Ao utilizar este site, concorda com a nossa politica de privacidadePolitica de Privacidade e Termos e Condições.
Accept
Terra RuivaTerra RuivaTerra Ruiva
  • Concelho
  • Sociedade
    • Ambiente & Ciência
    • Cultura
    • Educação
    • Entrevista
    • História & Património
    • Lazer
    • Política
  • Opinião
  • Vida
  • Economia & Emprego
  • Algarve
  • Desporto
  • Autores
    • António Eugénio
    • António Guerreiro
    • Aurélio Cabrita
    • Clara Nunes
    • Débora Ganda
    • Eugénio Guerreiro
    • Fabrice Martins
    • Francisco Martins
    • Frederico Mestre
    • Helena Pinto
    • Inês Jóia
    • José Quaresma
    • José Vargas
    • Maria Luísa Anselmo
    • Maria José Encarnação
    • Miguel Braz
    • Paula Bravo
    • Paulo Penisga
    • Patricia Ricardo
    • Ricardo Camacho
    • Rocha de Sousa
    • Rogélio Gomes
    • Sara Lima
    • Susana Amador
    • Teodomiro Neto
    • Tiago Brás
    • Vera Gonçalves
  • Página Aberta
  • AUTÁRQUICAS 2025
    • AUTÁRQUICAS 2021
  • Edições
Reading: Egas Moniz e João de Deus
Partilhe
Font ResizerAa
Terra RuivaTerra Ruiva
Font ResizerAa
  • Home
  • Demos
  • Categories
  • Bookmarks
  • More Foxiz
    • Sitemap
Follow US
  • Advertise
© 2022 Foxiz News Network. Ruby Design Company. All Rights Reserved.
História & PatrimónioSociedade

Egas Moniz e João de Deus

José Alberto Quaresma
Última Atualização: 2025/Jan/Sex
José Alberto Quaresma
1 ano atrás
PARTILHE

Egas Moniz venerou João de Deus ao longo de toda a sua vida. Na juventude e no ocaso bem o demonstrou.

Já depois de ter recebido o Prémio Nobel de Medicina, em 1949, mostrou o seu apego ao poeta e pedagogo.

Eu já o tinha topado quando compus João de Deus – Vida, publicada pela Imprensa Nacional no princípio do ano de 2024, que ora findou.

António Caetano de Abreu Freire de Resende Egas Moniz integrara a comitiva de milhares de estudantes da Universidade de Coimbra que se deslocara em comboio fretado a Lisboa para homenagear João de Deus, pelos seus 65 anos, a 8 de Março de 1895.

Egas Moniz tinha 20 anos. Era um novato de Medicina. Não queria faltar à homenagem e estar na presença de João de Deus. O poeta e pedagogo sensibilizava-o como raros. Já com 75 anos, numa das suas “conferências médicas”, evoca esse tempo de juventude. Vale a pena ouvi-lo.

Egas Moniz

 

Na “algazarra dos rapazes”, no comboio, todos iam deitando contas aos que já conheciam Lisboa. Ainda eram muitos. Uns da cidade. Outros da margem sul, falavam como lisboetas e lançavam olhares de desdém sobre os que nunca tinham pisado a calçada do Rossio e Chiado.

Eram a maioria como ele, nascido na paróquia de Santa Marinha de Avanca, em Estarreja, em 1874. O padrinho de batismo, o tio Francisco Pais de Rezende Pereira e Melo, era Abade da mesma paróquia. Acreditava que a sua família, de origem aristocrata, descendia, em linha directa de Egas Moniz, o aio de D. Afonso Henriques. Daí o apelido que correrá mundo.

Em todas as carruagens havia uma “alegria ruidosa”. Os versos de João de Deus andavam nos ouvidos de todos que os sabiam de cor. Um dos companheiros dava “tratos ao miolo” para contar o dinheiro que podia gastar durante dois dias, em Lisboa .Com a “bolsa magra” declamava:

 

O dinheiro é tão bonito,

Tão bonito, o maganão!

A rapaziada entoava, em coro estridente, as estrofes do poema. O remate final foi estrondoso

Tlim!

                                   Pois não!

Os estudantes de Lisboa receberam os colegas de Coimbra, no teatro Avenida, com muitos vivas a João de Deus. Egas Moniz foi um dos “palradores”. Discorreu sobre a união dos académicos de todo o país e a “estrela” que os guiava, João de Deus. Acha que não foi feliz na alocução.

Para reparar a “culpa dos irrequietos 20 anos” voltou, meio século depois, a prestar tributo ao “admirável poeta lírico, notável pedagogo e o símbolo da Bondade, virtude que aureola a cabeça dos santos e acarinha e junta em suave amplexo as almas bem formadas.” Recorda a romagem à casa de João de Deus, na Estrela, que teve “um aspeto apoteótico nunca visto”.

Evoca a festa no teatro D. Maria II, na presença da do rei D. Carlos e família, em que Augusto Hilário, “fraco estudante” de Medicina, mas grande cantor de fados. A ovação “estrugiu formidável” aos seus improvisos, com a guitarra de Coimbra, cantados e declamados.

Egas Moniz demora-se, sobretudo, pela obra poética de João de Deus. Das primeiras composições em Coimbra, no Algarve e finalmente em Lisboa, não vê “características diferenciais”. Tudo se mistura “na suavidade do mesmo ritmo”, no encantamento em que revela “os arroubos amorosos em que borboleteiam frases tristes de dúvida e desalento, de ardor e ansiedade, mas tudo contido numa ingenuidade sóbria, que comove, e de uma mágoa que nunca roça pelo trágico.”

