Os agricultores algarvios aguardam ainda a decisão do Governo sobre o alívio nos cortes de água, que os mesmos têm reivindicado. O que poderá acontecer em nova reunião de avaliação da situação, prevista para maio.
No dia 30 de abril, a ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho esteve em Faro, participando na reunião da Subcomissão Regional da Zona Sul da Comissão de Gestão de Albufeiras, convocada para fazer o ponto de situação dos recursos hídricos da região e discutir um eventual alívio nas restrições ao consumo de água nos sectores da agricultura, turismo e consumo doméstico, que estão em vigor desde janeiro deste ano.
À saída da reunião, a ministra admitiu que haveria alguma “margem para aliviar um pouco as restrições que têm vigorado até agora”, por se ter verificado, este ano, uma precipitação maior do que no ano passado. No entanto, não deixou de afirmar que “a falta de água no Algarve é um problema que veio para ficar”, tendo em conta o nível de precipitação registado nos últimos anos.
Segundo os dados divulgados pelo Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos – SNIRH, no final de abril, a bacia do Barlavento continuava a ser a que retinha menor quantidade de água, com 22,6% quando a média é de 74,6%. Ainda assim, regista uma melhoria em relação aos meses anteriores: em março, estava a 19,7%; em fevereiro a 12,5% ; e em janeiro a 9,4%.
Estes números levaram a Comissão para a Sustentabilidade Hidroagrícola do Algarve (CSHA) a defender que já foi “ultrapassada a previsão de armazenamento” de água de superfície nas bacias do Algarve e que a região tem água suficiente para os próximos anos, pelo que exige uma redução nos cortes no consumo de água e que estes sejam aplicados de igual forma em todos os sectores. Para esta organização, que representa mais de 1000 produtores, operadores e associações do sector agrícola, a única medida aceitável é um “corte no consumo de água de 15% para todos os sectores”, agricultura, turismo e urbano.
Em comunicado, a CSHA diz ainda que “gostaria de ouvir” a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) anunciar o aumento do volume de água, a transpor da barragem do Funcho para a do Arade. Esta medida tem sido reivindicada pela Associação de Regantes de Silves, Lagoa e Portimão, “para que a agricultura daquele perímetro de rega possa fazer esta campanha com o corte de 15%, pois necessita de cinco hectómetros cúbicos de água do Funcho”.
No final do mês de abril, a Barragem do Arade encontrava-se a 17,2% da sua capacidade, enquanto a Barragem do Funcho estava a 53,5%; e a de Odelouca a 46,5%.
Consumo baixou
No mês de março, segundo o relatório trimestral da Agência Portuguesa do Ambiente, o consumo da água reduziu em 15 dos 16 municípios do Algarve, com uma descida global de 17,9 %, comparativamente a março de 2023, o que representou uma poupança de 884 mil metros cúbicos de água.
Na tabela, o concelho de Silves surge como um dos que mais poupou água, (5º lugar em 16 municípios) tendo reduzido 23,99% no consumo.
No que respeita ao Aquífero Querença- Silves, a APA afirma que “a situação no corrente ano hidrológico é mais desfavorável que na seca de 2005 e, significativamente, mais grave que na seca de 2022. Os níveis encontram-se muito próximos do nível médio da água do mar”.








