da cidade ainda por explorar.
O Terra Ruiva falou com o comendador Luís Alves para conhecer melhor esta organização e os seus objetivos.

Recuemos no tempo, para melhor compreender o presente. Foi em Paris, em 1118, que surgiu a Ordem do Templo, uma ordem militar e monástica fundada por Hugh de Payens. A Ordem chegou a Portugal em 1126, com o objetivo de auxiliar os reis portugueses na Reconquista Cristã e nas Cruzadas. O símbolo máximo da sua presença, o Castelo de Tomar, foi um centro estratégico e militar importante até à extinção da Ordem, no século XIV. Os seus bens e domínios foram transferidos para a Ordem de Cristo, pelo rei D. Dinis.
Mas, ainda hoje, o Castelo de Tomar é detentor de uma mística que envolve não só este espaço, como também a história dos cavaleiros templários que se espalharam um pouco por todo o mundo, chegando a deter um enorme poder militar e financeiro, antes de caírem em desgraça e serem perseguidos, até à extinção da Ordem.
Nesse tempo, as comendas eram uma unidade territorial, dirigida por um comendador que tinha não só a responsabilidade de administrar os bens daquelas propriedades, como também de garantir a sua defesa.
As atuais comendas nacionais são entidades sem fins lucrativos, cristãs ecuménicas (que buscam a unidade de todas as igrejas cristãs, não olhando às diferenças e promovendo causas comuns), e estão integradas no Grande Priorado de Portugal (GPP).
Este, por sua vez, faz parte da Ordem Soberana Militar do Templo de Jerusalém (OSMTH). Esta organização, “está creditada no Conselho Económico das Nações Unidas como uma Organização Não Governamental (ONG), detentora de Estatuto Consultivo Especial e mantém delegações junto da ONU em Genebra, Nova Iorque e Viena.”
Segundo o site do Grande Priorado de Portugal esta organização tem como objetivos principais a investigação histórica, a ação social e humanitária a desfavorecidos e preservar as tradições e costumes da antiga Ordem, promovendo cerimónias rituais, inspiradas nos cavaleiros históricos, mas sem pretender restaurar a antiga ordem militar, mas sim os seus ideais de caridade e fraternidade.
Procura ainda “perpetuar os nobres ideais de honra, integridade e beneficência, promovendo a unidade cristã e a aproximação das igrejas e de todos os credos do Mundo”, além de “cooperar com sociedades científicas, religiosas, cívicas e sociais, bem como com todas as demais que partilhem os mesmos princípios e crenças do GPP.” Nos seus objetivos, consta também a promoção do desenvolvimento espiritual dos seus membros.
A Comenda Templária de Silves
A nível nacional verifica-se que as atuais comendas se encontram mais representadas a Norte, o que levou a que alguns membros da Ordem sentissem a necessidade de promover a expansão a Sul. E, assim, se chegou à ideia de criar a Comenda Templária de Silves, cidade onde os cavaleiros templários estiveram presentes, explica ao Terra Ruiva o comendador Luís Alves, que neste momento detém essa responsabilidade, “com a ajuda de pessoas que já estavam no terreno.”
O desenvolvimento e consolidação desta ideia irá depender das pessoas que serão agregadas a estes ideais e da sua iniciativa e capacidade de realização, tal como acontece noutras associações. Até porque esta, pese embora “os mantos e todo o cerimonial”, rege-se pelos princípios democráticos, com estatutos aprovados, em que os membros se encontram em pé de igualdade e são eleitos pelos pares.
Qualquer pessoa pode aderir à Ordem, mas Luís Alves destaca a necessidade de “ser uma pessoa de bem”, ligada às causas da beneficência, que tenha um espírito cristão, proximidade comunitária e que esteja unida aos ideais que esta organização defende. A nível mais pessoal, diz que, habitualmente, a maioria das pessoas que adere é “aquela que vai à procura daquele algo que ainda não tem”, independentemente da sua situação financeira, profissional ou familiar. É “aquele que vai à procura de si próprio”, reforça, “mas não à procura da salvação, que a salvação está em nós”.
No primeiro Capítulo (reunião) em Silves, marcada para o dia 6 de setembro, será definida a linha de atuação da Comenda Templária de Silves, “as valências que queremos focar mais” e as eventuais iniciativas a realizar “atividades a nível social, de acordo com as entidades que já trabalhem no terreno”, adianta Luís Alves.
Quem quiser tomar contacto com a Comenda Templária de Silves pode seguir a sua página nas redes sociais.