Nos versos de João de Deus, como os lê, não há “increpações ou cóleras”. Somos suavizados pelas “doçuras magoadas dos que sabem chorar silenciosamente, sem que se veja o deslizar das lágrimas, nem se ouça o murmúrio dos lamentos. Tudo na obra “é claridade, luz, lírico devaneio, nimbados de bondade, característica máxima da sua formação de homem e de poeta.”

Egas Moniz assegura, por outro lado, que João de Deus “não podia ver graças alheias sem se comover.” Não se conformava com a existência de analfabetos em Portugal e “fez-se pedagogo”. Empenhou-se em “arrancar às brenhas da ignorância as populações que cresciam na sombra da incultura.”

Deixou-nos também “uma primorosa arte de aprender a ler” e dedicou-a aos pequeninos. E quantos lhe devem, pelo país fora, esse “precioso capital do primeiro saber”. Na “Cartilha Maternal” até o nome lhe dá “a suavidade de um conto que se aprende, entra carícias, adentro do lar!” João de Deus é “uma das figuras máximas da Pátria portuguesa”, assim o considera.

Embora nomeado em 1928, 1933, 1937, 1944, Egas Moniz só recebeu o Prémio Nobel, em 1949. Os seus trabalhos pioneiros na deram impulso ao desenvolvimento da medicina, desbravando caminho para o aperfeiçoamento da cirurgia cerebral e de outras áreas que exploram os mistérios da mente e das emoções. É igualmente, pelo seu rigor científico e sensibilidade literária, uma das figuras máximas do nosso país.

João de Deus e Egas Moniz unidos no diverso pelo bem comum, físico e espiritual, da humanidade. No seu tempo e mais adiante.

 

 

 

 

 

Total Views: 1
Interrail Poético Tunes 2026 – Encontro de poesia dedicado à palavra e à memória da aldeia
Santos Populares em Alcantarilha
Ciclo de Teatro ao Ar Livre 2026 percorre as freguesias do concelho de Silves
Cento de Reprodução do Lince Ibérico, em Silves, procura voluntários
Santos Populares no Boião, na freguesia de São Marcos da Serra
TAGGED:Egas MonizJoão de DeusJosé Alberto Quaresma
Partilhe este artigo
Facebook Email Print
PorJosé Alberto Quaresma
José Alberto (de Oliveira) Quaresma nasceu em Portimão. Licenciou-se em História pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Prosseguiu estudos em História Moderna e Contemporânea, na Universidade de Paris- Sorbonne (Paris IV), com Pierre Chaunu e André Corvisier e em História das Mentalidades Religiosas, no Collège de France, com Jean Delumeau. Foi docente do ensino secundário e formador de professores. Publicou artigos em revistas científicas e apresentou em vários fóruns comunicações sobre História, História das Mentalidades, Sociedade e Sistema Educativo. Tem, como colunista, colaboração dispersa por vários periódicos, nomeadamente, O Independente, Público, Expresso, Correio da Manhã, Domingo Magazine. Obteve o Prémio Revelação de Poesia da Associação Portuguesa de Escritores (1989), pelo livro A Pose Extática, (Afrontamento). Publicou Ecolalia, poesia (Vega) e, na mesma editora, Direito ao Erro – A Batalha da Educação em Portugal. Foi autor de «Falta de Castigo – O Blogue da Educação e da Falta Dela», no semanário Expresso, entre 2008 e 2014. Coordenou as Comemorações do 122º Aniversário do Nascimento de Manuel Teixeira Gomes (1982-1983). Foi comissário para as Comemorações Nacionais dos 150 Anos de Manuel Teixeira Gomes (2010). É autor de Manuel Teixeira Gomes – Biografia (Imprensa Nacional – Casa da Moeda / Museu da Presidência da República
Artigo Anterior Estudo mostra que qualidade ecológica dos rios pode ser inferior devido à presença de espécies exóticas
Próximo Artigo 3º Encontro de Walking Football foi em Silves
Sem comentários

Deixe um comentário Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Últimas

Torneios de Voleibol de Praia em Armação de Pêra
Desporto
14º Gym Fest em Messines
Desporto
Corte de energia elétrica em Alcantarilha
Concelho
Intermarché investe 4 milhões de euros em nova loja no Algoz
Economia Economia & Emprego Empresas
Anunciado o novo o Hospital Lusíadas Faro: “o maior e mais tecnológico do Algarve”
Saúde & Bem Estar Uncategorized Vida

– Publicidade –

Jornal Local do Concelho de Silves.

Links Úteis

  • Notícias
  • Estatuto Editorial
  • Ficha Técnica

Publicidade

  • Publicidade & Assinaturas
  • Conteúdo Patrocinado

Info Legal

  • Contactos e Info Legal
  • Termos e Condições
  • Politica de Privacidade

Siga-nos nas Redes Sociais

© Copyright 2025, Todos os Direitos Reservados - Terra Ruiva - Created by Pixart
Ajustes de acessibilidade

Com tecnologia de OneTap

Durante quanto tempo queres ocultar a barra de acessibilidade?
Duração de ocultação da barra
Perfis de acessibilidade
Modo de Deficiência Visual
Melhora os elementos visuais do site
Perfil Seguro para Convulsões
Remove flashes e reduz cores
Modo Amigável para TDAH
Navegação focada, sem distrações
Modo de Cegueira
Reduz distrações, melhora o foco
Modo Seguro para Epilepsia
Escurece cores e para o piscar
Módulos de conteúdo
Tamanho do ícone

Padrão

Altura da linha

Padrão

Módulos de cor
Módulos de orientação
Welcome Back!

Sign in to your account

Username or Email Address
Password

Lost your password?