A Ribeira de Alcantarilha foi o tema do passeio ambiental promovido pela ALDEPA – Associação de Defesa do Património Cultural e Natural de Alcantarilha, na comemoração do terceiro aniversário da associação, no dia 24 de maio.
Em Armação de Pêra, na ponte pedonal, por cima da foz da Ribeira de Alcantarilha, a professora Florbela Cabrita dissertou sobre a história e o interesse socioeconómico e ambiental deste curso de água, este ano ainda com “alguma competência hídrica” em resultado das chuvas ocorridas.
A Ribeira de Alcantarilha, ou Ribeira da Enxurrada, nasce na Serra do Caldeirão, tem uma extensão de cerca de 30km, com um afluente que é a Ribeira de Algoz e atravessa zonas rurais, áreas agrícolas e sapais antes de chegar à sua foz, no Oceano Atlântico, entre Pêra e Armação de Pêra.

No seu trajeto, explicou Florbela Cabrita, apresenta “inúmeras realidades biológicas” e uma “biodiversidade muito rica” que faz dela uma “ribeira muito particular”, ligada à história de muitas gerações, que, “durante 500 anos” viram nela um recurso económico. Em tempos mais recentes, no entanto, “deixou-se de olhar para a ribeira” e, seguindo uma tendência geral na região, “a natureza passou a ser transformada para servir o turismo”.
Uma tendência que se tem vindo a inverter, nas duas últimas décadas, disse Florbela Cabrita. “Começou-se de novo a olhar para esta riqueza que temos, para a paisagem fantástica e todo este rico património natural” e, consequentemente, ganhou força a ideia da necessidade de defender estes valores.
O que passa, acrescentou, por um cuidado maior, por parte da Câmara de Silves e da Agência Portuguesa do Ambiente, na gestão da abertura da ribeira ao mar, para evitar “situações deploráveis da ribeira sem água”.
A professora falou ainda das grandes linhas de orientação ambiental que colocam como objetivo atingir a descarbonização da economia e a neutralidade carbónica, metas que só serão alcançadas com uma grande consciência ambiental. Para tal, é necessário, defendeu, alcançarmos um grau de desenvolvimento económico e social mais elevado, porque: “quem vai pensar na ribeira quando não tem pão”?
No final da sua intervenção, Florbela Cabrita, destacou a existência do Parque Natural Marinho da Pedra do Valado, com “uma riqueza imensa”, sublinhando “o papel fundamental” que a Câmara Municipal de Silves teve no processo da sua criação, fazendo votos para que o mesmo sucesso seja alcançado na Ribeira de Alcantarilha. Ribeira essa que teve um papel crucial na constituição da Pedra do Valado, ao transportar, “ao longo dos anos, para lá, organismos marinhos”.

A seguir a esta intervenção, e ainda com a ribeira como paisagem, o recém-criado grupo coral da ALDEPA, o “Musicaldepa”, cantou uma canção, com o título “Ribeira de Alcantarilha”, com letra de Manuel Neto dos Santos e música de António Vinagre.

Houve ainda lugar para a intervenção de alguns presentes, que evocaram as suas memórias relacionadas com a ribeira, lembrando, por exemplo, quando se colocavam nas margens tentando apanhar as laranjas que vinham nas enxurradas e os acidentes que por vezes aconteciam, a existência de lavadeiras, ou o tempo de juventude quando iam apanhar eirós e cágados.
Terminada esta primeira parte da comemoração do aniversário, a maioria dos participantes, cerca de 60 pessoas, percorreu o passadiço, antes de um almoço em Armação de Pêra.
Aí, além da refeição e do momento com o bolo de aniversário, houve algumas intervenções e oferta de lembranças à ALDEPA. Estiveram presentes o vereador da Câmara de Silves, Tiago Raposo, a presidente da Assembleia Municipal, Sofia Belchior, o representante da União de Freguesias de Alcantarilha e Pêra, Francisco Mourinho e representantes da Sociedade Recreativa Alcantarilhense, Casa do Povo e Grupo Aventura Desporto Alcantarilha-Gare.







