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Opinião

A urgência das perguntas

António Guerreiro
Última Atualização: 2025/Jul/Sex
António Guerreiro
1 ano atrás
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Para Paulo Freire, a pedagogia do oprimido é aquela que tem de ser forjada com ele e não para ele. A educação problematizadora nega os comunicados e existencía a comunicação. Numa visão libertária do mundo, não se pode pensar pelos outros nem sem os outros, mas com os outros, num crer e querer comunitário. O mais importante de uma educação libertadora é que os homens sejam sujeitos do seu pensar, discutindo o seu pensar, sua própria visão do mundo, manifestada, implícita ou explicitamente, nas suas sugestões e nas de seus concidadãos.

Pensando nas ideias e nas palavras de Paulo Freire não vou anunciar que é urgente o amor, como refere o poeta, mas vou clamar que são urgentes as perguntas, em vez das respostas que, nestes tempos, principalmente em períodos de disputa eleitoral, vão surgir em folhetos e cartazes com diferentes matizes políticas. São comunicados sem comunicação, são respostas de perguntas que ninguém fez, são enunciados generosos que visam cativar os anónimos eleitores, cuja voz (infelizmente) se esgota no ato eleitoral.

A necessidade de uma pedagogia do oprimido emerge da existência de desigualdades, de silêncios forçados ou da exclusão: uma periferia esquecida, uma cidade transformada em postal, uma gestão nos gabinetes ausente dos cidadãos.

É necessário aprender com todos e fazer perguntas, muitas perguntas, muitas perguntas, construir soluções com as pessoas, para as pessoas, transformar um bonito cenário numa cidade humanizada, em que todas as vozes foram escutadas e consideradas.

É urgente perguntar:

O que significa para ti– e para todos nós – viver em Silves?

Como te relacionas com a cidade? E de que forma sentes que a cidade te reconhece a ti? E a todos nós?

O que é, para ti (para nós), ser cidadão em Silves? O que te (nos) inspira e motiva? O que te (nos) desanima ou dificulta essa vivência?

O que consideras estar em falta na tua – na nossa – comunidade ou bairro, para que possas (possamos) habitar Silves de forma mais plena e participativa?

De que forma podes (podemos) contribuir para pensar e definir as políticas públicas na cidade?

O que é necessário para minimizar as desigualdades entre o centro da cidade e as suas periferias?

Como podemos garantir condições laborais justas e a valorização da economia local de Silves?

Quais são os teus (os nossos) sonhos para o futuro de Silves?

O questionamento é essencial na comunicação, a comunicação é a essência da sociedade.

Vítor Cabrita Neto
Complexo Multiusos: um projeto estruturante para Silves
Ter ou não ter informação
Animação Turística
Quando dizemos “Tudo bem?”, estamos realmente a perguntar?
TAGGED:A urgência das perguntasAntónio Guerreiro
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PorAntónio Guerreiro
Natural de Silves, nascido em 1962, é doutor em Educação Matemática, professor e diretor da Escola Superior de Educação e Comunicação da Universidade do Algarve. Os seus interesses atuais nos tempos livres são a escrita, a leitura e a fotografia.
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