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História & PatrimónioSociedade

Escavações de equipa internacional acrescentam novos dados à história natural de Messines

Terra Ruiva
Última Atualização: 2025/Jun/Sex
Terra Ruiva
12 meses atrás
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Em São Bartolomeu de Messines foram descobertos, em 2016, vestígios de um PLACODONTE, um grupo de répteis aquáticos, com uma aparência semelhante à das tartarugas, devido às carapaças que possuíam.

O fóssil do “Placodonte” foi várias vezes referenciado, quer no “Terra Ruiva”, quer em revistas da especialidade e também na página da “Comunidade do Grés”, nas redes sociais.

Assim seria o animal que viveu em Messines há mais de 200 milhões de anos

Dando continuidade às expedições anteriores foi agora realizada, neste território, uma nova campanha levada a cabo por uma equipa internacional de cientistas liderada por Ricardo Araújo, do Instituto Superior Técnico, que esteve em trabalho de investigação no terreno, junto à Vila de São Bartolomeu de Messines, até ao dia 10 de maio.

Ao serviço da equipa estiveram máquinas de grande porte, como escavadora com martelo, serra de corte de pedra, ferramentas de pequeno porte como martelos de paleontologia, materiais como geotêxtis e gesso, para preservar o transporte do material recolhido até ao laboratório da “Sociedade de História Natural de Torres Vedras”, onde prosseguirão os trabalhos de investigação.

A equipa em trabalho de campo

A “Comunidade do Grés”, na pessoa de Jorge Correia Pires, esteve no local interagindo com os cientistas e testemunhou a descoberta de novos elementos fossilizados, estes agora vertebrados, segundo foi relatado pela equipa.

Os paleontólogos terão agora um demorado processo de, em laboratório, “desmontar” a rocha envolvente aos ossos fossilizados e de desenvolver um estudo para identificar as espécies encontradas,  fazer a respetiva datação geológica e precisar o clima que na altura era dominante.

Tendo em conta os elementos recolhidos, será até possível estarmos em presença de ossos fossilizados de dinossauro, mas, o mais provável, será tratar-se de espécie de vertebrado de menor porte. Dado o ambiente de rio oceânico em que o grés se formou, também poderá corresponder a um anfíbio.

Sabe-se que, no processo de formação do “Grés de Silves”, no denominado Carniano, idade do período Triásico, o clima era bastante violento e instável, com precipitações de grande intensidade que se prolongaram por dois ou três milhões de anos, o que poderia gerar correntes suficientemente fortes para arrastar animais de grande porte, como os dinossauros. Aguardam-se as conclusões da investigação em curso.

Em Messines impera a onda de entusiasmo e expectativa pelas futuras revelações que enchem de orgulho a nossa comunidade, pelo contributo para o engrandecimento da história natural desta freguesia.

 

Texto e Fotos: Jorge Correia Pires

(Siga-nos na página Facebook–“Comunidade do Grés” )

 

 

Agradecimento público

Já no final da sua expedição, a equipe de paleontólogos protagonizou um acontecimento de interação e ajuda a residentes locais que muito nos apraz aqui noticiar, dando satisfação ao pedido que Joaquim Silva e a esposa, Perpétua Duarte, fizeram à “Comunidade do Grés” “para que se apresentasse publicamente e em seu nome, agradecimento a esta equipa. Joaquim Silva, residente em monte isolado, acometido por grave problema de saúde, necessitando urgentemente de assistência hospitalar, por avaria no telefone, ficou sem possibilidade de pedir socorro.

A equipa de paleontólogos ao passar por perto, apercebendo-se do sucedido, acionou o contacto com os meios de socorro e deu-lhes apoio até à chegada dos meios adequados.

Um feliz e bem-sucedido episódio, simbólico da salutar interação entre a nossa população e aqueles que contribuem para o progresso da nossa terra.

Joaquim Silva e Perpétua Duarte

 

 

 

A História Natural de Messines

 

São Bartolomeu de Messines entra definitivamente na rota dos primórdios da vida animal no planeta. Do percurso que nos trouxe dos tempos remotos até hoje, fazemos um breve resumo histórico referente à nossa região:

«O Universo como o conhecemos, teve a sua génese há cerca de 13,8 biliões de anos, tendo o nosso sistema solar sido formado há apenas 4,6 biliões de anos. Há 3,5 mil milhões de anos surgem os primeiros sinais de vida no planeta Terra, na forma de microrganismos. Os primeiros organismos Multicelulares surgem nos oceanos só há 1,1 mil milhões de anos. Entre os 540 e 250 milhões de anos, a vida já era abundante no planeta. Os dinossauros bípedes surgem no período Triásico há 250 milhões de anos. Os dinossauros quadrupedes surgem no período Jurássico há 200 milhões de anos No Cretáceo há 150 milhões de anos, surgem os rinocerontes. O nosso conhecido cavalo surge há 50 milhões de anos, no designado Terciário. O homem das cavernas, dá os primeiros passos há 1,8 milhões de anos. Nesta escala do tempo como popularmente se diz é “como se fosse ontem”.

O eixo central do território da nossa freguesia, caracterizado pelas formações de grés, formou-se há cerca de 230 milhões de anos, quando se começaram a afastar os continentes, evoluindo dum continente único – a PANGEIA, para a disposição geográfica que hoje conhecemos, de cinco continentes separados pelos oceanos.

 Nesse período inicial, a atual zona de grés que, na nossa freguesia, o povo conhece por “pedra ruiva”, resulta de um processo de forte erosão de enormes montanhas, ricas em produtos de origem ferruginosa (com milhares de metros de altitude) que aqui existiam.

No processo de afastamento dos continentes, ao longo de centenas de milhões de anos, o território que corresponde a parte da nossa freguesia, encontrava-se submerso e tais produtos foram sendo depositados no fundo de rios oceânicos e lagunas, que submergiam grande parte do território que hoje é o Algarve, dando origem à formação duma faixa sedimentar de arenitos, que se estende da zona de Vila do Bispo até ao Guadiana atingindo espessuras da ordem dos 400 m, assumindo assinalável expressão na nossa freguesia.

Nesse período, datado de 230 milões de anos, a vida animal já era abundante e os animais de grande porte, como os dinossauros, conviviam com muitos outros animais que poderão até ser dos primeiros mamíferos.

O processo evolutivo da vida na terra traz-nos até hoje vestígios de tal mundo vivo sob a forma de fossilização, que a paleontologia, enquanto ciência dedicada ao estudo dos seres vivos do passado, através da análise de fósseis e outros vestígios preservados nas rochas, nos ajuda a entender. Estuda quer a evolução das espécies, quer a forma como os ambientes se modificaram ao longo da história da Terra, até à formação dos fósseis.»

 

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